No futuro, os livros de história hão de registrar que este 9 de setembro de 2025 foi um dia importante para o Brasil. Dentro e fora das quatro linhas. Afinal, a seleção brasileira, que passou tanto tempo sob julgamento da torcida e da crítica, concluiu o processo de disputa das Eliminatórias com a sensação de alívio. O veredito final é o esperado por todos: mais uma vez, o Brasil estará na Copa, apesar de um ciclo nada brilhante.
Daqui para frente, o que resta é dar tempo a Carlo Ancelotti para realizar mais testes em amistosos, aproveitar períodos de treinos escalonados e, pouco a pouco, encontrar o time ideal e o modelo de jogo adequado para a Copa do Mundo de 2026. Será nesse horizonte que o país voltará a renovar o sonho do hexa, com todos juntos na mesma emoção e num só coração.

O caminho até aqui não foi tranquilo. Pelo contrário, este foi um ciclo marcado por turbulências. Houve incertezas dentro e fora de campo, com troca de comando na CBF e o desperdício de tempo com dois treinadores que não conseguiram substituir Tite à altura — Fernando Diniz e Dorival Júnior. Agora, porém, parece que a seleção encontrou um horizonte. Em pouco tempo, Ancelotti resgatou valores importantes do futebol brasileiro e devolveu ao torcedor uma esperança que parecia perdida, a ponto de despertar de novo o orgulho de vestir a camisa amarela só por amor ao esporte, sem nenhuma conotação política.
Difícil fazer análise em El Alto
O jogo desta terça-feira em El Alto, contra a Bolívia, pouco importou para esse balanço. Aos 4.100 metros de altitude de El Alto, o que se viu foi um não-jogo, dadas as condições quase desumanas de se jogar com déficit de oxigênio que leva até atletas de elite à exaustão precoce. Sem ar, a seleção apenas cumpriu tabela contra uma Bolívia inflamada pelo sonho da repescagem e ajudada por um pênalti acidental no último lance do primeiro tempo — um pisão de Bruno Guimarães flagrado pelo VAR e convertido por Miguelito, o melhor em campo.
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Difícil fazer uma análise tática de uma partida em que as condições locais impõem desequilíbrio tão flagrante em favor do time da casa. Visivelmente incomodado com o ambiente, o Brasil atuou distante de seu DNA ofensivo. De modo que passou a maior parte do tempo recuado, com duas linhas baixas, tocando de lado, e apenas Richarlison mais avançado. Um nítido plano desenhado para poupar energias e tentar controlar o ritmo de jogo. Do outro lado, a Bolívia, em clima de vida ou morte, atacava como podia. Nada que sirva de parâmetro para os testes que Ancelotti ainda deseja.
Caminho aberto
Assim, o que importa, ao fim desta jornada, não é o resultado de El Alto. Mas, sim, a certeza de que, depois de um ciclo confuso, o Brasil voltou a encontrar um rumo e pode ter esperança de fazer um grande Mundial.





