O futebol tem dessas coisas. No início da temporada, quase ninguém colocava o Cruzeiro como protagonista do Brasileirão, a despeito do fato de um mecenas ter chegado à presidência do clube disposto a investir parte de sua fortuna pessoal no projeto de reconstrução de um grande time. Hoje, com 33 pontos em 15 rodadas e uma liderança cada vez mais consolidada, só os teimosos seguem tentando negar o óbvio: o time do bilionário Pedrinho Lourenço é, sim, o grande destaque deste campeonato até aqui. A vitória por 4 a 0 sobre o Juventude, neste domingo, no Mineirão não foi um ponto fora da curva.
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Foi a confirmação de uma regularidade impressionante — são dez vitórias, três delas conquistadas já após a pausa para o Super Mundial. Após a parada, o Cruzeiro não apenas manteve o ritmo: voltou ainda mais afiado. Mais “cabuloso”.

Contra o Juventude, o roteiro foi parecido com o de outros jogos em casa. Pressão desde o início, um pouco de dificuldade para furar o bloqueio defensivo adversário, mas, mais cedo ou mais tarde, a superioridade acabaria se impondo. No primeiro tempo, a marcação adversária chegou a incomodar, travando a criação celeste e obrigando a equipe a insistir nas jogadas pelos lados. Mas, já perto do intervalo, veio o primeiro golpe: Kaio Jorge dominou na área, tentou o voleio, e a bola sobrou limpa para Christian empurrar para o gol.
Brilha, Gabigol
O segundo tempo mal havia começado quando o Cruzeiro ampliou. Contra-ataque pela direita puxado pelo mesmo Kaio Jorge, cruzamento na medida e Gabigol, de canhota, bateu cruzado no segundo pau: 2 a 0. O golpe de misericórdia veio aos 15, quando Kaio Jorge — de novo ele — invadiu a área em mais uma investida pelo setor direito e sofreu o pênalti. Gabigol cobrou com a frieza habitual e matou o jogo. Já nos acréscimos, um gol de cabeça de Eduardo liquidou a fatura.
É impossível falar deste Cruzeiro sem destacar a transformação silenciosa que o técnico português Leonardo Jardim orquestrou desde a pré-temporada. Nada de revoluções táticas mirabolantes, nada de fórmulas mágicas: o que ele trouxe foi um modelo simples e funcional, centrado num 4-4-2 compacto, de marcação agressiva e transição veloz. O time joga com convicção, com intensidade e, acima de tudo, com um claro entendimento coletivo.
Elenco forte de Leonardo Jardim
Parte do sucesso também passa pelas peças escolhidas. O elenco foi montado com apostas que, à primeira vista, pareciam arriscadas demais. Jogadores experientes, dados como superados em seus clubes de origem, chegaram sob olhares desconfiados: os corintianos Cássio e Fagner, os flamenguistas Gabigol e Fabrício Bruno, e o botafoguense Eduardo. O frustrado acerto com Dudu, que acabou indo para o rival Atlético, não abalou o plano. Ao contrário: reforçou a ideia de que era possível construir um grande time com os chamados “refugos”. Hoje, esses atletas mais experientes são pilares de um time seguro, sólido e ambicioso.

A eles juntou-se mais uma estrela improvável. Kaio Jorge, que levou um tempo para engrenar até virar figura central. E a torcida, que já havia reaprendido a acreditar no ano passado depois de experimentar o inferno da Série B por três temporadas, agora se permite sonhar ainda mais alto. Não por empolgação — mas porque vê, a cada rodada, um time que entrega desempenho e resultado.
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O Cruzeiro abre vantagem na liderança e começa a jogar com a confiança de quem sabe onde pode chegar. Talvez nem o planejamento mais otimista da diretoria imaginasse um desempenho tão imediato. Mas ele está aí. Em campo, em números, e na arquibancada. O Cruzeiro está de volta. E talvez mais forte do que nunca.





