A Copa do Mundo enfrenta um obstáculo que vai muito além das quatro linhas. Nesta quinta-feira, dia da abertura do Mundial no México, um dos países-sede, o Comitê Nacional de Torcedores dos Elefantes, ligado ao Ministério do Esporte da Costa do Marfim, confirmou que a maioria dos torcedores marfinenses foi impedida de viajar aos Estados Unidos para acompanhar a seleção no Mundial.
Julien Kouadio Adonis, presidente do Comitê, não poupou críticas às políticas migratórias adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo o dirigente, o recado foi explícito. “Os Estados Unidos não querem ver torcedores de certos países como a Costa do Marfim em seu território.” De acordo com o jornal francês L’Équipe, cerca de 500 marfinenses que viajariam para apoiar o futebol do país não conseguiram o visto necessário.

Impacto além da arquibancada
A situação é o ápice de um endurecimento nas regras de entrada que já vinha sendo monitorado desde o início do ano, quando países como Senegal, Haiti e República Democrática do Congo entraram na lista de nações com severas dificuldades na emissão de documentos de viagem. A delegação do Irã, que está em guerra com os norte-americanos, tem sofrido as maiores sanções esportivas. O time tem de ficar baseado no México, sendo que fará as três partidas da primeira fase nos Estados Unidos.
A federação iraniana também afirmou que sua cota de ingressos para a Copa foi retirada. A delegação iraniana faz um “bate e volta” nos jogos dentro dos Estados Unidos, sem permissão para permanecer no país de Donald Trump. A Fifa diz que está trabalhando nos bastidores para melhorar isso.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
A rigidez dos protocolos de entrada nos EUA atingiu até mesmo profissionais do futebol. No último fim de semana, o árbitro somali Omar Artan, eleito o melhor juiz africano em 2025, foi impedido de entrar nos Estados Unidos e deportado pelas autoridades sob alegações de suspeitas de vínculos com organizações terroristas. Nada foi confirmado contra ele. Relatos de delegações de países como Iraque e Uzbequistão também apontam para interrogatórios prolongados e inspeções excessivamente rigorosas, criando um clima de apreensão em torno da logística de recepção das seleções.
De acordo com o secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, todos os casos de recusa de entrada no país foram apresentados à Fifa, com “as devidas justificativas”. Ou seja: Gianni Infantino sempre soube dos problemas e das decisões soberanas no país-sede.





