Por Paulo Vinícius Coelho, o PVC
Há três tipos de comentaristas no jornalismo esportivo praticado atualmente no Brasil. Talvez haja outros, mas hoje a necessidade de ganhar dinheiro com engajamento em redes sociais escancarou as diferenças entre o polemista, o torcedor e o analista.
Percebeu-se isto claramente no apito final de Vasco 1 x 2 Corinthians, domingo, no Maracanã, na decisão da Copa do Brasil, principalmente entre os que compararam o ano corintiano com o palmeirense, quando o jogo era contra os vascaínos, sem respeitar o momento dos campeões. Polêmica pela polêmica.

Na outra ponta, as conjunções adversativas repetidas à exaustão, como se fosse um pedido de desculpas pelas críticas à má administração das contas do campeão da Copa do Brasil.
Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Um clube mal gerido nos últimos dez anos pode ganhar títulos tanto quanto uma empresa em concordata é capaz de entregar bons produtos, claro, enquanto tiver suas portas abertas.
O que disse o presidente
O Corinthians foi um time competitivo sempre que escalou seus onze titulares. Na segunda-feira seguinte à conquista no Maracanã, o presidente Osmar Stábile já determinou: “Vamos recuperar o Corinthians financeiramente doa a quem doer.” Há várias possibilidades de conseguir isto, mas os principais assessores econômicos do Parque São Jorge só projetam duas delas: a recuperação judicial ou transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Uma coisa está diretamente ligada à outra. A legislação das SAFs facilitou o acesso aos processos de recuperação judicial ou extrajudicial. A primeira vez em que se falou sobre o tema, no início da gestão Augusto Melo, destituído em agosto da presidência corintiana, tratou-se como tabu. “Não serei o presidente que pediu a falência do Corinthians”, respondeu Melo, de acordo com depoimento de um diretor financeiro da época.
SAF ou Recuperação Judicial
Na tréplica, o dirigente que entendia de finanças mais do que o presidente informou que a lógica era exatamente inversa. Não seria o presidente da falência, mas o da salvação. A recuperação judicial pode trazer de volta a saúde financeira do clube, tão maltratada nos últimos anos. Osmar Stábile não decidiu pela Recuperação Judicial. Estuda e aguarda definições de sua equipe econômica. Pode haver novidades sobre o assunto nas primeiras semanas de janeiro, em 2026.
O que está claro, no Parque São Jorge, é que a polêmica vazia não salvará o Corinthians. Ser campeão da Copa do Brasil não é um problema nem uma solução. É apenas um fato. O Corinthians ganhou dois troféus em 2025 (Paulistão foi o primeiro). Agora, precisa seguir os passos necessários para voltar a ser saudável do ponto de vista econômico.





