Jürgen Klopp precisou de apenas dois jogos para descobrir que reconstruir a Alemanha talvez seja uma missão bem mais complicada do que devolver organização, intensidade e confiança a uma seleção acostumada a disputar títulos. Depois do empate por 1 a 1 com a Holanda na estreia, o treinador viveu neste domingo seu primeiro choque de realidade diante da torcida alemã. A derrota por 1 a 0 para a Grécia, em Augsburg, pela Liga das Nações, foi histórica: nunca antes os gregos haviam derrotado os tetracampeões mundiais.

Mais sobre a Liga das Nações

E Klopp não tentou diminuir o tamanho do tropeço. “Um jogo desses você não pode perder”, reconheceu o treinador depois da partida. A frase explica melhor o fiasco do que qualquer análise tática. Klopp admitiu que poderia conviver com um empate diante de um adversário fechado, assumiu a responsabilidade pelas muitas alterações na equipe e tratou a atuação como parte de um processo iniciado há apenas uma semana. Mas estabeleceu um limite: perder aquela partida não estava nos planos.

Alemanha Klopp atende pedido por autógrafos de torcedores antes de embarcar para o estádio
Klopp atende pedido por autógrafos de torcedores antes de sua estreia em solo alemão / dfb _team

Klopp monta laboratório

Faz parte da experiência montada pelo novo treinador, que convocou nada menos que 44 jogadores, divididos em dois grupos, para os quatro primeiros compromissos da Liga das Nações. A intenção é observar alternativas e administrar a carga dos atletas no início da temporada europeia. O laboratório, porém, encontrou um adversário disposto a transformar a experiência alemã em oportunidade.

Assim, Dimitris Kourbelis, aos 29 minutos do segundo tempo, anotou o gol mais importante dos gregos em um duelo com a Alemanha. Antes deste domingo, os gregos enfrentaram a Alemanha dez vezes pela seleção principal, entre amistosos e partidas oficiais, sem conseguir uma única vitória. Foram sete triunfos alemães e três empates.

A Grécia não disputa uma Copa do Mundo desde 2014. Ficou fora dos Mundiais de 2018 e 2022 e também não conseguiu vaga para 2026, ao terminar atrás de Escócia e Dinamarca em seu grupo das Eliminatórias. Por isso que a derrota ganha significado maior do que os três pontos perdidos nesta fase de grupos da competição.

Alemanha sem brilho

Assim como acontece com o Brasil e Itália, a Alemanha já não mete medo nos adversários. Os alemães não têm mais o peso de sua história. Eles deixaram de ser a seleção capaz de jogar mal e sobreviver, de atravessar torneios sem encantar e chegar às fases decisivas, de transformar organização, força mental e camisa em vantagem antes mesmo de a partida começar. Essa sensação desapareceu aos poucos desde o título mundial conquistado no Brasil, em 2014.

Os resultados das últimas três Copas ajudam a explicar a mudança de percepção. Em 2018, a então campeã mundial caiu ainda na fase de grupos. Quatro anos depois, no Catar, repetiu o fracasso e novamente sequer alcançou o mata-mata. Em 2026, conseguiu ao menos superar a primeira fase, mas a recuperação durou pouco: depois de terminar na liderança de sua chave, a Alemanha foi eliminada pelo Paraguai nos 16-avos de final, após empate por 1 a 1 e derrota por 4 a 3 nos pênaltis.

Na tabela de classificação, os alemães ficaram na 18ª posição. Foi esse fracasso que fez Klopp assumir a seleção, em julho, com a missão de recuperar sua relevância internacional e construir uma equipe competitiva para a Eurocopa de 2028.

A primeira decisão já mostrou que o treinador não pretende apenas trocar o elenco. A convocação de 44 jogadores e a utilização de dois grupos diferentes indicam uma reconstrução ampla, com testes, observação e busca por uma nova base. A iniciativa recebeu inclusive elogios do ídolo histórico Lothar Matthäus e de dirigentes da Federação Alemã.

Alemanha
Alemães posam para foto antes do duelo com a Grécia, que vence pela primeira vez os rivais / dfb_team

Longo percurso

Só que processos também produzem noites como a de Augsburg. Klopp fez questão de assumir as escolhas, lembrou que trabalha com o grupo há pouquíssimo tempo e está disposto a absorver resultados enquanto a equipe tirar deles as conclusões corretas. “A escalação, com tantas mudanças, é responsabilidade minha. Isso faz parte do processo”, analisou o treinador.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

É uma leitura razoável para quem acaba de iniciar um ciclo que mira principalmente 2028. Seria precipitado julgar o trabalho por um empate e uma derrota. O resultado contra a Grécia, porém, deixa uma constatação que ultrapassa Klopp, ou seja, é uma fotografia bastante clara do ponto de onde esse processo está começando.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui