O goleiro Nyland passou quase uma semana com a imagem de herói nacional. Contra o Brasil, o arqueiro, que está sem clube após encerrar o contrato com o Sevilla, defendeu um pênalti de Bruno Guimarães, irritou os atacantes brasileiros com uma sequência de intervenções e ajudou a Noruega a alcançar, pela primeira vez, às quartas de final de uma Copa. Diante da Inglaterra, porém, a muralha norueguesa entregou o ouro. Uma falha no começo da prorrogação ofereceu a Bellingham a oportunidade de marcar o segundo gol da vitória inglesa por 2 a 1, neste sábado, no Hard Rock Stadium, em Miami.

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A Inglaterra está novamente entre as quatro melhores seleções do planeta. Chegou lá carregada pelo camisa 10, autor dos dois gols da virada, e depois de sobreviver a uma Noruega que mostrou por que havia eliminado o Brasil. Foram 120 minutos de equilíbrio, tensão, intervenções do VAR e uma mudança brusca na trajetória de Nyland: decisivo nas oitavas, virou personagem determinante da eliminação nas quartas.

Inglaterra Bellingham vibra ao marcar o primeiro gol
Decisivo mais uma vez, Bellingham chama a responsabilidade, faz dois gols e comanda a virada rumo à semifinal / England

Gols e polêmica

A Noruega saiu na frente aos 36 minutos, em um lance que começou com Patrick Berg roubando a bola de Harry Kane perto do círculo central. Os ingleses pararam para pedir falta, mas o árbitro mandou o jogo seguir. Andreas Schjelderup avançou pela esquerda, cortou para dentro e acertou uma finalização de rara precisão. A bola fez uma curva, atravessou a área, bateu na trave direita de Jordan Pickford e entrou. Um golaço — ainda que o movimento inicial também pudesse parecer um cruzamento.

A vantagem quase aumentou. Pouco depois, Alexander Sorloth conduziu um contra-ataque em superioridade numérica, mas não conseguiu servir Haaland, que aparecia livre pelo outro lado. A Noruega desperdiçou a oportunidade de assumir o controle definitivo da partida. E, contra uma seleção que tem Bellingham, o desperdício costuma cobrar um preço elevado.

Reclamação com a bola

O empate de Bellingham, aos 47 minutos do primeiro tempo, ainda nasceu cercado de polêmica. No início da jogada, Nyland deu um chutão para o campo de ataque e a bola apresentou uma queda brusca durante o voo. Pelas imagens da transmissão, jogadores e integrantes da comissão técnica norueguesa entenderam que ela havia tocado um dos cabos de aço que sustentavam a câmera aérea sobre o gramado. A Inglaterra recuperou a posse na sequência, construiu o ataque pela esquerda e chegou ao gol do camisa 10.

Caso o contato com a estrutura externa tivesse sido confirmado, o árbitro Clément Turpin deveria interromper a partida e reiniciá-la com bola ao chão no local da interferência.

As reclamações continuaram no intervalo, quando o técnico Stale Solbakken discutiu com a arbitragem. Depois da repercussão, porém, a Fifa informou que o sensor instalado no interior da bola não registrou qualquer pico no chamado ‘batimento da bola’ enquanto ela estava no ar. Segundo a entidade, os dados da tecnologia Connected Ball não apresentaram evidência de toque no cabo nem de alteração provocada por ele na trajetória. Apesar de as imagens televisivas terem alimentado a impressão de um desvio, prevaleceu a leitura tecnológica da Fifa, e o gol foi mantido.

Bellingham é o cara

Não era a primeira vez que o camisa 10 assumia o protagonismo em um jogo eliminatório desta Copa. Nas oitavas de final, contra o México, Bellingham marcou duas vezes em apenas 98 segundos e abriu o caminho para a vitória inglesa por 3 a 2 no Estádio Azteca. Agora, voltou a fazer uma dobradinha e chegou a quatro gols nas duas últimas partidas.

A Noruega voltou mais agressiva para o segundo tempo e chegou a recuperar a vantagem aos dez minutos. Após uma sequência de escanteios, Pickford defendeu uma finalização de Sorloth, e Torbjorn Heggem completou o rebote para as redes. O gol, entretanto, não resistiu à revisão do VAR. As imagens mostraram Haaland empurrando Elliot Anderson antes de a cobrança entrar em jogo. Chamado ao monitor, o francês Clément Turpin anulou o lance e determinou a repetição do escanteio.

O empate permaneceu até a prorrogação. Então, aos três minutos do tempo extra, a história de Nyland mudou. Morgan Rogers arriscou de fora da área. O goleiro tentou segurar, mas deixou a bola escapar dos braços. Atento, Bellingham antecipou-se a Leo Ostigard e, praticamente na pequena área, empurrou para o gol vazio. A muralha que havia parado o Brasil oferecia ao camisa 10 inglês o caminho para a semifinal.

VAR muda roteiro do duelo

O VAR ainda apareceria novamente. Turpin marcou pênalti depois que Djed Spence caiu em uma disputa com Oscar Bobb. Após consultar o monitor, porém, o árbitro voltou atrás: entendeu que o lateral inglês havia colocado deliberadamente a perna na trajetória do adversário para provocar o contato. A tecnologia, portanto, retirou um gol da Noruega e uma penalidade da Inglaterra.

Haaland, tão devastador contra o Brasil, foi controlado. O centroavante teve duas cabeçadas defendidas por Pickford, aos 35 minutos do primeiro tempo e aos oito minutos da etapa final, mas não recebeu espaço para transformar seu poder físico em domínio. Visivelmente desgastado, foi substituído por Strand Larsen antes do início do segundo tempo da prorrogação, justamente quando a Noruega precisava buscar o empate.

Inglaterra Nyland é consolado pelo técnico norueguês
Nyland desaba no choro e se culpa pela eliminação da Noruega: técnico Stale Solbakken consola o goleiro / Reprodução

Inglaterra de volta à semifinal

A classificação leva a Inglaterra à quarta semifinal de sua história. A última havia sido em 2018, quando perdeu por 2 a 1 para a Croácia, também na prorrogação. Antes disso, os ingleses chegaram a essa fase em 1990 e em 1966. A única final — e o único título — ocorreu há 60 anos, em casa, com a vitória por 4 a 2 sobre a Alemanha Ocidental. Agora, a equipe de Thomas Tuchel aguarda Argentina ou Suíça para tentar encerrar essa longa espera.

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Da alegria à dor

Quando o apito final confirmou a eliminação, Nyland desabou no gramado e caiu no choro. Era a imagem mais cruel da noite. Seis dias depois de deixar o campo como herói da classificação sobre o Brasil, o goleiro terminava a Copa apontado como o principal responsável pela derrota norueguesa. Inconsolável, mesmo com o apoio dos companheiros, ele permaneceu no gramado enquanto a Inglaterra comemorava a vaga. A Copa mostrou a Nyland seus dois extremos: primeiro, a consagração diante dos brasileiros; depois, as lágrimas de quem sabia que um único rebote havia interrompido a maior campanha da história da Noruega.

Para a Noruega, fica o fim da melhor campanha de sua história. O país jamais havia alcançado as quartas de final e deixa o Mundial depois de derrubar o Brasil, revelar a força de Schjelderup e confirmar Haaland como uma das grandes figuras da competição.

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