A arbitragem volta a ganhar holofotes em momentos decisivos do futebol brasileiro. Muitas vezes servindo como muleta para justificar as próprias incompetências de técnicos e jogadores, erros de arbitragem e interpretações enviesadas de lances tomam a frente do desempenho, da qualidade e da capacidade técnica das equipes. Em outros casos, expedientes são utilizados de maneira preventiva, como ferramenta de pressão em cima dos apitadores para jogos seguintes. É extamente isso o que aconteceu nesta semana antes do clássico do Morumbis.

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Personagens de São Paulo e Palmeiras deram uma aula prática de como isso funciona às vésperas do Choque-Rei deste sábado, que terá bola rolando a partir das 21h. O duelo, válido pela 8ª rodada, tem peso grande: a liderança do Campeonato Brasileiro. O Palmeiras chega como líder, com 16 pontos, mesma pontuação do Tricolor, mas com desvantagem no saldo de gols: 8 a 6.

Lance entre Allan e Tapia no Brasileirão de 2025 rendeu discussão e foi lembrado nesta semana / Reprodução

Assim, o resultado vai definir quem segue para a parada da data-Fifa na liderança da competição – os jogos do Nacional retornam em abril. Há muita tensão prévia em cima da arbitragem. Para variar. Anderson Daronco comanda a partida, auxiliado por Bruno Raphael Pires e Maira Mastella Moreira, com apoio de Rodrigo Alonso Ferreira no VAR. Todos estarão de olho nesse quarteto.

Toma lá, dá cá

Já tem um tempinho que o técnico Abel Ferreira tem reclamado do que considera uma “má vontade” dos árbitros com o Palmeiras. Isso vem desde o Choque-Rei da 27ª rodada do Brasileirão de 2025 – na ocasião, o seu time venceu de virada por 3 a 2, com lances polêmicos envolvendo o árbitro Ramon Abatti Abel. Após o jogo do Palmeiras na última quarta-feira (vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo no Allianz), com a proximidade do reencontro com o São Paulo, o comandante palmeirense elevou o tom retomou a conversa de um complô contra o seu clube.

Se eu soubesse que a consequência desse jogo teria a consequência que teve, quando outras equipes se uniram contra o Palmeiras, eu preferia ter perdido o jogo.
Abel ferreira

O executivo de futebol do São Paulo, Rui Costa concedeu uma entrevista à ESPN para rebater as declarações do treinador, trazendo para o centro da discussão o último encontro entre os times, pela semifinal do Paulistão deste ano. “São Paulo e Palmeiras é um confronto que é sempre muito importante. Estar líder agora é importante, mas o que interessa é estar líder na 38ª rodada. O nosso adversário ganhou o último jogo por erros crassos de arbitragem“, disparou.

Nós, infelizmente, temos tido nesses confrontos com o Palmeiras, em competições distintas, erros que não raros favorecem ao adversário.
Rui costa

Teve tréplica? Mas é claro que teve. As declarações do cartola tricolor motivaram o executivo de futebol alviverde Anderson Barros a falar com a TV Palmeiras sobre o assunto. O coro foi grosso. O dirigente, que não é muito afeito a entrevistas, foi ao microfone para dar uma resposta forte. “O futebol não permite mais esse tipo de postura. O Rui Costa precisa entender que o futebol está muito além desse tipo de prática que era feita no passado. O São Paulo demonstra a sua forma de agir, que vem de tantos e tantos anos. Extremamente oportunista, extremamente irresponsável quando você traz para um clássico uma responsabilidade muito grande para uma única pessoa (no caso, o árbitro Daronco).”

Bate e assopra

Os presidentes dos clubes participaram do jogo de declarações, mas com um tom mais ameno em relação à arbitragem. Enquanto seus executivos de futebol foram para o embate, a dupla foi mais tranquilia, de “parceria” com os profissionais do apito, por assim dizer. Tons diferentes, mas discursos igualmente estratégicos. Que ninguém se engane. A brasa está sempre na sua própria sardinha.

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Harry Massis Júnior, presidente do São Paulo, desconversou sobre polêmicas e optou por fazer elogios a Anderson Daronco. “Acho que o Daronco é um excelente árbitro, tem tudo para levar o clássico tranquilamente. Temos toda a confiança nele, não se tem dúvidas disso. Nos bastidores, deixe-os discutirem, nós não temos problemas. Eu e a Leila nos damos muito bem. Os executivos têm de fazer isso, brigar pelo clube que trabalham, mas estamos tranquilos”, comentou o mandatário.

Leila tratou de tirar o peso da arbitragem e aproveitou para dar uma cutucada no adversário. “O São Paulo tem de lembrar que nós vencemos os últimos cinco jogos, estamos invictos há 11 contra eles. Será que é sempre a arbitragem? O futebol não aceita mais esse tipo de argumento de cartola querendo colocar pressão antes de um clássico. Sempre é o gramado ou é a arbitragem. Eu não vou ficar turbinando um assunto totalmente irrelevante. Vocês nunca vão ver a presidente do Palmeiras se descabelando, dando esse ataque histérico. Se ocorrer algum erro que entendermos ser grave, iremos à CBF, à Conmebol e vamos seguir adiante”, disse à TV Globo.

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