Dois jogos disputados nesta noite podem ter decidido — de forma quase irreversível — o campeão do Brasileirão 2025. A vitória por 3 a 0 do Flamengo sobre o Bragantino não foi apenas um triunfo contundente: foi a abertura de uma vantagem de quatro pontos que tem cara, cheiro e peso de título. No vácuo dessa arrancada rubro-negra, ficou o Palmeiras, que não passou de um melancólico 0 a 0 contra o Fluminense, dentro de casa, diante de mais de quarenta mil pessoas que já chegaram ao Allianz Parque com o nervo exposto e saíram com a constatação de que o sonho do eneacampeonato nacional praticamente evaporou.
A matemática ainda existe, claro. Três jogos para cada um. Mas todos os do Palmeiras são como visitante. O Verdão teria de vencer seus três compromissos restantes e torcer por duas derrotas do Flamengo — um cenário que beira o improvável diante do que os dois times mostram hoje.

E tudo isso embalado por um componente extra: no dia 29, em Lima, os dois se enfrentam pela final da Libertadores num duelo que vale o tetracampeonato da América para ambos. Um jogo que poderia ser a síntese de uma disputa acirrada ao longo do ano, mas que neste sábado ganhou novas camadas dramáticas — porque, dependendo do andamento da próxima rodada, o Flamengo pode chegar à decisão já com o título brasileiro no bolso.
Frustração no Allianz
A frustração palmeirense desta noite, porém, não é apenas numérica. É estética. Mesmo com todos os titulares, com o apoio habitual, com a atmosfera que costuma empurrar o time para atropelos precoces, o Palmeiras não fez um grande jogo. Faltou a imposição física e técnica que, em casa, quase sempre rende aquele “1 a 0 aos 15 minutos” que muda a rota emocional de qualquer duelo. O time tentou, lutou, pressionou nos minutos finais, mas parou no bloqueio tricolor — e em si mesmo.

O dado mais incômodo nem é o empate em si, mas aquilo que ele revela. Por incrível que pareça, o ataque que dominou meses de campeonato completou cinco horas e meia sem marcar um gol sequer no Brasileirão. Cinco horas e meia atravessadas por derrotas para Mirassol, Flamengo e Santos, e agora por um 0 a 0 que soa como a assinatura definitiva de uma equipe que perdeu o ponto alto da temporada justamente quando mais precisava dele.
Assim, as vaias ao fim da partida foram menos protesto e mais reconhecimento: no Brasileirão, o duelo com o Flamengo parece perdido.
Foco na Libertadores
Resta não perder o foco naquilo que ainda importa — e que importa muito mais. Dia 29, em Lima, há outra batalha, muito mais simbólica, muito mais pesada, muito mais definidora do ano. O Palmeiras não pode levar seu vácuo criativo, sua queda de energia e seu estado emocional abalado para a final da Libertadores. O Brasileirão já tem dono encaminhado. A América, não. E é nessa fresta que o time precisa renascer. Nunca é bom esquecer que nessas horas quase sempre Abel Ferreira tem um plano…






https://shorturl.fm/pjzRV