A goleada parecia ser o roteiro natural de um último teste antes da Copa do Mundo. Em Assunção, no Defensores del Chaco, o Paraguai apostou na Nicarágua como um adversário ideal para uma despedida leve, de confiança e comunhão com a torcida antes do embarque. Mas a goleada por 4 a 0, com gols de Kaku, Almirón, Galarza e Maidana, teve um sabor amargo por causa da contusão e do choro do atacante Julio Enciso, que é tratado no país como uma ‘joia’. O lance aconteceu aos 25 minutos do primeiro tempo.

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A contusão de uma das grandes promessas do futebol paraguaio virou o assunto mais comentado nas redes sociais e portais de notícias do país. Daí entende-se o potencial de Julio Enciso. Aos 22 anos, o atacante do Strasbourg é mais do que um talento local. É o jogador que carrega, no imaginário da torcida, parte da esperança de uma seleção que volta ao Mundial depois de longo período de ausência: 16 anos. Por isso, sua saída ainda no primeiro tempo, com dor, choro e atendimento médico, mudou completamente o clima do amistoso.

Enciso Após sofrer contusão na coxa direita, Enciso se desespera e chora no gramado e é consolado por Almirón
Após sofrer contusão na coxa direita, Enciso se desespera e chora no gramado: ele é consolado por Almirón / Reprodução

O Paraguai vencia por 1 a 0 quando Enciso foi lançado pela lateral-esquerda do ataque. Ao tocar na bola, sofreu uma lesão muscular na perna direita e não conseguiu seguir mais. Enquanto era atendido por um médico e um massagista, o jogador dava socos no gramados e chorava de dor. A cena consternou os companheiros e os torcedores. O jogador vai passar por exames neste sábado, o que exige cautela. Mas as primeiras imagens e descrições já foram suficientes para acender o alerta em um país inteiro.

 Risco de corte

A preocupação é simples de entender. O Paraguai estreia na Copa no dia 12 de junho contra os Estados Unidos, um dos países-sede do Mundial. Depois, ainda enfrentará Turquia e Austrália na fase de grupos. Ou seja, qualquer problema muscular nesta altura da preparação deixa pouco espaço para recuperação, avaliação e reintegração competitiva. Enciso era titular no amistoso, formando o setor ofensivo ao lado de Miguel Almirón e Antonio Sanabria, em uma equipe comandada por Gustavo Alfaro e liderada por nomes experientes como Gustavo Gómez. O atacante é um dos nomes importantes da lista final paraguaia para a Copa, ao lado de Almirón, Diego Gómez e Gabriel Ávalos.

Chance para Maurício 

Foi nesse contexto que o palmeirense Maurício entrou na partida. A substituição, em qualquer outro amistoso, poderia ser lida apenas como oportunidade para um jogador que tenta ganhar espaço na equipe. Mas nesta sexta-feira, ganhou outro peso. Maurício entrou no lugar de Enciso e passou a ocupar, simbolicamente, o lugar aberto pela maior angústia da noite paraguaia.

O meia-atacante do Palmeiras já vinha em ascensão dentro da seleção. Naturalizado paraguaio, ele foi convocado pela primeira vez em março e agradou pela movimentação, condução e capacidade de dialogar com os jogadores de frente. Maurício se naturalizou pela chance de disputar a Copa e a combinação com Enciso havia causado boa impressão nos amistosos anteriores. 

Por isso, a entrada do palmeirense não foi apenas uma troca de emergência. Também serviu como lembrete de que Alfaro pode precisar reorganizar rapidamente sua estrutura ofensiva caso o pior cenário se confirme. Sem Enciso, o Paraguai perde aceleração, improviso e uma peça capaz de quebrar marcações em jogos de maior dificuldade. Com Maurício, ganha um jogador de boa leitura nas entrelinhas, controle de bola e mobilidade, mas em outro registro técnico e emocional.

Atacante Miguel Almirón comemora o seu gol, o segundo do Paraguai na goleada por 4 a 0 sobre a Nicarágua / Albirroja

Fim da seca de gols

Para as estatísticas da seleção paraguaia, com a goleada sobre a Nicarágua, o Paraguai volta a vencer uma partida da seleção principal marcando ao menos quatro gols pela primeira vez em quase 19 anos. A última vez tinha sido em novembro de 2007, quando fez 5 a 1 no Equador, no Defensores del Chaco, pelas Eliminatórias da Copa de 2010. Em amistosos, o jejum era ainda maior: desde novembro de 2005, quando bateu o Togo por 4 a 2. O placar elástico desta sexta-feira, porém, ficou em segundo plano diante da preocupação com Julio Enciso.

A goleada sobre a Nicarágua foi logo esquecida. O tamanho real da noite não cabe no marcador. O que se viu em Assunção foi uma seleção pronta para se despedir em festa e obrigada, de repente, a olhar para o departamento médico à espera de boas notícias sobre Julio Enciso.

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A uma semana da estreia, o Paraguai não espera apenas pela Copa. Espera por exames. E, até que saia uma resposta oficial, a imagem de Enciso deixando o gramado vale mais do que qualquer gol marcado contra a Nicarágua. No último amistoso antes do Mundial, a “Albirroja” goleou. Quem saiu do Defensores del Chaco com o coração apertado foi a torcida. Serão dias de agonia agora.

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