Se ainda havia alguém que duvidasse de que a famosa “lei do ex” também se aplica aos treinadores, essa suspeita foi enterrada nesta noite de quinta-feira, no Maracanã. O baile que o São Paulo levou do Fluminense de Zubeldía não deixou sobre a mesa qualquer resquício de dúvida.
Meses depois de ser demitido por não entregar ao clube um futebol vistoso e eficiente, o técnico argentino devolveu a ingratidão com juros, correção monetária e requintes explícitos de crueldade esportiva. Não foi só um nó tático. Foi uma aula — daquelas que humilham pela clareza com que expõem a diferença entre um time que sabe o que quer e outro que não faz ideia do que está fazendo em campo. Acabou 6 a 0 e foi pouco! Uma noite para o são-paulino esquecer. Vira a 3, acaba a 6, como se diz na várzea.

O primeiro tempo foi um manifesto de futebol bem jogado: transições rápidas, tabelas limpas, ocupação racional de espaço, triangulações pelos dois lados, pressão bem coordenada. Um massacre técnico, físico e tático. Com 25 minutos, o Fluminense já vencia por 3 a 0. Com mais vinte minutos, poderia ter ido ao intervalo com cinco ou seis. O travessão e o jovem goleiro Young impediram um constrangimento ainda maior.
Os gols foram saindo…
No segundo tempo, Crespo voltou com três alterações, mas não impediu que o baile continuasse. Se ainda houvesse algum fiapo de esperança paulista, John Kennedy tratou de arrancá-lo aos 24 minutos do segundo tempo, marcando o quarto gol. Minutos depois, Canobbio fez o quinto.
Aos 42, Serna marcou o sexto e decretou um placar que ilustra com precisão quase cirúrgica o que foi o jogo: um atropelo sem contestação, uma superioridade tão evidente que dispensava qualquer leitura tática mais elaborada. Era, pura e simplesmente, um time jogando futebol de alto nível contra outro entregue à própria confusão.
16 desfalques, mas não é só isso
É verdade que Crespo tinha 16 desfalques, o que o obrigou a mandar a campo um time remendado e sem entrosamento. Mas a debandada médica está longe de explicar tudo. O São Paulo marcou mal, perdeu duelos, ofereceu corredores imensos e foi engolido pela linha de passe muito bem executada pelos cariocas.

O meio-campo — esse território que costuma revelar a alma de uma equipe — pertenceu ao Fluminense do primeiro ao último minuto. O tricolor das Laranjeiras ditou ritmo, acelerou quando quis, desacelerou quando achou conveniente e desenhou a partida com a naturalidade de quem domina bola, espaço e adversário. O São Paulo, ao contrário, parecia um time assustado, perdido, nocauteado pela rapidez dos golpes.
Estrago também na tabela
Na tabela, o estrago também dói. Um clube que ainda sonhava com pré-Libertadores corre o risco de terminar a rodada fora da zona de classificação, vítima das próprias limitações e de uma atuação que beirou o irrecuperável. O Fluminense, por sua vez, segue sua escalada silenciosa e eficiente.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
Chegou à nona vitória seguida no Maracanã com Zubeldía e ocupa agora a quinta colocação, plenamente vivo na disputa por vaga direta na Libertadores. Mérito total do treinador, que soube transformar a herança deixada por Renato Gaúcho em um time coordenado, intenso e maduro, capaz de jogar por música. Quanto a Crespo, não seria nenhuma surpresa se essa goleada decretasse fim de linha para seu trabalho no Morumbi. É difícil aceitar um vexame desse tamanho, essa mancha na história de um tricampeão mundial, com naturalidade e frieza. Não reagir a esse 6 a 0 é normalizar uma noite vergonhosa.





