Nova York — Carlo Ancelotti não trata o jogo contra o Japão como uma obrigação simples do Brasil no primeiro mata-mata da Copa do Mundo. Para o treinador italiano, a partida desta segunda-feira, no NRG Stadium, em Houston, tem peso de final, exige cabeça fria e não permite distração. Ancelotti vê uma Copa sem favoritos também e enxerga no rival japonês o tipo de adversário que pode punir quem entrar em campo olhando apenas para a camisa.

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“Estamos nos preparando para esse jogo como se fosse uma decisão. E é uma final”, afirmou Ancelotti, neste domingo, em entrevista coletiva no estádio da partida. A frase é um “clichê” daqueles. O Brasil enfrenta o Japão pela segunda fase da Copa, às 14h de Brasília. O vencedor continua na competição. O perdedor faz as malas e volta para casa. Como disse o próprio treinador, com bom humor, “isso não é um mata-mata, é um mata, nada mais”. Ancelotti estava solto e confiante. Em nenhum momento “reproduz” a tensão do torcedor brasileiro às vésperas do desafio que pode mandar o Brasil de volta para casa.

Carlo Ancelotti observa jogadores no último treino antes de o Brasil enfrentar o Japão na Copa do Mundo / CBF

A frase do treinador, no entanto, resume o pensamento de Ancelotti antes do primeiro jogo eliminatório da seleção. Ele sabe que o Brasil é favorito pelo peso histórico, pela qualidade do elenco e pela evolução recente depois da vitória por 3 a 0 sobre a Escócia. Mas também sabe que o Mundial tem mostrado outra coisa: não há mais rivais desorganizados, ingênuos ou fisicamente fracos. Para ele, o futebol mudou.

O que disse Ancelotti

“O futebol mudou, não há equipe desorganizada. Não existe mais porque todo mundo estuda, trabalha e aprende. Pode ser que existam equipes com menos qualidade individual, isso é óbvio, porque a qualidade individual e o talento fazem parte da genética. Mas equipes desorganizadas e ruins no aspecto físico não existem. Todos trabalham forte, jogam com intensidade e lutam.”

Carlo Ancelotti faz o seu primeiro mata-mata com a seleçào brasileira na Copa do Mundo / CBF

Por isso mesmo, Ancelotti evita qualquer discurso de facilidade contra o Japão. Ele sabe que não será moleza. O treinador elogiou a organização defensiva, a intensidade e a qualidade da equipe japonesa. Também lembrou que o Brasil já sentiu na pele o risco desse confronto. Em outubro de 2025, ainda durante a preparação para a Copa, a seleção perdeu de virada por 3 a 2 para os japoneses, já sob o comando do italiano. Ele usa aquele jogo como alerta, mas não como peso. Segundo o técnico, o Brasil vivia outro momento. A comissão técnica ainda analisava jogadores para fechar a lista do Mundial. Ancelotti entende que a seleção está mais preparada, mais definida e confiante.

Foi uma boa experiência. Deu para saber que o Japão tinha uma equipe competitiva e uma das melhores do mundo. Temos total respeito por eles. A qualidade do Japão ficou comprovada, mas hoje estamos com outro time. O jogo será difícil, mas estamos prontos.
CARLO ANCELOTTI

Ancelotti não revelou a escalação mais uma vez. A tendência, porém, é que mantenha o time que começou a partida contra a Escócia, com Rayan na direita na vaga de Raphinha, único desfalque por causa de uma lesão muscular. Neymar, que voltou a jogar alguns minutos na última partida, continua como opção no banco. O mistério sobre o time também virou assunto na coletiva. Questionado se, quando era jogador, ficaria inquieto se o treinador não revelasse a escalação na véspera, Ancelotti sorriu e respondeu que dormia tranquilamente. “Os jogadores dormem tranquilos. Aqui na seleção, quem vai jogar sabe que vai jogar. Só quem não vai jogar é que não sabe.”

Japão também acredita na classificação

A fala também serviu para aliviar a lembrança da estreia contra o Marrocos, quando houve polêmica porque os jogadores só souberam da escalação no dia da partida. Agora, o cenário parece mais controlado. O Brasil cresceu nos últimos dois jogos, encontrou uma estrutura melhor e chega ao mata-mata com mais confiança. Mas o Japão chega da mesma forma. De acordo com a apuração do The Football, o Japão acredita na classificação.

Ancelotti sabe que confiança não basta para ganhar o jogo. Para ele, o Brasil precisará juntar mente, coração e uma ideia clara para superar o rival asiático. O treinador repetiu que a seleção precisa jogar junta, defender em bloco e saber o que fazer com a bola. Em jogo eliminatório, a pressão não pode atrapalhar a execução.

Precisamos de muitas coisas: mente, coração, ideia clara… Temos de estar preparados para tudo que pode acontecer numa eliminatória, e numa eliminatória pode acontecer muitas coisas. O time está preparado, motivado, tem confiança e foi bem nos últimos dois jogos.
CARLO ANCELOTTI

O calor de Houston e o horário da partida também entraram na discussão. São os detalhes para os quais o Brasil precisa estar pronto. Não cabe “mimimi” em uma decisão. O jogo será no início da tarde, mas ao meio dia da cidade americana. O estádio tem boa estrutura, e o treinador lembrou que a seleção costuma treinar em horário parecido. Para ele, a rotina muda pouco. O que muda mesmo é o peso do jogo. Ancelotti se diz confortável no cargo e feliz com a experiência de treinar o Brasil. Mas sabe que, a partir de agora, a Copa deixa de perdoar os erros. O Japão pode não ter a “camisa amarela”, mas tem organização, intensidade e confiança para competir. É esse o ponto central da leitura do treinador.

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O Brasil entra em campo com mais talento. Nem de longe vai ser a mesma coisa que foi para a seleção diante de Haiti e Escócia. O Japão conquistou respeito dentro de campo. Para Ancelotti, não há adversário pequeno em mata-mata. Sua experiência é de Champions League. Contra os japoneses, a seleção brasileira terá de provar que aprendeu a jogar esse tipo de partida: com frieza, concentração e seriedade. Ele precisa de tudo isso, mmas sobretudo do talento dos seus jogadores.

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