Philippe Coutinho será jogador do Santos até o fim da temporada. Aos 34 anos, o meia fará exames médicos nesta sexta-feira e, se for aprovado, assinará um contrato curto com o clube da Baixada. Ele é mais um jogador que chega pelas mãos de Neymar, o novo “contratador” da Vila. O acerto chama atenção pelo currículo do jogador, mas também por outro motivo: Coutinho foi um pedido expresso de Neymar à diretoria santista, assim como outros atletas, como Arthur. O camisa 10 participou da escolha e voltou a exercer uma influência que ultrapassa o que se espera de um jogador dentro de campo.
Não é a primeira vez que Neymar aparece como personagem importante na montagem do elenco santista. A atual janela de transferências mostra um Santos disposto a investir em jogadores experientes e conhecidos do principal astro do clube. Rodinei, Arthur, Lima, Everton Cebolinha e agora Coutinho fazem parte de uma reformulação que ganhou força depois que o Santos conseguiu derrubar o transfer ban e voltou a ter liberdade para contratar.
Neymar pagou o Transfer ban
Aliás, quem pagou os R$ 12 milhões à Fifa para derrubar a punição foi a empresa do jogador e do seu pai. Coutinho deve receber um salário intermediário no Santos, de R$ 400 mil por mês. Se ele jogar bem e tiver sequência, terá aumento salarial imediatamente. Há dúvidas sobre a condição física do jogador. Mas se jogar, dobra o salário. Ele não joga desde fevereiro, desde que deixou o Vasco.

A questão que fica é uma só: por que Neymar ganhou tanto espaço nas decisões do futebol do Santos? A resposta passa pelo tamanho que ele ocupa dentro de campo, no vestiário e nas finanças do clube. O Santos é refém da família de Neymar porque deve a ele quase R$ 100 milhões. Ainda é o principal ativo de imagem do Santos, um ídolo formado na Vila Belmiro e uma figura com enorme capacidade de atração comercial. E com dinheiro na conta. Sua presença interfere na exposição do clube, na relação com torcedores e na capacidade de convencer outros jogadores a vestir a camisa santista.
Amigos de Neymar, mas bons de bola
Coutinho é um exemplo claro disso. Amigo de Neymar desde as categorias de base da seleção brasileira, o meia chega ao Santos depois de uma carreira internacional de enorme repercussão. Os dois jogaram juntos pela seleção e agora terão a oportunidade de reeditar a parceria no Santos, que tenta escapar da parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro. A contratação atende a um desejo pessoal de Neymar, que queria ter o amigo ao seu lado. Ele fez a mesma coisa com os outros reforços.
Os contratos são pontuais, até dezembro apenas, mesmo mês que termina o acordo de Neymar com o clube. The Football não tem a informação de que o jogador vai renovar o seu vínculo para 2027. Os Estados Unidos nunca deixou de ser uma opção para o atacante. Mais recentemente, até mesmo a aposentadoria, como ele mesmo já admitiu.
‘Ajuda’ a Alexandre Mattos
Mas existe uma diferença entre indicar um jogador e contratar. A decisão, defendem os dirigentes, continua sendo do clube, que paga a conta. Alexandre Mattos, diretor de futebol do Santos, conduziu as negociações com Philippe Coutinho. Ele é quem, dentro da estrutura profissional, responde pelo processo de montagem do elenco. O técnico Cuca também participa, afinal é ele que precisa trabalhar com os jogadores contratados e encontrar espaço para todos na equipe. Nenhuma das contratações de Neymar chega para ser reserva.
O ponto mais delicado dessa história está na conta. Quem paga por essas escolhas? Se o Santos assume salários, luvas, bônus, comissões e demais custos envolvidos nas contratações, a responsabilidade financeira é do clube. Neymar pode sugerir nomes, conversar com amigos e ajudar na convencimento de jogadores, mas isso não significa que esteja colocando dinheiro próprio nas operações. Essa separação precisa ficar clara para que a influência do craque não seja confundida com responsabilidade administrativa. Mesmo que por quatro meses apenas. Isso não está claro na Vila.
E essa discussão ganha ainda mais importância porque o Santos atravessa um período em que precisa equilibrar futebol competitivo e saúde financeira. O clube acabou de sair de um transfer ban, busca recuperação no Campeonato Brasileiro e tem uma situação econômica que exige cuidado. O clube não queria contratar o meia. Contratar medalhões pode aumentar a qualidade do elenco e ajudar a equipe a atingir seus objetivos, mas também eleva a folha salarial e cria novos compromissos financeiros.
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O Santos, portanto, vive uma situação curiosa: Neymar é jogador, ídolo, referência comercial e, cada vez mais, uma voz importante nas escolhas do elenco. Isso pode ser positivo se houver uma estrutura profissional capaz de avaliar cada indicação, definir prioridades e colocar limites. Por ora, o Santos vai pagar todos os reforços desta janela.





