A Inglaterra derrotou o México por 3 a 2 com um sofrimento terrível, mas com atuação cirúrgica. A equipe sobreviveu a um segundo tempo inteiro de tensão, segurou o bombardeio mexicano mesmo com um jogador a menos e avançou para as quartas de final. Pela frente, a Noruega, que, horas antes, eliminara o Brasil O México, por sua vez, caiu em casa, no Azteca, justamente no último jogo desta Copa em solo mexicano. A festa que começou com cara de consagração terminou com o velho gosto amargo de uma seleção que jogou como nunca — ou quase isso — e perdeu como sempre.
Mais uma vez, o céu resolveu entrar em campo antes da bola. A partida entre México e Inglaterra, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, começou com uma hora de atraso por causa das condições climáticas na Cidade do México. Raios, chuva forte, protocolo de segurança, espera, ansiedade e um Azteca em ebulição. Quando o jogo finalmente começou, a atmosfera já parecia de final. Para o México, era a chance de transformar a melhor campanha recente de sua história em um salto para as quartas de final. Para a Inglaterra, era o teste mais hostil possível: altitude, pressão local, estádio lotado e um adversário embalado por quatro vitórias sem sofrer gols.

Bellingham comanda Inglaterra
O primeiro tempo teve um dono claro: Jude Bellingham. E não apenas pelos dois gols. Até a metade da etapa inicial, o México parecia mais confortável no jogo. Empurrado pela torcida, marcava alto, acelerava pelos lados e obrigava a Inglaterra a jogar no limite. Mas a Inglaterra tem jogadores capazes de mudar a história de uma partida em dois lances. Bellingham foi esse jogador. Aos 36 minutos, ele apareceu na área para abrir o placar. Dois minutos depois, voltou a castigar o México e fez o segundo.
Em menos de 120 segundos, a defesa que havia atravessado quatro partidas sem ser vazada nesta Copa foi desmontada. O Azteca, que até então rugia como se carregasse o time nas costas, levou um choque. O México ainda encontrou resposta antes do intervalo, com Julián Quiñones, aos 42 minutos, e reacendeu a partida. O 2 a 1 devolveu vida aos donos da casa e deixou a Inglaterra pendurada numa vantagem curta demais para o que o jogo prometia.
Foi aí que Bellingham completou a sua atuação gigante. Nos acréscimos do primeiro tempo, quando o México ameaçava o empate e a Inglaterra parecia sem ar, ele salvou um lance na pequena área, quando o zagueiro César Montes se preparava para emendar de primeira. Era o tipo de jogada que não entra na súmula como gol, mas vale como se fosse. Se a bola entra, o intervalo teria outro clima, outra história e talvez outro vencedor. Bellingham marcou duas vezes, mas também evitou o empate. Foi protagonista nas duas áreas.
Ingleses superam expulsão
O segundo tempo começou com a sensação de que o México viria para cima. Veio. E a Inglaterra colaborou para o drama. Aos nove minutos, Jarell Quansah foi expulso depois de uma entrada forte em Jesús Gallardo. A partir dali, o jogo mudou de natureza. Já não era apenas um mata-mata equilibrado. Era um cerco mexicano contra uma Inglaterra obrigada a se proteger, reorganizar a defesa e escolher com muito cuidado os raros momentos em que poderia respirar.
Só que, no meio desse roteiro de pressão, o México deu a bobeira que não se pode dar em jogo grande. Em uma jogada que começou do lançamento do goleiro Jordan Pickford, a bola longa encontrou Anthony Gordon em velocidade, o goleiro Raúl Rangel saiu mal e cometeu o pênalti, o qual Harry Kane não perdoou. Aos 15 minutos, o capitão inglês cobrou com a frieza habitual e fez 3 a 1. Para uma seleção experiente como a Inglaterra, parecia o gol do controle. Para o México, foi o retrato cruel de uma noite em que cada erro custou caro demais.
Nova injeção de ânimo
Mas o México não desistiu. Nove minutos depois, a partida voltou a pegar fogo. Kane, desta vez na própria área, atingiu Brian Gutiérrez, e o árbitro marcou pênalti após revisão. Raúl Jiménez foi para a bola e diminuiu: 3 a 2. O Azteca explodiu de novo. A partir dali, a Inglaterra deixou de jogar uma partida de futebol e passou a enfrentar uma tempestade de cruzamentos, bolas rebatidas, segundas jogadas e desespero verde.
O México martelou, martelou e martelou. Abusou dos chuveirinhos, colocou a bola na área de todas as formas possíveis e transformou os minutos finais em um exercício de sobrevivência para a Inglaterra. Jordan Pickford precisou trabalhar. A defesa precisou bloquear, afastar, dividir, ganhar duelos no alto e conviver com a sensação permanente de que o empate poderia nascer em qualquer bola espirrada.
Só que o empate não veio. E, quando o apito final soou, a contradição mexicana estava escancarada. O time que passou quatro jogos sem sofrer gol levou três justamente no dia em que mais precisava manter a solidez. A seleção que havia transformado o Azteca em fortaleza caiu dentro da própria casa. A equipe que parecia pronta para derrubar uma fronteira histórica voltou a parar antes das quartas.

Alegria e frustração
Para a Inglaterra, a classificação teve cara de maturidade, não de brilho absoluto. Foi uma vitória de estrelas, sim, porque Bellingham e Kane decidiram. Mas também foi uma vitória de resistência. A equipe de Thomas Tuchel suportou a altitude, o atraso, a torcida, a expulsão e o bombardeio final. Às vezes, em Copa do Mundo, avançar exige menos beleza do que cicatriz.
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O México se despede da Copa com orgulho, frustração e uma pergunta incômoda: como uma campanha tão forte acabou ruindo justamente na noite em que o país inteiro parecia pronto para celebrar? A Inglaterra segue. O Azteca se cala. E a Copa deixa o México com uma cena dolorosa para os donos da casa: o último jogo em solo mexicano terminou com a festa inglesa no gramado mais simbólico do país.





