Nicola Racciopi, folclórico dirigente do Palmeiras nas décadas de 1970 e 1980, costumava repetir a frase, a cada crise: “Futebol é momentos!” Antero Greco, amigo fraterno, mais lembrado do que Racciopi, gostava de se lembrar do triunvirato de diretores palestrinos do final da década de 1970: Arnaldo Tirone, Nicola Racciopi e Januário D’Alessio. Os três tinham sempre três versões para o mesmo fato.

Seja um parceiro comercial do The Football

Jorge Mendonça está bravo com Telê Santana?
Tirone: “Quem te disse isso? É mentira! Só porque o Mendonça foi substituído no último jogo?”
Racciopi: “Olha, ele ficou bravo, porque saiu no último jogo, mas nós estamos resolvendo isso.”
D’Alessio: “Isso é uma coisa que vamos ter de resolver, porque o Telê é muito radical com estas situações.”

José Boto, diretor de futebol do Flamengo, ainda não se explicou no caso do atacante Pedro: diretor corre risco / Flamengo

Como foi o início do período de jejum de 16 anos do Palmeiras sem título, dá para entender que não dava certo. Tanto na relação com a imprensa quanto, e principalmente, dentro do vestiário, só existe um idioma vencedor: a verdade.

Promessa é dívida no futebol

Juvenal Juvêncio ensinava a lógica de convencer jogadores a seguir o mesmo ideal: “Se você prometeu Coca-Cola, não dê guaraná!.”

É o que não tem dado certo no Flamengo, no caso do atacante Pedro. Também no Corinthians, da era Memphis Depay. No fim da presidência de Augusto Melo, conta-se que o holandês se dava muito bem com o presidente e também com seu filho. Questionados sobre em qual língua dirigentes e centroavante conversavam, gente próxima a Melo diziam: “Memphis já fala o português das quebradas.”

Seja lá o que isto signifique, o holandês acreditava no que ouvia. Seu interlocutor principal era o diretor financeiro, Pedro Silveira. A saída da diretoria criou um vácuo de liderança, o que ajuda a explicar por que há acusações de jogadores terem ido para a noite na véspera do clássico com o São Paulo, no MorumBis.

Pedro e Boto

No Flamengo, a situação é parecida. O centroavante Pedro provocou descontentamento em muitos colegas por seu desligamento dos treinos. Comenta-se que muitos dos treinamentos foram boicotados pelo atacante, a ponto de os reservas não quererem realizar atividades em seu mesmo grupo.

Depay não gostou de ter sido trocado no clássico com o São Paulo e não voltou do vestiário após intervalo/ Corinthians

A soma da divulgação de prints com frases do diretor José Boto a respeito do desejo de vender o centroavante e da crença de que ninguém faria uma proposta digna por ele, porque Pedro está desvalorizado, pegou mal para a direção.

Sem pedir desculpas ao elenco nem ao atacante, José Boto ficou na berlinda. Suas missões mais recentes são vender Wesley para a Roma e fechar a compra do colombiano Carrascal. Depois disso, seu cargo estará ameaçado. O presidente Bap deixa claro que não pretende trocar o comando do futebol. Pode não depender apenas da caneta presidencial. O vestiário tem sua ética. Nela, Boto está sem moral.

Memphis sem comando

No Corinthians, a situação beira à lei de Vampeta, aquela em que o clube finge que paga e o jogador finge que joga. Lembra também o fim do período de Carlitos Tévez, extremamente comprometido no primeiro ano, quando foi campeão brasileiro, desligado e com faltas a treinos quando se aproximou o momento da ruptura, em 2006.

Memphis vai no mesmo caminho. Jogador de futebol é um artista, muitas vezes com formação de operário. Ele vai trabalhar bem se confiar nas promessas dos dirigentes. Caso contrário, o vestiário muda o destino de um time.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui