Diz muito sobre o Corinthians o fato de, no domingo, o clube ter conquistado o heptacampeonato brasileiro feminino e, ao mesmo tempo, quebrado mais um recorde de arrecadação na modalidade, superando a marca de R$ 1 milhão na bilheteria. É mais uma prova de que, no futebol das mulheres, o Timão alcançou um patamar de excelência que o distancia de todos os rivais no país — disparado o projeto mais bem estruturado, consistente e vitorioso do cenário nacional.
E chama ainda mais a atenção que, no mesmo clube onde floresce um futebol feminino profissional de tanto brilho, o time masculino viva um ambiente de completa desorganização, sucessivas crises e má gestão. Às vezes, parece até que os dois times não defendem a mesma camisa. O contraste é gritante. E, justamente por isso, seria um grande acerto se o departamento de futebol feminino servisse de exemplo, parâmetro e inspiração para os outros braços esportivos do Corinthians.

Mas o sucesso atual não caiu do céu. Ele é fruto de pelo menos uma década de investimento, luta e trabalho. O caminho não foi fácil: houve um tempo em que as jogadoras não tinham sequer água mineral para beber depois dos treinos, muito menos salários dignos, premiações por objetivos ou contratos profissionais. Virar essa chave exigiu esforço coletivo, visão de longo prazo e coragem para apostar num projeto quando quase ninguém acreditava. Hoje, o clube colhe os frutos.
Uma marca de excelência
O Corinthians feminino é mais do que um time — é uma marca de excelência. A gestão soube aliar organização, comunicação competente, redes sociais fortes e estratégias de marketing sólidas. Isso deu credibilidade e segurança para patrocinadores investirem, confiantes de que o retorno seria garantido. Desde a chegada do primeiro máster, em 2019, com a Estrella Galicia, a equipe construiu uma rede de apoio financeiro que impulsionou seu crescimento. E, ao contrário de outros clubes, o Timão soube ativar sua maior arma: a Fiel. Hoje, jogos decisivos na Neo Química Arena levam mais de 40 mil pessoas às arquibancadas. Cinco dos maiores públicos da história do futebol feminino brasileiro pertencem ao Corinthians.

Assim, o que começou em 2016, em meio a incertezas, transformou-se em hegemonia. Desde 2019, ninguém conseguiu destronar o Corinthians no Brasileirão Feminino. Foram finais, títulos, recordes, grandes contratações e convocações para a seleção brasileira. Enquanto muitos gigantes do futebol nacional não planejavam sequer ter um departamento feminino — só o fizeram quando foram obrigados pela Conmebol —, o Corinthians já escrevia uma história que hoje o coloca como referência absoluta no continente.
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No fundo, o heptacampeonato deste domingo é apenas mais um capítulo de uma trajetória que ainda parece longe do fim. E talvez a maior lição que ela deixe não seja apenas para os rivais que tentam alcançar o time nas quatro linhas, mas para o próprio Corinthians: no mesmo clube em que a organização e o investimento correto geram títulos, bilheteria e engajamento, a má gestão no masculino leva à crise e frustração. Está aí a prova viva de que o Corinthians tem dentro de si todas as respostas de que precisa.





