É preciso entender a cabeça de Carlo Ancelotti para avaliar melhor o que foi o Brasil diante da França em Boston. A derrota por 2 a 1 jogou um balde de água fria na animação da torcida brasileira e dos “brasas”. Mas calma lá. A seleção jogou mal, não ficou com a bola (35% de posse) nem aproveitou como se esperava a vantagem de ter um jogador a mais durante boa parte do segundo tempo após uma expulsão francesa. Teve ainda dois dos seus principais jogadores em baixa: Vini Jr. e Raphinha. Casemiro acertou bons passes no ataque, mas errou no meio de campo no gol de Mbappé. Sua função primordial é evitar gols. Ancelotti fez uma leitura de tudo isso e um pouco mais.

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Diferentemente dos brasileiros, o treinador pensa amistoso como amistoso, um jogo para testar atletas e maneiras de atuar, para acertar e errar sem causar danos ao trabalho ou ao projeto em andamento. A torcida brasileira e boa parte da mídia foram forjadas para que o Brasil ganhe tudo. Não é mais assim. Nem nunca mais será. Um time se faz com bons atletas e tempo de maturação. O futebol mudou e a importância das partidas também. Ganhar é sempre bom, mas testar também é.

Carlo Ancelotti saiu do jogo contra a França, derrota por 2 a 1, com mais certezas do que dúvidas sobre o time / CBF

O que vale é a Copa do Mundo. Quem nunca ouviu isso? Ancelotti tem dez meses no comando. Deschamps tem 14 anos. O Brasil ainda procura bons jogadores. A França tem a melhor geração de todos os tempos. O torcedor brasileiro não sabe qual é o time titular da seleção. O francês declama sua equipe como canta a Marselhesa. A diferença de um time para o outro é gritante.

2 a 1 ficou de bom tamanho

Portanto, quando comentei na Rádio Eldorado que o meu palpite era 2 a 1 para a França (em cheio), estava analisando a condição dos dois times neste momento. Ancelotti não faz amistosos por fazer. Ele sempre tira alguma coisa deles. O europeu é assim. “Bobinho” só existe no futebol brasileiro. Ficou claro também que Neymar está fora e que alguns jogadores, como Danilo, do Botafogo, e Luis Henrique cavaram seus lugares. Há lições e definições nessa derrota nos Estados Unidos.

É preciso levar em conta ainda as ausências de jogadores importantes, como Bruno Guimarães e Marquinhos, por exemplo. Eles são titulares e impõem mais respeito. Talvez por isso o treinador italiano tenha deixado o campo em Boston com mais certezas do que dúvidas. Certezas do seu elenco e dos cortes que precisa fazer. Certeza, como ele mesmo disse, que o Brasil precisa de alguns ajustes apenas para ganhar dos rivais com a França, um dos melhores times do mundo na atualidade. De jogadores que devem entrar na sua lista e de atletas que serão descartados.

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O resultado pouco importa neste momento para a seleção. Ancelotti procura um time e maneiras de jogar. Não durante os 90 minutos, mas em momentos do jogo. Ele precisa de uma boa jogada de Vini para marcar um gol. Ou de Raphinha… Tirando algumas grandes seleções europeias da história do futebol, como a Hungria, de 1954, ou holandesa, de 74, os times da Europa precisam suar a camisa para ganhar jogos e Copas. Nada nunca caiu do céu. Há sofrimento e lágrimas deixadas pelo caminho. Ancelotti pensa o Brasil dessa forma.

Ancelotti continua confiante

Porque é preciso ter muita confiança e uma análise que a torcida brasileira não tem ainda quando o treinador perde um jogo e diz que a seleção tem condições de ganhar a Copa. Fosse qualquer outro técnico antes de Ancelotti, o mundo cairia sobre suas costas. Mas nada arranha o trabalho de Ancelotti, um dos três melhores treinadores do mundo, mesmo a despeito de sua pouca experiência com seleções e Mundiais. Ancelotti sabe ganhar jogos e campeonatos. Isso não mudou.

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