Corinthians e Santos continuam sem vencer clássicos em 2026. Memphis Depay e Neymar seguem sem realizar um grande jogo na temporada. No encontro de ambos, na tarde deste domingo, na Vila Belmiro, o sentimento geral foi de que os dois times — e seus dois principais jogadores — poderiam ter mostrado muito mais brilho. Matematicamente, o resultado é ruim para ambos, talvez um pouco menos para o Corinthians, que atuou fora de casa e ao menos recuperou um ponto depois de perder três em Itaquera para o Coritiba. O time tem oito pontos em 18 disputados e ainda está distante do grupo que briga pela liderança. O Santos chegou a seis pontos.
Memphis poderia ter levado a melhor neste duelo particular porque acabou com o jejum de dez jogos sem marcar e abriu o placar com um golaço, daqueles com assinatura de craque. Em uma aula de contra-ataque, Kaio César iniciou a transição em alta velocidade e encontrou o holandês bem posicionado no lado oposto do campo. Com uma arrancada poderosa, Memphis partiu para cima da defesa santista, tirou dois marcadores da jogada e achou o tempo e o espaço certos para finalizar cruzado, rasteiro, no canto esquerdo de Gabriel Brazão.

Pena para o Corinthians que a vantagem durou apenas três minutos. Em uma jornada desastrosa, Gabriel Paulista entregou de presente o gol de empate santista. Num vacilo na saída de bola, tropeçou nas próprias pernas, tentou recuar sem força contra o corpo de Neymar e a bola se ofereceu limpa para Gabigol. O atacante dominou, avançou em direção ao goleiro Hugo e tocou com categoria no canto, sem chance de defesa.
Gabigol melhor que Neymar
Até aquele momento, o empate fazia justiça ao melhor desempenho do Santos. O time surpreendeu ao entrar com três zagueiros, cinco homens no meio e Neymar e Gabigol livres para atacar. A estratégia funcionou durante boa parte do primeiro tempo. O Santos teve mais controle e presença ofensiva até sofrer o gol — que, ironicamente, surgiu no primeiro chute do Corinthians a gol.

A partir dali, o clássico passou a alternar momentos de intensidade com longos trechos de pouca inspiração, retrato fiel da instabilidade técnica e tática que acompanha Corinthians e Santos na temporada. O segundo tempo foi especialmente pobre. Muito truncado, com os dois times mais preocupados em não errar do que em tentar vencer.
Santos acabou com nove jogadores
Nem mesmo quando o Santos terminou o jogo com dois jogadores a menos — após a expulsão de Luan Peres e a saída de Lira, machucado, quando as cinco substituições já haviam sido feitas — o Corinthians conseguiu criar uma chance clara para desempatar. Nos acréscimos, duas cobranças de falta sintetizaram bem a fase pouco animadora das duas estrelas do clássico. Primeiro Neymar teve a oportunidade na entrada da área, mas chutou para fora. Minutos depois, em situação quase idêntica, Memphis também isolou a bola pela linha de fundo.
Neymar deu a resposta a Ancelotti
Para Neymar, o clássico ainda trouxe um componente mais incômodo. Sua atuação não justificaria, de forma alguma, uma eventual presença na lista de convocados de Carlo Ancelotti, que será anunciada nesta segunda-feira para os próximos amistosos da seleção brasileira. Diante do Corinthians, Neymar pareceu apenas uma vaga lembrança do jogador decisivo de outros tempos. Seu estado físico não sustenta a ideia de uma vaga garantida na seleção. Se Ancelotti optar por convocá-lo, a decisão soará muito mais como gesto de prestígio ao nome do que ao momento.

O próprio Neymar deixou o jogo reclamando do gramado. Ele cobrou mais zelo da diretoria do clube, embora tenha reconhecido que o clássico poderia ter sido melhor tecnicamente. Ainda assim, não escondeu a esperança de voltar à seleção. “Estou trabalhando para isso. Tenho o desejo de ir para mais uma Copa do Mundo, mas isso não cabe a mim. Se eu estiver lá ou não, vou ficar torcendo pela seleção”, afirmou.
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Memphis também demonstrou frustração. O atacante lamentou que o Corinthians tenha cedido o empate tão rapidamente depois de seu belo gol e reconheceu que o resultado ficou aquém do esperado. “O importante hoje era ganhar os três pontos, mas não conseguimos. Temos muito o que trabalhar”, resumiu. No fim das contas, o clássico na Vila Belmiro terminou empatado não apenas no placar, mas também na sensação de oportunidade perdida. Para os dois times e, sobretudo, para dois amigos que um dia foram protagonistas absolutos do futebol mundial e que hoje ainda procuram reencontrar — talvez sem sucesso — as melhores versões de si mesmos.





