Filadélfia – Em julho de 1998, acompanhei um angustiante França vs Paraguai, pelas oitavas de final da Copa do Mundo que os franceses organizaram há exatos 28 anos. Naqueles tempos, o valente time guarani tinha Chilavert no gol e Gamarra comandando a zaga, o que o fazia ser adversário duro de ser vencido. Disposto a vender caro a derrota e apostando na disputa por pênaltis, os paraguaios seguraram o ímpeto dos donos da casa, durante vários minutos.

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Aquela partida em Lens entrou para a história pelo seu contexto dramático. O jogo só virou para o lado do time da casa quando o zagueiro Laurent Blanc resolveu se aventurar cada vez mais no ataque. Acabou sendo premiado com um gol libertador quando faltava pouco para a prorrogação acabar, e a atmosfera no estádio Félix-Bollaert era quase irrespirável de tão tensa.

Com o gol diante do Paraguai, Mbappé chegou aos sete anotados nesta edição da Copa do Mundo / França

Um roteiro bastante similar se repetiu neste último dia 4 de julho, desta vez no Estádio Lincoln Financial Field, na Filadélfia, em mais um jogo entre franceses e paraguaios, em um Mundial da Fifa. Sob um sol escaldante, com sensação térmica de 44°C desde o início do jogo, os europeus insistiram, tentando a todo custo criar alternativas para transpor as duas linhas defensivas armadas pelos sul-americanos.

Enquanto isso, estes se contentaram em destruir, provocar com cotoveladas e empurrões, catimbar. A intenção era clara: manter intacta a meta do goleiro Gill a qualquer custo – e arrastar aquela partida para a loteria dos pênaltis.

Muitas vezes duros na marcação, frequentemente desleais e provocadores, o fato é que a estratégia do técnico argentino Gustavo Alfaro para o Paraguai serviu para segurar o ímpeto da equipe com mais qualidade técnica.

Alta tensão

Nos primeiros 45 minutos, o plano de Alfaro deu tão certo que os europeus praticamente nada criaram em oportunidades de gol. “O árbitro não deu um único cartão amarelo para os paraguaios, que nos provocaram o tempo todo e três para a nossa equipe”, disse o zagueiro francês William Saliba após o jogo.

Foi só quando Didier Deschamps, o técnico da França, substituiu o displicente atacante Bradley Barcola por Désiré Doué, seu companheiro de Paris Saint-Germain, que a luz se fez para os europeus. Aos 19 minutos do 2º tempo, quatro após entrar em campo, Doué recebeu a bola e foi avançando área adentro, assim como ocorreu com Blanc em 1998, até sofrer uma entrada dura do zagueiro Diego Gómez.

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Imediatamente, a equipe do VAR chamou o árbitro uzbeque Ilgiz Tantashe. E após ver o lance no monitor de vídeo, ele marcou um pênalti salvador para a França. Ainda mais porque quem o cobrou, para as redes, foi Kyllian Mbappé.

“Nosso time mostrou que não sabe, somente, jogar futebol ofensivo: para vencer, se tivermos que sujar as mãos, vamos sujar”, disse o camisa 10 dos Bleus na saída do campo. “Eles [paraguaios] pensaram que íamos jogar de smoking, apenas nos exibir com dribles e jogadas bonitas: mas nós também sabemos jogar o futebol sujo.”

Com mais este na sua conta, Mbappé anotou seu sétimo gol neste Mundial. E tornou a igualar-se a Lionel Messi no topo da artilharia. Classificados para as quartas de final, ele e a França agora duelarão contra o Marrocos, em Boston. Será uma repetição da semifinal entre as duas seleções no Mundial do Qatar.

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