O que aconteceu no Mineirão, na noite deste domingo, diz menos sobre o placar de 3 a 0 e muito mais sobre o abismo de postura que separou Cruzeiro e Corinthians. O “trem azul” atropelou um adversário passivo, conformado, tecnicamente submisso e mentalmente ausente. Foi um baile em todos os princípios do jogo: físico, técnico, tático e mental. E isso, por si só, já seria grave.
Prévia da Copa do Brasil
Mas o que torna a atuação do Corinthians ainda mais inaceitável é o subtexto. O time de Dorival Júnior tratou a partida como mais um compromisso burocrático do Brasileirão, enquanto o Cruzeiro enxergou nela uma prévia da final da Copa do Brasil.
A poucos dias do primeiro jogo da decisão da Copa do Brasil, o Cruzeiro encarou o duelo como parte orgânica desse contexto — e deixou um recado claro de suas virtudes para o adversário. Já o Corinthians entrou em campo como quem cumpre tabela, como quem não tem mais aspiração alguma no campeonato, como quem pode se dar ao luxo de administrar a própria mediocridade até dezembro. A diferença de compreensão sobre o que estava em jogo beirou o constrangimento e se refletiu num placar incontestável.

Se esse jogo valer como prenúncio, o Corinthians corre sério risco de tomar dois novos chocolates nas finais. E o torcedor espera, no mínimo, que o que se viu no Mineirão sirva de lição. Dorival tem obrigação — não escolha — de passar o VT do jogo na reapresentação, sentar todos na sala, e pontuar, sem suavidade, cada pecado cometido. Não vai ser difícil. Os erros foram óbvios, cristalinos, gritantes. Difícil é entender como o treinador não conseguiu corrigi-los ao longo dos 90 minutos, ou ao menos amenizar a humilhação.
Marcação frouxa
O Cruzeiro ocupou os espaços do campo com uma facilidade que afronta a ideia de competição entre profissionais. A marcação corintiana foi frouxa, desorganizada, perdida. O time mineiro venceu praticamente todos os duelos individuais — como um adulto contra adolescentes.
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Matheus Pereira e Kaio Jorge, alvos que exigiam atenção redobrada, circularam em liberdade, ditaram ritmo e construíram jogadas sem qualquer incômodo. Com bola, o Corinthians voltou a ser aquele time covarde dos jogos fora de casa: toque para o lado, toque para trás, nenhuma agressividade, nenhum chute no gol de Cássio. Sem bola, foi um desastre ainda maior. Um convite às investidas do inimigo.
Laterais em avenidas
O Cruzeiro transformou as laterais do campo em avenidas. Arroyo passeou às costas de Matheusinho e participou diretamente de pelo menos dois gols. Do outro lado, Cristian deitou e rolou sobre Hugo — cuja permanência no elenco segue sendo um mistério. Hugo talvez simbolize o que há de mais grave no Corinthians: um elenco desequilibrado, envelhecido, tecnicamente insuficiente e fisicamente frágil. A equipe titular, quando completa, até se sustenta. Mas basta a saída de duas ou três peças e o nível despenca como um elevador em queda livre.

Dorival, por sua vez, parece não ter convicção alguma sobre o que quer do time. A saída de bola é irritante, repetidamente defeituosa, e não é de hoje. A transição ofensiva é inexistente há mais de um ano — e o treinador, incapaz de reconfigurar o setor, insiste nos mesmos erros, no mesmo desenho, na mesma previsibilidade.
As estatísticas de posse, finalizações e presença no campo adversário apenas materializam a deficiência que qualquer espectador minimamente atento enxerga. Menos, ao que parece, o próprio Dorival. A sorte — talvez a única — é que esse jogo não contou para a Copa do Brasil. Se valesse, a vaca já estaria no brejo, atolada até o pescoço. Que vexame!!!





