Por Paulo Vinícius Coelho
O melhor diagnóstico da crise da seleção brasileira foi oferecido por Carlo Ancelotti, antes de completar três meses de moradia aqui no Brasil e antes de seu segundo jogo em território nacional. “Nunca vai haver um problema de geração.” Na conversa com este colunista, ele afirmou categoricamente: “Tenho aqui 70 jogadores sendo observados.” Prossigo: “Se você estivesse na seleção espanhola, não teria este número?” Ele responde: “Não, com certeza não!”
A cada crise da seleção, há sempre uma certeza: não formamos jogadores como no passado. Ancelotti tem certeza de que não é assim, com a convicção de quem dirigiu 43 brasileiros em dez clubes diferentes numa carreira de 30 anos como treinador.

Quando o Brasil perdeu para a Bolívia seu primeiro jogo de Eliminatórias, em 1993, a certeza de radialistas e comentaristas, ex-jogadores, também era de que não havia mais craques. Quando caiu contra Honduras na Copa América de 2001, o exame a longa distância indicava a mesma causa. Se um médico diagnosticar errado poderá matar o paciente. Seja ao dar remédios para uma gripe, quando se deve tratar uma tuberculose, seja o contrário.
Ancelotti já ‘fez’ brasileiros The Best
Ancelotti via o Brasil à distância e foi construindo, ao seu modo, jogadores premiados pela Fifa como melhor do mundo, gente que pouca gente acreditava aqui dentro do país do futebol. Kaká, eleito em 2007, é um deles. E todo mundo sabia que ele não tinha o mesmo refinamento de Ronaldinho Gaúcho – ou até de Neymar. Ou Vinicius Júnior, a quem se dizia não saber chutar ao sair do Flamengo.
É mais justa a pergunta se os grandes valores da geração atual são tão bons como eram Ronaldo, Rivaldo, Romário, Bebeto, Pelé, Garrincha, Jairzinho, Zico e Tostão.
A geração Brasil
Também é necessária, neste caso, a questão sobre os gênios de outros países, depois de Cristiano Ronaldo e Messi chegarem ao seu ocaso. Não há ninguém incontestável para ser eleito como o maior talento do planeta. Nem Haaland nem Vinícius Júnior nem Rodri. Há Cole Palmer, na Inglaterra, Lamine Yamal e Mastantuono, na Espanha, e Nico Paz, na Itália. Tem ainda Estêvão e Rodrygo, formados no Brasil.
“Há jogadores para formarmos uma equipe competitiva para a Copa do Mundo”, garante Ancelotti. Também há bons técnicos brasileiros, mas o diagnóstico impreciso da falta de qualidade dos nossos treinadores permitiu trazer um dos maiores treinadores da história do futebol. Nada contra. Tem tudo para ser bom.
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Mas é impressionante que o melhor diagnóstico sobre a qualidade ou falta de talento dos novos jogadores nascidos no Brasil venha de um treinador italiano, que trabalhava na Espanha e tem residência no Canadá. Muitas vezes, é bom enxergar o problema à distância.





