O gol marcado pelo zagueiro Danilo, que garantiu ao Flamengo a conquista do título da Libertadores de 2025, abriu um mundo multimilionário e, ao mesmo tempo, congestionou a agenda do clube rubro-negro neste mês. Primeiro as boas notícias: além do privilégio de se tornar o primeiro brasileiro a erguer quatro vezes a taça e embolsar um prêmio de R$ 136 milhões, o Flamengo será o representante da América do Sul na edição 2025 da Intercontinental da Fifa, que reúne os campeões dos principais torneios de cada um dos continentes.
Claro, que isso representará mais dinheiro para o caixa do clube, que faturou cerca de R$ 177 milhões com os prêmios obtidos na Libertadores. Mas, em compensação, fará com que os últimos jogos da equipe sejam, implacavelmente, espremidos em um calendário apertado como o nó de um sapato.

Na quarta-feira, dia 3, ainda de ressaca e cansado pela viagem, ida e volta, até Lima, no Peru, o Flamengo enfrentará o Ceará, no Maracanã. Essa partida poderá valer a conquista do oitavo título nacional.
Brasileirão nas mãos
Ok, com a vantagem de cinco pontos, há margem para chegar com folga na última rodada. Mas, em caso de um tropeço contra uma equipe em risco de rebaixamento, a coisa pode complicar: quatro dias depois, no dia 7 de dezembro, o último adversário dos cariocas no Brasileirão será o Mirassol, fora de casa, sob o calor do noroeste paulista, diante de um time embalado pela ótima campanha – e que, certamente, não vai querer fazer papelão na sua despedida do campeonato.
Com ou sem a faixa de campeão, a delegação flamenguista terá pouquíssimo tempo para organizar a sua viagem para o Catar, sede da Copa Intercontinental.

A estreia do Flamengo nesta competição ocorrerá no dia 10 de dezembro, em Al-Rayyan, nos arredores de Doha, no Catar. Ou seja, sob o clima seco do deserto, com diferença de seis horas na comparação ao horário do Rio de Janeiro. Seu adversário será o Cruz Azul, do México. Em junho, o time ganhou a Liga dos Campeões da Concacaf, a confederação que reúne clubes da América do Norte e Central e do Caribe.
Cuidado com este time
No caminho para o título, o Cruz Azul atropelou os canadenses do Vancouver Whitecaps, na decisão, com uma goleada por 5 a 0, com dois gols do perigoso Ángel Sepúlveda, seu centroavante e artilheiro. Anteriormente, na semifinal, tinha eliminado o Tigres, também do México, empatando na casa do adversário por 0 a 0 e vencendo por 1 a 0 em seu estádio.
Foi um roteiro parecido ao das partidas das quartas de final, em que enfrentou outro osso-duro, o América da Cidade do México, e seguiu adiante após fazer resultado igual fora e ganhar por 2 a 1, em casa.
Cruz Azul trocou de técnico
Embora tenham conquistado o título continental devido à campanha insatisfátoria no Campeonato Mexicano, os dirigentes do Cruz Azul decidiram trocar o técnico da equipe: saiu o uruguaio Vicente Sanchez, demitido, após a eliminação para o América, nas semifinais, e entrou o argentino Nicolás Larcamón. Ex-zagueiro, adepto do esquema 5-3-2, com três zagueiros e dois alas, ele gosta de armar os times que comanda para jogar com pressão alta e intensidade, com marcação agressiva e posse de bola.

Uma coisa é certa: o time do Cruz Azul é perigoso e deverá chegar mais inteiro fisicamente para este primeiro jogo com o Flamengo.
Se conseguirem superar os mexicanos, em um jogo que poderá ter 30 minutos de prorrogação e disputa de pênaltis, o próximo compromisso dos brasileiros será contra o Pyramids, do Egito, o campeão da África, e que já venceu os neozelandeses do Auckland City, no Cairo, e os sauditas do Al-Ahli, em Riad, no estádio dos adversários.
Final da Mundial contra o PSG
Naquela noite, o atacante congolês Fiston Mayele deu um show: ele marcou os três gols da vitória dos egípcios e calou o estádio. Caso o Flamengo vença a semifinal, o prêmio será um duelo na final, dia 17, contra o PSG, campeão da Liga dos Campeões.
Os franceses vêm de uma temporada pesada, enfrentando diversos desfalques, devido a lesões nas últimas semanas: mas são uma equipe bem armada pelo técnico espanhol Luis Enrique e com muitos bons jogadores, como Vitinha, Dembélé, Nuno Mendes e o brasileiro Marquinhos, entre outros.
Vice da Copa do Mundo da Fifa
Não por acaso os franceses chegaram longe na Copa do Mundo de Clubes da Fifa, em junho, nos Estados Unidos: foram vice-campeões mundiais. Portanto, estão sob pressão para levantar um primeiro troféu mundial, ainda mais em casa e bem diante dos olhos dos dirigentes do Qatar Sports Investment, o fundo soberano do Catar que controla o PSG.

Desde 2011, o QSI tem investido bilhões de dólares para transformar o PSG em um clube de primeira grandeza mundial. Esta conta inclui a aquisição de jogadores do quilate de Lionel Messi, Neymar e Kylian Mbappé e a construção de um centro de treinamento moderno em Poissy, nos arredores de Paris, que custou o equivalente a R$ 2,1 bilhões.
Portanto, depois da festa em Lima e nas ruas do Rio, o caminho do Flamengo para faturar mais títulos, e ser o primeiro clube sul-americano a sagrar-se campeão mundial desde dezembro de 2012, deverá ser complicado como disputar uma maratona.





