Os técnicos brasileiros estão sendo mais bem pagos no país. Os clubes, em alguns casos, preferem abrir os cofres para os treinadores em detrimento de elencos mais recheados e com jogadores caros. Os “professores” e os “misters” estão em alta. São eles que montam toda a estruturação tática do time, fazem a gestão de time e encaminham a filosofia do jogo. Muitos até escolhem quais competições serão priorizadas. O time não começa mais com um bom goleiro, mas com um bom treinador.

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Mas eles estão também sempre contra a parede. O técnico, por mais vencedor que seja, depende dos resultados do campo. É, sim, uma profissão cheia de instabilidade e enormes responsabilidades. Conhecido por seus trabalhos na Portuguesa e no futebol português, o técnico Otto Glória (1917-1986) costumava dizer: “Quando o time ganha, o técnico é bestial; quando perde é uma besta”. A frase se refere a como a análise sobre esse profissional pode mudar bruscamente com base em um único resultado. Neste exato momento, há treinadores pressionados no Brasil, como Rogério Ceni, Luis Zubeldía, Eduardo Barba Domínguez…

‘Bestial ou uma besta’

Se vencer, o técnico se torna um “bestial”, uma espécie de gênio absoluto, um verdadeiro “fora de série” acima do bem e do mal. Mas quando a equipe passa por uma má fase, o mesmo pode ser tratado como um ignorante ou um supremo incompetente. Mas os salários dos técnicos foram se valorizando e as cifras cresceram. Muita coisa mudou com o investimento estrangeiro e as SAFs no futebol brasileiro. Há clubes também que pagam o que não podem. The Football fez um TOP 5 dos técnicos mais bem pagos do Brasil.

Multicampeão, Abel Ferreira, do Palmeiras, é o treinador com o maior salário do Brasil: R$ 3 milhões / Palmeiras

Os clubes aumentaram o seu poder de fogo. As folhas salariais dispararam. O treinador é remunerado como um camisa 10. Há metas a serem buscadas e premiações, assim como as multas rescisórias altíssimas. Geralmente, o treinador chega ao clube como o salvador da pátria.

Valores inflacionados

Carlo Ancelotti tem um salário alto para os padrões nacionais. O comandante da seleção brasileira recebe R$ 5 milhões mensais da CBF. O italiano está para acertar a sua prorrogação de contrato até o Mundial de 2030 com os mesmos honorários. O Brasileirão é a liga do futebol mais valiosa da América Latina. O valor do Campeonato Nacional é estimado em aproximadamente 1,8 bilhão de euros (R$ 10,8 bilhões), o que representa o dobro da segunda liga mais valiosa do continente, o Argentino. Os salários dos treinadores da Série A giram em torno de R$ 200 mil a R$ 3 milhões. The Football listou os cinco treinadores com maiores salários do futebol do país. São quatro portugueses e apenas um brasileiro.

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Renato Gaúcho afastou o Vasco da zona do rebaixamento e vive um bom momento em São Januário / Vasco

5º – Renato Gaúcho – Vasco
Salário de R$ 1,7 milhão

Ele tem fama de não ser um grande estrategista. Ganha os atletas com um papo direto, priorizando a confiança e a autoridade pela experiência. Com uma carreira vitoriosa como jogador, Renato Gaúcho consegue ganhar o grupo no diálogo. Ele sabe das eventuais limitações do elenco do Vasco. Mas conseguiu superar o poderoso Palmeiras, de Abel, na sua estreia: 2 a 1. “Não vamos nos iludir e achar que está tudo bem. Não está. Mas o mais importante foi a entrega do grupo”, disse após o jogo. O treinador assumiu o Vasco na lanterna. Com um aproveitamento de 56,6%, o time conseguiu resultados expressivos.

Com baixo rendimento no Brasileirão e na Sul-Americana, Luís Castro está sendo questionado no Grêmio / Grêmio

4º – Luís Castro – Grêmio
Salário de R$ 2 milhões

O começo da sua carreira não teve nada de glamour. Foi em equipes pequenas de divisões de acesso e ligas regionais do interior de Portugal. Ele mesmo não foi um atleta de prestígio. Um lateral-direito sem brilho que não passou do segundo escalão. Seu primeiro título como treinador foi na quarta divisão de Portugal pelo obscuro Estarreja. Entretanto, seu momento é de desafios. Aos 64 anos, o esforçado Luís Castro vive um momento de pressão no Grêmio. Conta com respaldo da diretoria, mas é questionado pela torcida. A irregularidade e a falta de bons resultados fora de casa são fatores decisivos para o descrédito com os torcedores.

Após se demitir do Cruzeiro, Leonardo Jardim ficou três meses longe do futebol até assinar com o Fla / Flamengo

3º – Leonardo Jardim – Flamengo
Salário de R$ 2 milhões

O Flamengo, de Leonardo Jardim, é um time completo. O técnico tem 82% de aproveitamento em 13 jogos. Mas há trabalho a ser feito. O português conseguiu transformar o atacante Pedro em protagonista e potencializou nomes como Plata e Samuel Lino. Jardim prioriza um jogo de pressão com verticalidade. Uma outra característica do seu trabalho é a rodagem do elenco. Em 2025, ele fez um bom trabalho no Cruzeiro, levando o time mineiro à terceira colocação do Brasileirão. Apenas três meses depois de deixar o time clube de Minas, acertou com o Fla para substituir Filipe Luís. Ganhou o Estadual do Rio.

Com contrato renovado até 2030, Artur Jorge tem respaldo da diretoria para montar o Cruzeiro do seu jeito / Cruzeiro

2º – Artur Jorge – Cruzeiro
Salário de R$ 2,2 milhões

Ele não tinha muita técnica e foi um zagueiro brucutu. Com 1,83m de altura, não dava moleza para os atacantes adversários e chegou a marcar rivais brasileiros como Jardel e Aloísio. Artur Jorge fez uma longa carreira como defensor no Braga, onde atuou durante doze temporadas. Ao pendurar as chuteiras, tornou-se treinador e priorizou um time agressivo e com intensa posse de bola. Em abril de 2024, foi contratado pelo Botafogo. Foi um ano mágico para o time com a conquista do Brasileirão e da Libertadores. O português mudou de patamar. Foi para o Catar e agora está no Cruzeiro. Ele tem a confiança de todos no clube. E também do torcedor.

Sem fórmula mágica: Abel Ferreira prioriza método, repetição e preparação no comando do Palmeiras / Palmeiras

1º – Abel Ferreira – Palmeiras
Salário de R$ 3 milhões

Controverso, um tanto insolente e bastante polêmico. Ao mesmo tempo, disciplinador, leal aos seus comandados e um vencedor. Vencedor no Brasil. Porque antes ele não tinha títulos. Abel Ferreira coleciona recordes à frente do Palmeiras. São onze títulos em cinco anos, com destaque para duas Libertadores, dois Brasileiros e quatro Estaduais. Mas coleciona divergências com os árbitros, tendo sido um recordista de expulsões: 14 vezes. Dos seus jogadores, Abel exige disciplina tática e intensidade física. Sob seu comando, a base do Palmeiras revelou nomes como Endrick, Estêvão, Luís Guilherme e Vitor Reis. Tem boa parceria com a presidente Leila Pereira.

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