Faz mais de três décadas que colegas comentaristas repetem uma tese que virou clichê: ninguém liga mais para a seleção brasileira. Há décadas, também, este colunista cuja vida é andar por este país discute essa ideia. Ninguém é muita gente num país de 210 milhões de habitantes.
Há uma velha canção de Milton Nascimento, chamada “Notícias do Brasil” e gravada no disco “Caçador de Mim”, de 1981, que afirma: “A novidade é que o Brasil não é só litoral, é muito mais do que qualquer zona sul, tem gente boa espalhada por este Brasil, que vai fazer deste lugar um bom país.”

É impossível dizer até que ponto a presença de Neymar na seleção é responsável pelo que se vê, da convocação à despedida da equipe no Galeão. O fato é que havia muita gente apoiando, tentando tocar nos jogadores, fazer um carinho. Enquanto há também quem diga que vai torcer contra o Brasil porque Neymar é mais popstar do que craque, atualmente. Não deixa de ser verdade, mas o sentimento se apossou.
Maracanã com 72 mil pessoas
A novidade não está nas zonas sul de Rio e de São Paulo e a noção de que ninguém liga para a seleção parece ser mais de quem não tira os olhos da conexão Leblon-Faria Lima: Zona Sul de São Paulo e Rio. A novidade é que se andar por Salvador, Belém, Santa Catarina, Rio Grande do Sul… todos querem saber da seleção. A novidade é que o aeroporto de Congonhas, ou a praia de Botafogo, no domingo de Brasil x Panamá, tinha gente querendo ver a seleção e vindo de todos os cantos do país, de norte a sul.
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Ah, mas antes o Brasil pensava mais na seleção e agora só quer saber dos clubes… Meia verdade. Em 1958, a torcida do Corinthians vaiou o Brasil porque queria Luizinho, o Pequeno Polegar, no time nacional. A seleção ganhou de 5 a 0, foi aplaudida pelo Pacaembu lotado, mas não pelos corintianos naquela tarde. Todo mundo gosta mais de seu clube do que da seleção. Mas, neste momento, tem prós e contras Neymar, tem gente a favor de Rayan, de Endrick, de Vinícius Júnior. O que não existe é indiferença com a seleção brasileira em uma Copa do Mundo.





