O Palmeiras assumiu a total responsabilidade pela condição clínica do atacante Paulinho tão logo ele chegou ao clube paulista vindo do Atlético Mineiro. O jogador custou R$ 115 milhões. Ele já reclamava das dores na tíbia direita, mas nunca a ponto de deixar de jogar. Os médicos do Palmeiras tinham todas as informações sobre o estado de saúde do atleta, e a documentação da sua primeira cirurgia na perna. Os colegas do clube de Minas Gerais foram corretos com os profissionais do Departamento de Saúde e Performance do Palmeiras.
Mesmo assim, todos os exames tradicionais de uma contratação foram feitos. Mas com o tempo, Paulinho foi reclamando de mais dores para jogar. Aquele simples incômodo passou a ser um problema maior, a ponto de obrigar o técnico Abel Ferreira a deixar de usar o atacante em algumas partidas e depois reduzir a sua participação a 30 minutos apenas. O treinador português contava demais com Paulinho. Foi durante o Mundial de Clubes da Fifa, nos Estados Unidos, no ano passado, que Abel estourou e disse aos jornalistas que cobriram o Palmeiras que ele não poderia usar o jogador por mais de meia hora. A cara de Abel era de poucos amigos. Ele contava demais com Paulinho para ir mais longe naquele torneio.

Os médicos nunca descartaram a possibilidade de Paulinho ter avaliado de forma equivocada aquela dorzinha na tíbia que o incomodava. Já era assim antes da primeira cirurgia e continua depois dela. Quando trocou de clube, Paulinho sentia a dor, mas o entusiasmo pela nova camisa e objetivos em São Paulo o fez seguir sem reclamar. Na sua cabeça, a dor passaria. Mas nunca passou. Ele poderia ter feito a segunda intervenção médica logo que chegou. Se isso acontecesse, Paulinho poderia ter disputado o Mundial de Clubes e talvez não tivesse agravado o problema.
O incômodo ainda está lá
No Palmeiras, a sua condição é um verdadeiro mistério. Ele avança gradativamente na recuperação física, já com trabalhos de campo com o elenco. Os profissionais do clube evitam dar qualquer prognóstico sobre a sua volta. Estima-se que ele continue treinando neste mês para voltar no começo de maio. Mas há um problema: Paulinho ainda sente dores. Não fosse por isso, ele aceleraria o trabalho de recuperação de modo a pular etapas físicas e ganhar um melhor ritmo dentro de campo. Mas desde o Mundial dos EUA, ele nunca mais jogou.
O Palmeiras assumiu o problema desde que os médicos do clube chegaram à conclusão, juntamente com Abel e com o próprio atacante, da necessidade de uma nova operação, feita no meio do ano passado. Ao programa Bola da Vez, o diretor Anderson Barros foi categórico sobre o atacante e sua condição de chegada.

“Ele chegou em dezembro. Sabíamos que havia um certo risco porque ele havia sido operado. Fizemos todos os exames e a responsabilidade passou a ser nossa. Quando começamos a perceber, em fevereiro, março, que haveria uma dificuldade, fizemos um planejamento. Ele deu uma resposta no Mundial e definimos lá que teria uma cirurgia de correção. O Atlético-MG esperava um volume maior (de dinheiro), pagamos uma certa quantia e demos outros dois atletas. É uma responsabilidade 100% nossa“, disse Anderson Barros na ESPN Brasil. “O Palmeiras sabia dos riscos”.
O jeito de jogar pode mudar
O jogador está mais fortinho por causa da fisioterapia. Atleta que passa muito tempo no DM ganha massa muscular. De modo que Abel terá de reavaliar a posição de Paulinho, se mais dentro da área ou pelos lados, o que pode ser complicado, ou ainda armando o time nas frente dos atacantes, com menos mobilidade e mais bola nos pés.
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A presidente Leila Pereira teve de aceitar as brincadeiras nas redes sociais sobre o atacante porque ela rejeitou a contratação de Neymar dizendo que o clube não era “uma enfermaria”. Há, no entanto, total confiança no Palmeiras de que Paulinho vai fazer valer cada real pago pelo seu contrato, com gols e novas conquistas. O torcedor ainda mantém boa dose de desconfiança na recuperação do atacante, principalmente pela demora do retorno. Paulinho tem 25 anos e o seu contrato com o Palmeiras vai até dezembro de 2029.





