O Flamengo está entre os quatro melhores times da América do Sul. Entretanto, quem imaginava uma noite tranquila, nesta quinta-feira no Maracanã, depois dos 2 a 0 conquistados na altitude de Quito encontrou um roteiro bem diferente. O Independiente del Valle fez o Rubro-Negro sofrer, abriu o placar, jogou boa parte do segundo tempo com um homem a mais e deixou a classificação em permanente estado de alerta até Arrascaeta aparecer e anotar o gol do alívio.

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O empate por 1 a 1 colocou o Flamengo na semifinal da Libertadores com 3 a 1 no placar agregado. Mais importante do que a atuação, desta vez, foi sobreviver a uma partida que escapou do cenário desenhado na semana anterior. A vantagem conquistada no Equador, com gols de Bruno Henrique e Léo Pereira, permitia até uma derrota por um gol de diferença. O problema é que o Flamengo entrou em campo como se essa margem fosse maior do que realmente era.

Flamengo Arrascaeta e o goleiro Quintana e marca o gol que garante a classificação do Rubro-Negro
Arrascaeta aproveita a bobeira do goleiro Quintana e anota o gol da classificação à semifinal da Libertadores / Flamengo

Flamengo dá mole demais

Sem a imposição habitual no Maracanã, o time de Leonardo Jardim teve dificuldades para acelerar a circulação da bola e controlar o adversário. O Del Valle percebeu que havia jogo e foi crescendo. Aos 30 minutos, a pressão virou gol. Léo Pereira errou o bote no meio-campo, Perelló ganhou de Ayrton Lucas, entrou na área e cruzou. Rossi não conseguiu controlar a bola, e Reasco apareceu para fazer 1 a 0.

O placar ainda classificava o Flamengo. A sensação, porém, já não era de conforto. Mais um gol equatoriano levaria a decisão para os pênaltis. E a situação ficou ainda mais delicada no segundo tempo. Aos 19 minutos, Jorginho, que já tinha cartão amarelo, acertou o braço no rosto de Alcívar, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. O Flamengo passou a enfrentar não apenas um adversário que acreditava na virada, mas também quase meia hora de jogo em inferioridade numérica.

Leonardo Jardim precisou mexer. E foi um jogador que começou no banco quem tirou o peso das costas rubro-negras. Arrascaeta, reserva com Lucas Paquetá entre os titulares, entrou e decidiu. Aos 38 minutos, depois de um chutão de Rossi e de uma falha de Quintana na saída do gol, o uruguaio apareceu livre para cabecear para a rede. Era o 1 a 1. Mais do que o empate, o gol encerrou a ameaça de uma reviravolta improvável no Maracanã. O Flamengo avançou. Sem brilho, sem a tranquilidade imaginada e com algumas lições para carregar até outubro.

Estudiantes, um velho conhecido

A semifinal terá um reencontro recente. O adversário será o Estudiantes, o time que o Flamengo eliminou nas quartas de final da Libertadores de 2025, na campanha que terminaria com o título continental. Há um ano, o roteiro também passou longe da tranquilidade. No primeiro jogo, no Maracanã, o Flamengo abriu 2 a 0 rapidamente, com Pedro e Varela, mas Carrillo descontou nos acréscimos e deixou o confronto aberto: 2 a 1.

Na volta, em La Plata, Benedetti marcou para o Estudiantes e devolveu a igualdade ao placar agregado. A vaga precisou ser decidida nos pênaltis. Rossi, que havia falhado no gol argentino durante o tempo normal, tornou-se o personagem da classificação ao defender duas cobranças. O Flamengo venceu por 4 a 2 e seguiu para a semifinal. Dali em diante, não parou até conquistar a América do Sul. Agora, as duas equipes voltam a se encontrar, só que uma fase depois. Os argentinos chegam depois de eliminarem o Corinthians na Neo Química Arena por 1 a 0, após empate por 1 a 1 na Argentina.

Flamengo Jorginho
Expulso na etapa final, Jorginho deixa o time sob forte pressão: jogador não atua no primeiro jogo da semifinal / Flamengo

Três brasileiros e um argentino

A classificação completa uma semifinal que expõe outra vez o peso brasileiro na Libertadores. De um lado, Fluminense e Palmeiras já sabem que disputarão uma vaga na decisão. Do outro, Flamengo e Estudiantes. São, portanto, três clubes brasileiros contra um único representante argentino. O Brasil, inclusive, já tem um time garantido na final da Libertadores pela oitava edição consecutiva por causa do confronto entre Fluminense e Palmeiras.

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Antes de pensar nisso, porém, o atual campeão recebeu no Maracanã um recado que talvez seja tão importante quanto a própria classificação: na Libertadores, vantagem não significa controle. O Flamengo está na semifinal. Chegou sofrendo muito mais do que esperava. E agora encontrará justamente um adversário que, um ano atrás, já o obrigou a ir até o limite antes de deixá-lo seguir rumo ao título.

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