O São Paulo, aquele cujo hino enaltece as glórias que vêm do passado, parece ter perdido o caminho de volta. A derrota por 2 a 1 para o Grêmio, de virada, neste sábado, na Arena do Grêmio, não foi apenas mais um resultado negativo. Foi a confirmação de uma fase que já deixou de ser passageira para se transformar em crise. O time chegou ao oitavo jogo consecutivo sem vencer no Campeonato Brasileiro e continua mergulhado num inferno astral que parece não ter fim.
O último triunfo aconteceu em 25 de abril, diante do Mirassol. Desde então, a vitória virou uma lembrança cada vez mais distante. E, quando a bola não entra, a pressão inevitavelmente chega ao banco de reservas. Dorival Júnior sabe disso. Há quatro meses, quando completou sete jogos sem vitória pelo Corinthians, o treinador acabou demitido. Agora, quando tenta encontrar estabilidade no São Paulo, vê o mesmo fantasma rondar o Morumbi. O futebol não costuma respeitar passado, currículo ou boas intenções. Quando os resultados desaparecem, o treinador passa a ser o primeiro a ter a cabeça a prêmio.
são paulo luciano lamenta lance durante a partida contra o Grêmio
Em um lance desperdiçado, Luciano se lamenta; São Paulo dá bobeira no fim e leva a virada do Grêmio / São Paulo

São Paulo desmorona

O que potencializa essa condição preocupante é o fato de a nova derrota ter sido diante de um adversário que vive fase bem pior. O Grêmio também entrou em campo respirando por aparelhos. O time gaúcho passou todo o primeiro turno rondando a zona de rebaixamento e carregava uma sequência incômoda: sua última vitória no Brasileirão havia sido em 23 de maio, contra o Santos.
Era, portanto, um duelo de dois times sufocados pela mesma necessidade: encontrar alguma estabilidade antes que a crise se transformasse em algo ainda maior. O primeiro tempo mostrou duas equipes tentando sobreviver. Houve movimentação, cruzamentos, oportunidades e trabalho para os goleiros. Rafael apareceu primeiro. Evitou o gol de Villasanti e, no rebote, ainda fez uma grande defesa na finalização de Carlos Vinícius.
Quando parecia que o intervalo chegaria sem gols, o São Paulo encontrou sua oportunidade. Luciano avançou até a linha de fundo e cruzou rasteiro. Marcos Antônio desviou e Weverton defendeu, mas a bola já havia ultrapassado a linha. Calleri ainda apareceu para completar no rebote e acabar com qualquer dúvida. Na súmula, porém, o gol foi registrado como contra, de Gustavo Martins, que desviou a bola na disputa com Marcos Antônio.

Da alegria à dor

O São Paulo ia para o intervalo em vantagem e parecia ter descoberto o caminho para pôr fim à maldição. Mas a ilusão durou apenas dois minutos. E aqui começa outra história que acompanha todos os jogos do futebol brasileiro: a arbitragem. Jogadores e dirigentes do São Paulo reclamaram muito do lance, pedindo uma revisão do VAR por uma suposta falta na origem da jogada. O gol de Wallace foi mantido porque, na interpretação da arbitragem, o Grêmio recuperou a posse de bola depois da falta e, portanto, houve uma nova fase da jogada.
O problema é que os dois lados saíram reclamando da arbitragem de André Luiz Schettino.
E isso já não é mais uma exceção. É quase uma regra. O futebol brasileiro conseguiu transformar a arbitragem em um problema permanente. Árbitros inseguros, decisões contraditórias, critérios que mudam de um lance para outro e uma relação cada vez mais conflituosa com jogadores, treinadores e dirigentes. O VAR, que deveria servir para reduzir os erros, muitas vezes apenas amplia a discussão.
A tecnologia não resolveu o problema. Em alguns casos, parece ter dado a ele uma dimensão ainda maior. Hoje, quase não existe jogo no futebol brasileiro que termine sem uma discussão sobre a arbitragem. E isso é péssimo para todos. Mas o São Paulo não perdeu por causa do árbitro.

Fiasco corriqueiro

Perdeu porque, mais uma vez, não conseguiu transformar a vantagem em vitória. Na volta do intervalo, o Grêmio precisou de apenas dois minutos para empatar. Wallace apareceu pelo alto e marcou de cabeça. A partida começava novamente, mas o cenário psicológico já era outro. O São Paulo conseguiu sair na frente e, mais uma vez, deixou a vitória escapar. A virada veio aos 40 minutos. Pavón cobrou falta da intermediária, a barreira abriu e a bola encontrou o caminho das redes. Rafael caiu tarde e não conseguiu evitar o segundo gol gremista.
Wallace (à esq.) e Noriega celebram o gol de empate do Grêmio; equipe gaúcha faz valer mando de campo  / Grêmio
O São Paulo ainda teve a chance de escapar da derrota. Aos 44 minutos, Cauly cobrou escanteio pela direita, Arboleda subiu sozinho, acima de todo mundo, e cabeceou firme. Weverton fez uma defesa espetacular e evitou o empate. E ainda haveria tempo para outro milagre. Já nos acréscimos, uma bola explodiu no travessão. No rebote, Bobadilla bateu à queima-roupa. Weverton, no puro reflexo, apareceu para impedir o gol.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
A vitória permitiu ao time gaúcho escapar da zona de rebaixamento e ganhar um pouco de oxigênio numa campanha que também vinha sendo marcada pelo sofrimento. Para o São Paulo, entretanto, o resultado prolongou uma agonia que começa a assumir contornos perigosos. Oito jogos sem vencer não são mais uma sequência ruim. São um sinal de alerta. O São Paulo entrou em campo querendo sair do inferno astral. Saiu de Porto Alegre ainda mais fundo nele.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui