É possível que o Palmeiras perca Abel Ferreira antes do término do seu contrato caso o treinador admita sua “falta de alegria” para comandar o time. Quem disse isso foi quem manda: a presidente Leila Pereira. O treinador tem contrato até dezembro de 2027, renovado sem multa rescisória, mas com metas para ser mais bem remunerado. Leila não vai demitir Abel por vontade própria, tampouco se curvará a qualquer pressão interna ou externa. Essa possibilidade não existe. Menos ainda por manifestos e pedidos da torcida, que vaiou o treinador e o elenco no Allianz Parque após a derrota nesta quarta-feira para o Cerro Porteño, pela Libertadores.
A situação diz mais respeito a Abel do que a Leila. A presidente sabe lidar com gente e já percebeu no seu fiel companheiro de beira de gramado que ele não está bem. O treinador perdeu a mão do time e se afunda no seu próprio trabalho para tentar melhorar o rendimento da equipe. O treinador admitiu nesta quarta-feira que vê as mesmas coisas em campo que o torcedor. Não entrou em detalhes, mas quis dizer sobre a fragilidade do grupo coletivamente e o rendimento abaixo do esperado de alguns jogadores, como Arias, Flaco López, Maurício…

Abel sentiu o golpe na derrota para o Cerro e também nas vaias mais fortes no Allianz Parque semanas depois de ele pedir união a todos nesta temporada. Referia-se aos torcedores comuns e aos torcedores uniformizados. Ele também chegou a comentar sobre “uma união da mídia palmeirense”.
Abel perdeu crédito com a torcida
O treinador percebeu algumas situações nessa reta final da primeira parte da temporada, antes da parada para a Copa do Mundo, que o está incomodando profundamente. E ele não tem respostas para elas a não ser trabalhar. A primeira delas é que não tem mais crédito, mesmo com os 11 títulos conquistados desde a sua chegada ao Brasil. As conquistas valem muito para a história do clube, mas nada para o dia a dia do time.
A segunda é que o elenco não é tão bom quanto ele imaginava, e que alguns jogadores precisam de mais tempo e outros já perderam o prazo para mostrar empenho e resultados. Uma nova reformulação é assinar um atestado que ele não queria reconhecer. Abel também entrou em rota de colisão com o zelo que o Núcleo de Saúde e Performance tem com Paulinho. Ele precisa mais do que nunca do atacante, mas não tem o jogador como gostaria.

Há ainda uma janela se abrindo na Europa, mas Abel já sabe que não vai ser procurado pelo Benfica. Talvez nem queira. Mas seu nome ganhou força no futebol europeu. Abel e sua comissão técnica estão saturados do futebol brasileiro, de seus vícios e sua maneira de ser gerido. A punição de sete jogos dada a ele pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) foi a gota d’água de uma convivência insuportável com a CBF e Comissão de Arbitragem.
Contrato de Abel não tem multa
De modo que Abel não tem nada que o segure no Palmeiras atualmente, nem um contrato assinado com multa rescisória. E como comentou Leila Pereira, a dirigente não quer um treinador “triste” comandando o seu time. Ela sempre disse não enxergar no mercado nenhum treinador melhor do que Abel. E continua não enxergando. Mas vai entender o desejo do seu amigo Abel.
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Apesar das cobranças e do futebol ruim do time, o Palmeiras lidera o Brasileirão, está nas oitavas da Copa do Brasil, só depende dele para avançar na Libertadores e já ganhou o Paulistão deste ano. Ou seja: o futebol é ruim, mas a eficiência existe. Mas é preciso saber se Abel se contenta com isso.





