Sem Neymar, e com grande atuação do trio Miguelito-Gabigol-Gabriel Bontempo, o Santos finalmente jogou bola e saiu de campo aplaudido pelos torcedores na Vila Belmiro. A vitória por 3 a 0 sobre o fraquíssimo Deportivo Cuenca pode até significar pouca coisa em termos esportivos mais amplos, mas tem poder suficiente para resgatar a autoestima de um time que vinha acumulando fracassos, atuações constrangedoras e já não inspirava nenhum tipo de confiança no santista. Além de tudo a ainda garante um prêmio de 500 mil dólares pagos pela Conmebol.
Dentro do cenário dramático em que o Peixe se meteu na Copa Sul-Americana, a noite acabou ganhando contornos quase improváveis. O Santos entrou na rodada como lanterna do Grupo D, com apenas uma vitória em cinco jogos, pressionado também pela campanha ruim no Brasileirão e cercado por dúvidas sobre qual competição deveria priorizar antes da pausa para a Copa do Mundo. Havia até quem defendesse que Cuca poupasse os titulares diante do Deportivo Cuenca para focar exclusivamente na luta contra o rebaixamento nacional.

O treinador, porém, resolveu assumir o risco. Mesmo reconhecendo publicamente que o elenco não tem profundidade suficiente para competir em alto nível em três frentes simultâneas, mandou a campo o que tinha de melhor — e acabou premiado. O Santos não apenas venceu, como conseguiu renascer das cinzas dentro da própria competição, garantindo o segundo lugar da chave e uma vaga no playoff da Sul-Americana contra um dos terceiros colocados vindos da Libertadores.
Estabilidade em jogo
Para muitos clubes, esse playoff funciona apenas como um prêmio de consolação. Para o Santos, virou um alento. Uma espécie de lembrete de que ainda existe vida esportiva em uma temporada que caminhava perigosamente para o colapso antes mesmo da metade do ano.
E o mais importante talvez nem tenha sido o resultado em si, mas a maneira como ele aconteceu. Pela primeira vez em muito tempo, o Santos pareceu leve. Pareceu um time confortável em campo. O adversário evidentemente colaborou bastante. O Deportivo Cuenca mostrou enorme fragilidade técnica e praticamente entregou o controle do jogo ao Peixe desde os primeiros minutos. Ainda assim, era justamente esse tipo de partida que o Santos vinha transformando em sofrimento ao longo da temporada.
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Desta vez não.
O time dominou completamente as ações e abriu o placar cedo, com Gabigol, depois de boa trama envolvendo Gabriel Bontempo e Igor Vinicius. Antes do intervalo, o Peixe ainda reclamou de um possível pênalti por toque de mão de Piedra na área, ignorado pela arbitragem mesmo após revisão do VAR. O Cuenca praticamente não oferecia resistência.
Pra cima, Santos
Mas a verdadeira avalanche veio no segundo tempo, quando o desgaste do time equatoriano ampliou ainda mais os espaços para os Meninos da Vila acelerarem. Aos 3 minutos, Miguelito aproveitou saída errada do Cuenca, recebeu assistência após jogada de Gabigol e Barreal e bateu firme para ampliar. Era a senha para a melhor atuação santista em muito tempo.
A partir dali, Gabriel Bontempo assumiu o protagonismo da noite. O garoto coroou sua atuação com um golaço que pareceu carregar um pouco da própria tradição da Vila Belmiro. Aos 10 minutos, Barreal roubou a bola ainda no campo defensivo, Gabigol participou da tabela, e Bontempo apareceu na área para tocar por cobertura, com extrema categoria, encobrindo o goleiro. Um lance plástico, bonito e simbólico. Um gol com cara de Santos. No último minuto do jogo
O Cuenca teve um pênalti para diminuir o prejuízo, mas a noite era do Santos – e de Gabriel Brazão, que defendeu a batida no canto direito.
No fim, o 3 a 0 ficou até barato diante do volume criado pelo Peixe. Mas bastava. Bastava para devolver ao torcedor uma noite minimamente feliz. Bastava para permitir que o time deixasse o gramado ouvindo aplausos em vez de vaias. Bastava para fazer o Santos entrar na pausa da temporada respirando um pouco menos sufocado.





