A segunda convocação de Carlo Ancelotti para a seleção brasileira confirma a estratégia que o técnico italiano desenhou desde o primeiro dia em que assumiu o comando: usar cada data Fifa como laboratório. Sem a pressão por resultados, já que o Brasil carimbou o passaporte para a Copa do Mundo, Ancelotti aproveita esse tempo raro para testar nomes, avaliar comportamentos, observar características pessoais além da bola nos pés. Ele deixou claro que trabalha com um universo de cerca de 50 jogadores, que vão se revezando entre uma lista e outra, até que se chegue a um corte natural em direção ao grupo de 23 que terá foco total no Mundial.

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A lista para os duelos com Chile, no Maracanã, e Bolívia, em El Alto, reflete exatamente esse método. Nove nomes que estiveram na primeira convocação ficaram fora agora, não por deficiência técnica, mas porque o treinador quer ampliar o leque. “Conheço tecnicamente todos, mas quero conhecer melhor o perfil de outros jogadores”, explicou. É um olhar que não se limita ao jogo, mas ao encaixe humano e coletivo — algo que sempre fez parte do estilo de Ancelotti.

Carlo Ancelotti chama Lucas Paquetá para conhecer o jogador mais de perto, apesar das boas referências / CBF

Entre as novidades, aparece Kaio Jorge, único estreante, além de retornos significativos como Lucas Paquetá, agora livre da denúncia por irregularidades em apostas. O meia, pela versatilidade e qualidade técnica, tem lugar natural em qualquer grupo competitivo e será observado de perto pelo treinador.

Sem o atacante do Santos

Mas o nome ausente é aquele que mais chama atenção: Neymar. O camisa 10 segue fora não por esquecimento, mas por critério. Ancelotti foi direto ao ponto: ‘não há necessidade de testá-lo, todos sabem o que ele pode oferecer’. O problema é outro: a forma física. O recado é claro, quase definitivo — ou Neymar reencontra um nível que o coloque em igualdade com os demais, ou sua vaga no Mundial estará em risco. Não há mais espaço para concessões.

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Essa postura é acertada. A seleção não pode se permitir ser refém de ninguém, muito menos de um jogador que, apesar de sua genialidade, convive com lesões e instabilidades. O parâmetro é simples e justo: estar em plenas condições para competir.

Um time formado por mérito

Com essa segunda lista, Ancelotti dá sequência ao seu processo de observação, abre espaço para novos nomes e, ao mesmo tempo, coloca limites para velhas dependências. O Brasil começa a ganhar forma sob sua condução — não como um time de estrelas inquestionáveis, mas como um grupo que será afinado pela exigência e pelo mérito.

A LISTA

Goleiros: Alisson (Liverpool), Bento (Al-Nassr) e Hugo Souza (Corinthians)

Defensores: Alexsandro (Lille), Alex Sandro (Flamengo), Caio Henrique (Monaco), Douglas Santos (Zenit), Fabrício Bruno (Cruzeiro), Gabriel Magalhães (Arsenal), Marquinhos (PSG), Vanderson (Monaco) e Wesley (Flamengo)

Meias: Andrey Santos (Chelsea), Bruno Guimarães (Newcastle), Casemiro (Manchester United), Joelinton (Newcastle) e Lucas Paquetá (West Ham)

Atacantes: Estêvão (Chelsea), Gabriel Martinelli (Arsenal), João Pedro (Chelsea), Kaio Jorge (Cruzeiro), Luiz Henrique (Zenit), Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona) e Richarlison (Tottenham)

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