Leonardo de Sá
A gestão Julio Casares enfrenta mais um capítulo da crise no São Paulo. A Polícia Civil abriu uma investigação para apurar um possível desvio de dinheiro na venda de jogadores do clube, em um caso que corre em segredo de Justiça e envolve dirigentes e empresários de atletas. A abertura do inquérito aprofunda o cenário de instabilidade política no Morumbi e aumenta a pressão sobre a atual administração. Nada está provado ainda contra o presidente tricolor ou seus pares na diretoria.
A investigação está sob responsabilidade do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) e foi instaurada há alguns meses. O foco inicial da apuração está nas negociações envolvendo jogadores formados nas categorias de base de Cotia, vendidos por valores considerados abaixo do esperado. Em 2025, o São Paulo arrecadou cerca de R$ 230 milhões com a venda de atletas, montante que passou a ser analisado pelas autoridades. O caso é conduzido pelo delegado Tiago Correia.

As suspeitas recaem principalmente sobre transações envolvendo jovens atletas revelados pelo clube, consideradas estratégicas para o equilíbrio financeiro do São Paulo. A linha de investigação busca esclarecer se houve subavaliação proposital de jogadores, desvio de recursos ou benefícios indevidos a intermediários nas negociações. O sigilo judicial foi determinado para preservar a coleta de provas e permitir o rastreamento de movimentações financeiras.
Necessidade de vender
Em meses anteriores, o então diretor de futebol Carlos Belmonte explicou as vendas e os valores pela necessidade e urgência do clube. O São Paulo poderia ter vendido por valores mais altos, mas não podia esperar. Tinha dívidas vencidas para pagar.
Em nota oficial, o São Paulo afirmou não ter conhecimento formal de qualquer investigação em andamento, mas declarou que está à disposição para prestar esclarecimentos às autoridades, caso seja formalmente citado. Apesar disso, o avanço do inquérito intensifica o desgaste político da gestão Casares, especialmente em seu último ano de mandato, e alimenta questionamentos de conselheiros e grupos de oposição.

Além da investigação sobre a venda de jogadores, a gestão Casares também enfrenta apuração relacionada à exploração irregular de camarotes no Morumbis. O caso teve início após recomendação do Ministério Público, que solicitou à Polícia Civil a investigação de um possível esquema de uso clandestino de um camarote em dias de shows, fora da agenda esportiva do clube. Assim, as autoridades apuram se houve obtenção de vantagem financeira indevida ligada à estrutura do estádio.
Venda ilegal de ingressos
A situação ganhou maior repercussão após a divulgação de gravações feitas no início da última semana, nas quais diretores do São Paulo aparecem admitindo participação em um esquema envolvendo o camarote 3A, durante show da cantora Shakira, realizado em fevereiro. O material foi encaminhado ao Ministério Público e passou a integrar o conjunto de provas que sustentam o avanço das investigações, aumentando a pressão interna por esclarecimentos.

As gravações citam diretamente Mara Casares e Douglas Schwartzmann, então integrantes da diretoria do clube. Mara é ex-mulher de Casares. Após a repercussão do episódio, ambos pediram licença de seus cargos, em uma tentativa de reduzir o impacto institucional enquanto o inquérito segue em andamento. A decisão, no entanto, ampliou o debate interno sobre governança, controle e uso das dependências do estádio.
Mara Casares
Mara Casares também solicitou licença do Conselho Deliberativo, o que deu ao caso uma dimensão ainda maior dentro da política do clube. Conselheiros passaram a cobrar mais transparência na gestão dos espaços do estádio e o episódio deixou de ser tratado como um fato isolado nos bastidores.
SIGA O THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Threads
Tik Tok
Com o avanço simultâneo das investigações, o São Paulo entra em 2026 sob monitoramento institucional constante. Para setores da oposição, os casos revelam fragilidades administrativas de Casares. Já os aliados do presidente defendem cautela e aguardam o andamento formal dos inquéritos, que correm em segredo de Justiça.
Enquanto o clube aguarda eventual notificação oficial das autoridades, o episódio dos camarotes se soma à apuração sobre vendas de jogadores da base e a outros desafios enfrentados pela diretoria em seu último ano de mandato. O desfecho dos casos pode ter impacto direto na estabilidade política e administrativa do São Paulo. Há uma lista sendo assinada para tirar Casares do cargo.





