Ancelotti enterra mito do gênio individual na seleção: “o talento só não ganha Copa”

No Summit da CBF em São Paulo, técnico italiano usou lendas como Pelé e Maradona para reforçar que a era do craque solitário acabou

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Carlo Ancelotti fez um balanço dos seus primeiros seis meses no comando da seleção brasileira e traçou a rota para o hexacampeonato em sua participação na abertura do Summit Academy da CBF, nesta quarta-feira, em São Paulo. Em uma das análises mais incisivas sobre o futebol pentacampeão, o treinador italiano desmistificou a ideia de que o talento individual, historicamente a maior força do Brasil, seja suficiente para conquistar o título da Copa na atualidade. O Brasil foi penta em 2002. São 24 anos colecionando fracassos nos Mundiais.

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“O talento só não ganha. O futebol de hoje não é o mesmo dos anos 2000 ou de 1980. Pelé poderia ganhar o Mundial com Tostão e Rivellino. Maradona poderia ganhar o Mundial sozinho, depois Romário e Bebeto ganharam o Mundial porque tinham solidez defensiva atrás. Nosso trabalho é sustentar o talento com o que podemos fazer. Ter seriedade e competência em todas as estruturas, melhorar a preparação física e o aspecto mental”, disse Ancelotti. É uma visão bastante simplificada de um técnico campeão de tudo na Europa, principalmente quando esteve à frente do Real Madrid.

Ancelotti fala dos seis primeiros meses no comando da seleção brasileira e dos preparativos para a Copa / Instagram

A fala do italiano estabelece um novo paradigma para a seleção. Na visão de Ancelotti, o Brasil não pode mais depender apenas da genialidade de um Pelé, Rivellino ou de um talento singular como o argentino Maradona no passado. A chave é construir um jogo coletivo de excelência para sustentar a capacidade de produção de craques que o Brasil ainda tem. Ou seja: a seleção não precisa mais de Neymar ou da neymardependência.

São 24 anos de fracassos

O discurso também é um reconhecimento da dificuldade da sua missão na Copa de 2026. O Brasil não levanta a taça desde 2002, com Felipão, quando o país foi penta. São 24 anos sem conquistas. O torcedor viu a geração de Neymar fracassar três vezes: 2014, 2018 e 2022.

Pressão e exigência alta

Ancelotti ligou a necessidade de um trabalho estrutural e coletivo à alta pressão que enfrentará no cargo em junho do ano que vem. O treinador se mostrou ciente do peso de comandar a seleção brasileira, única pentacampeã do mundo e a que participou de todas as Copa do Mundo desde 1930, no Uruguai.

A vida do treinador no Brasil não é simples. É muito complicado. A exigência é muito alta, mas creio que tem de ser assim mesmo. O estresse pode ser uma coisa positiva. Eu sei que vou sofrer pressão para ganhar a Copa do Mundo.
CARLO ANCELOTTI

O comandante, que destacou a necessidade de convocar “jogadores que queiram ganhar com a seleção brasileira”, conta com a blindagem e o apoio do presidente da CBF, Samir Xaud. O dirigente exaltou o novo ambiente criado por ele no time. E disse que Ancelotti está “pavimentando a luta para o hexacampeonato”. A entidade já estuda a possibilidade de renovar o contrato do treinador até 2030.

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Ainda no evento, Xaud confirmou a implementação do impedimento semiautomático no futebol brasileiro a partir do próximo ano. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, desejou “sorte” a Ancelotti na Copa, ressaltando o potencial de produção de talentos do país. Mas cobrou uma melhor gestão dos clubes em contraponto às dívidas que eles fazem a cada temporada. A CBF já tem o seu modelo de fair play financeiro para os times.

Texto produzido por IA com informações e edição do The Football

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