A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou no dia 28 de fevereiro, juntamente com a retaliação do governo dos aiatolás que está lançando mísseis e drones contra países vizinhos na região, como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Omã, transformaram o calendário dos esportes em um enorme ponto de interrogação. O conflito no Oriente Médio já acertou em cheio a Fórmula 1. Há poucos dias, os organizadores anunciaram o cancelamento de dois Grandes Prêmios que estavam programados para abril, no Bahrein e na Arábia Saudita. No entanto, essa guerra também está bagunçando a organização de jogos de futebol importantes. E da Copa do Mundo.
Para escapar da insegurança e das explosões, que já atingiram algumas das principais cidades do Golfo Pérsico, foi primeiramente acertada a alteração da sede da Finalíssima, uma partida de futebol marcada para o dia 27, entre a Argentina, última campeã da Copa América, e a Espanha, vencedora da Euro. O jogo estava agendado para o Estádio Lusail, em Doha, mas devido a questões de segurança, ele teriia de ser transferido para um local mais seguro.

Como opção, os espanhóis e a Uefa sugeriram o Santiago Bernabéu, em Madri. Porém, Claudio Tapia, presidente da Federação de Futebol Argentino (AFA), esbravejou. Alegando que os espanhóis teriam a vantagem de jogar em casa, ele bateu o pé contra essa ideia. Especulou-se que esta edição da Finalíssima poderia acontecer em Londres ou em Lisboa, mas o desafio seria o tempo limitado para a organização do evento.
Argentina x Espanha cancelado
Mesmo na capital espanhola haveria um obstáculo: no mesmo dia, Madri organizará um amistoso entre Senegal e Equador, no Estádio Metropolitano. Ou seja, um esquema de segurança reforçado teria de ser organizado o quanto antes para acomodar os dois eventos. Isso sem contar a organização de reservas de hotéis, venda de ingressos e tudo que envolve uma partida de futebol.
Reuniões entre os dirigentes europeus e sul-americanos aconteceram para uma solução. Mas a Fifa bateu o martelo e resolveu cancelar o jogo. Os Estados Unidos também se colocaram como uma opção para receber o evento. Mas o país está em guerra.

Dada a urgência, Espanha e Argentina também correm para encontrar adversários para a segunda data da janela de amistosos da Fifa: no plano original, as duas seleções fariam partidas em Doha contra Egito e Catar, respectivamente. Mas esses eventos também foram cancelados. Às pressas, os espanhóis conseguiram marcar um amistoso contra a Sérvia, em Madri. Por enquanto, os argentinos estão sem compromisso. E isso prejudica as experiências que o técnico Lionel Scaloni pretendia fazer com novos jogadores. O palmeirense Flaco López era um deles.
E a Copa do Mundo?
A guerra em curso no Golfo Pérsico também atingiu em cheio a organização da Copa do Mundo de 2026. A cerimônia de abertura, em junho, está logo aí. Entretanto, até o sábado dia 14, simplesmente ninguém neste mundo seria capaz de responder se o Irã, que está classificado, jogará a sua partida de estreia contra a Nova Zelândia, agendada para o dia 15 de junho, em Los Angeles. Após o presidente norte-americano Donald Trump postar nas redes sociais que “o Irã seria bem-vindo aos Estados Unidos”, na quinta-feira passada ele escreveu que “para a sua segurança não seria apropriado que o país participasse (do Mundial de 2026)”.

Além disso, há muitas incertezas sobre como e onde ocorreriam as partidas dos mata-matas envolvendo um dos países da região contra Bolívia e Suriname. Atualmente, o oponente neste jogo, que vale uma vaga no Grupo I do Mundial de 2026, é o Iraque. Contudo, essa oportunidade pode sobrar para os Emirados Árabes Unidos, caso o Irã opte por não participar da Copa.
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O que se sabe é que, seja qual for o rival, um país da região terá de enfrentar uma das duas seleções sul-americanas no dia 31, em Monterrey, no México. O desafio será encontrar um jeito seguro de embarcar nos voos. Nem isso é capaz de garantir. Em virtude da ameaça dos mísseis, o espaço aéreo dos países da região foi fortemente perturbado, a ponto de a Federação Iraquiana ter especulado sobre a possibilidade de os jogadores da seleção precisarem fazer uma viagem de mil quilômetros, de ônibus, até Amã, na Jordânia, e só prosseguir de avião para o México. Enquanto a guerra no Golfo Pérsico estiver rolando, sem sinais de trégua, sempre haverá mais dúvidas no ar do que certezas.





