O dérbi ainda não acabou. Como manda a tradição, o clássico entre Corinthians e Palmeiras domina as mesas-redondas dos programas esportivos de TV, os memes das redes sociais, os fóruns de torcedores e as conversas de botequim. Um dos personagens centrais do jogo do domingo, Memphis Depay, reconheceu o peso de um erro pessoal e pediu desculpas à torcida pelo pênalti desperdiçado.
Um lance capital da partida, uma decisão de arbitragem bastante contestada e um desfecho inesperado para o craque holandês. “O resultado da noite passada não reflete o que foi o jogo. Mostramos durante a maior parte da partida que queríamos mais do que eles, mas infelizmente não fomos eficientes o suficiente. O lance do pênalti deixa um gosto amargo porque nunca escorreguei em toda a minha carreira”, escreveu o atacante em mensagem direcionada aos torcedores.

Mesmo sem querer transferir responsabilidades nem se eximir do erro, Memphis admitiu, no entanto, que foi vítima da ação de Andreas Pereira, que cavou um “buraco” na marca do pênalti antes da cobrança, o que pode ter contribuído diretamente para o escorregão. “Todos viram o que aconteceu, mas tudo bem. Assumo a responsabilidade. Estou de cabeça erguida, acredito no meu time. Com a Fiel nos apoiando, em breve conquistaremos mais troféus. Vamos em frente”, completou.
Ética desportiva
E aí se abre espaço para um debate periférico, mas inevitável, sobre a ética desportiva. Para os palmeirenses, Andreas foi esperto. Para os corintianos, foi espertalhão. Gênio pra uns, malandro para outros. Até que ponto é correto um jogador profissional agir dessa maneira para prejudicar um colega de profissão? E se fosse ao contrário?
Num universo que perde muito tempo discutindo a qualidade dos gramados — discussão que muitas vezes serve como muleta para justificar falhas e derrotas pontuais — não se pode normalizar que os próprios atletas esburaquem o campo de jogo. Ou será que isso faz parte do futebol?

O fato é que não há resposta definitiva para esse questionamento. Afinal, a ética do futebol dentro de campo permite muitas interpretações de ações que trafegam entre a malandragem considerada sadia e a falta de ética pura e simples. Tudo depende do ponto de vista de quem leva vantagem.
O VAR não deve avaliar a ética
É como a simulação de pênalti, o gol marcado com a mão, a falta dissimulada. O que para o público parece óbvio e inadmissível, para os jogadores costuma ser aceitável dentro das nuances de um jogo em que a regra nem sempre é clara — ou, pior, nem sempre é aplicada da mesma forma, com critério definido e claro.
Por isso, antes de sair condenando atos e pessoas, talvez seja mais prudente ficar com as desculpas de Memphis por um erro técnico do que tentar crucificar Andreas por uma atitude antidesportiva. O holandês errou, assumiu o erro e não se escondeu atrás da polêmica. Também não convém cair na esparrela de lamentar que o VAR não tenha visto a ação para puni-la. Já vivemos sob o signo de um VAR à brasileira intervencionista, que se intromete demais no curso dos jogos; permitir que ele arbitre a ética seria um passo além.
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Até porque o futebol nunca foi um esporte que se explicou apenas pela lógica ou pelas evidências. Ele é feito de zonas cinzentas, ainda mais potencializadas pela rivalidade histórica de um Corinthians x Palmeiras. Dérbis não foram feitos para serem jogados como jogos quaisquer. Todo Corinthians x Palmeiras é assim, feito para ser ganho. A qualquer custo e com as armas que cada um tem.





