Quando o Brasil empatou com Marrocos na estreia do Grupo C desta Copa do Mundo, não faltou quem enxergasse naquele resultado um certificado de fragilidade da equipe de Carlo Ancelotti. Parecia mais confortável concluir que a seleção brasileira havia decepcionado do que admitir a força do adversário. Duas semanas depois, a própria Copa tratou de corrigir esse julgamento precipitado.
Marrocos é a primeira seleção classificada para as quartas de final do Mundial de 2026. A vitória por 3 a 0 sobre o Canadá, neste sábado, em Houston, não chega a representar uma surpresa, mas joga mais luz sobre o reconhecimento para um projeto esportivo maduro, de um time que há muito tempo deixou de ser apenas uma sensação para transformar-se numa das maiores potências competitivas do futebol internacional. Não existe acaso numa equipe que chega a 34 partidas de invencibilidade. Não existe coincidência em um grupo que não perde um jogo desde agosto de 2025.

Marrocos deslancha
Uma seleção que segue oferecendo aos adversários sempre a mesma pergunta: afinal, como se vence Marrocos? O Canadá começou melhor. Foi mais agressivo nos primeiros minutos, criou duas grandes oportunidades com Jonathan David e esbarrou, nas duas vezes, nas mãos seguras do experiente goleiro Bono. Durante boa parte do primeiro tempo, conseguiu impedir que os marroquinos encontrassem seu ritmo habitual.
Mas, depois de uma primeira etapa sem brilho, bastaram alguns minutos da segunda para aparecer uma das marcas registradas da equipe africana: as jogadas ensaiadas em bola parada. Em cobrança de falta pela direita, Hakimi rolou rasteiro para a entrada da área, Ounahi apareceu livre e finalizou de primeira, no canto, numa jogada treinada e executada com precisão quase cirúrgica.
Se o primeiro foi fruto da estratégia, o segundo nasceu da identidade. Aos 36 minutos, Marrocos recuperou a bola no meio-campo e ofereceu ao mundo uma verdadeira aula de contra-ataque. Brahim Díaz conduziu com inteligência, desmontou a defesa canadense com um drible desconcertante e serviu Ounahi, que apareceu outra vez para marcar seu segundo gol na partida.
Sentença final
Ainda houve tempo para mais. O terceiro gol podia ter saído quando Rahimi acertou o travessão após outra escapada em velocidade. Mas a sentença final do jogo só foi dada minutos depois, já nos acréscimos, novamente em uma recuperação de bola seguida de um contragolpe devastador, concluído justamente por Rahimi. Foi uma vitória construída sem espetáculo, mas com enorme competência. Uma equipe disciplinada, madura taticamente e absolutamente fiel ao seu modelo de jogo.
No próximo dia 9 de julho, Marrocos disputará uma vaga na semifinal contra o vencedor do confronto entre França e Paraguai. Seja qual for o adversário, entrará em campo carregando a mesma pergunta que acompanha sua impressionante sequência invicta: quem será capaz de parar essa máquina de competir?

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O Canadá despede-se de maneira honrosa. Viveu a emoção inédita de disputar um mata-mata de Copa do Mundo e vendeu caro a derrota enquanto teve forças para competir jogando como um dos anfitriões do torneio. Longe do embalo da torcida, encontrou pela frente um adversário simplesmente melhor. E, diante deste Marrocos, isso tem acontecido com quase todo mundo que vem pela frente.





