Memphis Depay alcançou neste domingo um feito reservado a pouquíssimos jogadores: tornou-se o maior artilheiro da história da seleção holandesa. Com dois gols contra a Lituânia, o atacante do Corinthians chegou a 52 com a camisa laranja, superando ninguém menos do que Van Persie, Marco van Basten, Johan Cruyff, Arjen Robben e Ruud Gullit. Uma lista de lendas que ajudaram a construir a tradição do futebol holandês e que sintetiza a dimensão do que Memphis conquistou. Não é apenas um recorde é a inscrição definitiva de seu nome na história da Oranje.

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Curiosamente, parte desse feito tem ligação direta com o Corinthians. Foi o clube brasileiro que ofereceu a Depay uma alternativa quando sua carreira parecia estagnar na Europa, com poucos minutos em campo e a confiança em baixa. No Brasil, encontrou protagonismo imediato. Ele virou referência técnica de uma equipe em reconstrução e ajudou a escrever uma das viradas mais improváveis da história recente do clube: a sequência de nove vitórias seguidas que arrancou o time da beira do rebaixamento e o levou à pré-Libertadores. Esse Memphis incendiou a Fiel e chamou novamente a atenção do técnico da seleção holandesa, que atravessou o Atlântico para vê-lo de perto em Itaquera antes de reintegrá-lo às convocações.

Memphis Depay: maior artilheiro da seleção holandesa, mas ainda em ‘dívida’ com o Corinthians / Holanda

Mas a grandeza dos números de Depay com a Oranje contrasta com a sua realidade atual no Corinthians. O atacante soma 15 gols em 51 jogos pelo clube, um aproveitamento modesto para quem ocupa o posto de estrela máxima e custa caro. Ele tem um contrato de R$ 82 milhões em 26 meses, que pode chegar a R$ 120 milhões caso todas as metas sejam cumpridas. De modo que o início empolgante cedeu lugar a uma fase de desgaste. Lesões, atraso no pagamento de salários e direitos de imagem, além da instabilidade política do clube, desgastaram a relação. O próprio jogador já sinalizou publicamente sua insatisfação, chegando a flertar com a possibilidade de rescindir o vínculo.

Números ruins no Corinthians

A situação atual é de fricção. A torcida, que o via como salvador, começa a olhar com desconfiança. No vestiário, não se nota mais aquele encantamento inicial. E Memphis, por sua vez, parece cada vez menos confortável com o cenário, como se o peso da camisa corintiana já não fosse suficiente para motivá-lo a entregar mais. Seus números também não ajudam. Depay não tem nenhum gol em finais, apenas um em 13 clássicos, desempenho discreto justamente nos jogos que marcam a trajetória de um ídolo.

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O paradoxo está posto: enquanto se eterniza como maior artilheiro da Holanda, Memphis convive com a cobrança de um Corinthians que exige respostas compatíveis com o investimento e com a idolatria que por ora ficou em suspenso. Talvez o desafio que se impõe a ele seja menos estatístico e mais simbólico: provar que pode ser grande não apenas vestindo o laranja da seleção, mas também honrando o preto e branco do clube que lhe estendeu a mão quando poucos acreditavam. Portanto, se no cenário internacional Memphis já conquistou a eternidade, no Corinthians ainda precisa reconquistar o presente.

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