Um show de desmandos da arbitragem, marcação para lá de agressiva do adversário e um mistão que só parecia pensar no placar elástico para dar tranquilidade no jogo da volta. Esse foi o tom dos 3 a 0 do Palmeiras sobre a Jacuipense-BA no confronto que abriu a 5ª fase da Copa do Brasil para o time de Abel Ferreira no Allianz Parque.

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É claro que ninguém – ou pelo menos a maioria das pessoas – esperava que o time baiano chegasse no Allianz para encarar o Alviverde de igual para igual. Mas o que se viu foi um adversário que decidiu se prender na defesa para chegar vivo no duelo da volta, marcado para o dia 13 de maio, no Estádio do Café, no Paraná. O clube decidiu vender o mando de campo para fazer um dinheiro maior, expediente bastante comum quando um clube pequeno encara um grande. O Jacuipense disputa a Série D.

Sosa (à esq.) foi o nome do jogo; Vitor Roque saiu lesionado aos 15 minutos do 1º tempo e preocupa / Palmeiras

Mais do que se segurar na defesa, há de se imaginar que havia um pacto no Jacuipense de ser aguerrido na marcação aos palmeirenses. Entenda-se ser agressivo no combate ao adversário. Os baianos estavam num tom acima entre a raça e a violência, e esse excesso de força teve um preço. Além de render cartões no atacado – incluindo um vermelho para JP Talisca ainda aos 36 minutos do 1º tempo –, também rendeu uma nova lesão para Vitor Roque.

Nova lesão de Vitor Roque

O retorno do Tigrinho entre os titulares não durou nem 15 minutos. O camisa 9 levou uma entrada forte de Vicente Reis e sentiu dores no mesmo tornozelo esquerdo que já o havia deixado de molho por quase 30 dias. Assim que levou a pancada, ele já fez sinal de substituição e saiu de campo visivelmente abalado. Os exames de imagem vão determinar a gravidade da lesão.

Tira casaco, bota casaco

Do time considerado titular, além de Vitor Roque, Abel Ferreira mandou a campo Carlos Miguel, Murilo, Marlon Freitas e Ramón Sosa. Ainda assim, a superioridade era tão grande que aquela expressão de que o “goleiro nem precisou sujar o uniforme” seria completamente aplicável ao arqueiro palmeirense. Curiosamente, Carlos Miguel usava um modelo novo em homenagem aos goleiros históricos dos anos 90. Mas, diante da inoperância do Jacuipense no ataque, quase não se viu durante a transmissão.

Sosa x Arbitragem

A verdade é que o jogo só se desenrolou em metade do campo: o de ataque do Palmeiras. Já era assim no 11 contra 11. Se o lema do time baiano parecia ser se fechar a qualquer custo, a dupla Marcelo de Lima Henrique, o árbitro, e Philip Georg Bennett, no comando do VAR, ajudou a dar uma emoção extra ao duelo. Tudo isso com a participação de Ramón Sosa – difícil dizer se como protagonista ou coadjuvante dessa trama.

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O paraguaio fez quatro gols, poderia ter feito cinco, mas acabou com dois na súmula. Confuso? Muito. Mas o gabarito vem nas próximas linhas. Logo aos 7 minutos, o camisa 19 foi derrubado na área e, sem vacilar, balançou o barbante. Mais tarde, ele mandaria outra bomba para o fundo do gol, depois de dominar no peito e mandar um canudo. Só que, lá do VAR, Philip Georg entregou que o “peito”, na verdade, havia sido mão. Marcelo de Lima Henrique foi lá e estragou a alegria. Faria de novo logo depois.

Foi mão ou rosto?

Em uma jogada pela ponta, Felipe Anderson arrancou para o cruzamento e a bola bateu na mão de Weverton – não o goleiro, mas o lateral do Jacuipense. Marcelo de Lima marcou novo pênalti e lá estava Sosa se preparando para cobrar. Só que, mais uma vez, Philip Georg e o seu VAR deduraram que a “mão”, na verdade, havia sido rosto. O árbitro mais uma vez foi lá anular a festa. Aconteceria mais uma vez, sim, senhor.

Um sopro de confiança

O Palmeiras seguia bombardeando o adversário e criando oportunidades, especialmente com a dupla da seleção paraguaia Ramón Sosa e Maurício, que funcionou novamente: o meia avançou pela esquerda e cruzou na cabeça do atacante, que não desperdiçou. Mas comemorou só um pouquinho, já que a arbitragem acusou justo impedimento. Era uma espécie de versão futebolística do “tira casaco, bota casaco” do Karatê Kid. Na etapa final, Marcelo de Lima Henrique pegou mais um pênalti do Jacuipense – que não estava realmente numa noite pacífica. Só que dessa vez Philip Georg ficou na dele e Sosa tratou de guardar o segundo dele na partida, e comemorar sem interrupções.

Felipe Anderson fez o gol dele e agradeceu a confiança do clube no seu futebol / Palmeiras

O segundo gol de Sosa foi o terceiro do Palmeiras. Entre eles, Felipe Anderson foi quem fez a torcida celebrar depois de ter feito parte dela quase infartar nos últimos jogos. O camisa 7 aproveitou a oportunidade como titular e a fragilidade do adversário para fazer uma boa apresentação. E ainda aproveitou para anotar o dele depois de um bate e rebate no meio da área. “É um jogo super importante para nós, são objetivos na temporada. Todos remam na mesma direção. Fico feliz de contribuir, de ter a confiança do Palmeiras e o carinho que o clube tem por mim. Quero retribuir a confiança do torcedor porque sei que posso contribuir com mais”, disse.

Não é como se o meia tivesse feito uma partida digna de entrar nos livros de história, mas diante do que vinha apresentando, foi quase que um pedido de reconciliação com a torcida. Pelo menos até a próxima partida.

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