Luís Zubeldía não resistiu. Pressionado pelos maus resultados e cada vez mais isolado internamente, o técnico argentino decidiu entregar o cargo no São Paulo após a terceira derrota consecutiva no Campeonato Brasileiro. O que se anuncia como um “pedido de demissão” tem todos os traços de um acordo de cavalheiros para poupar o clube do ônus de uma rescisão e preservar alguma dignidade a um ciclo que já estava nitidamente esgotado. Uma ruptura inevitável, mas feita no momento mais oportuno.

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Apesar da insatisfação generalizada com seu trabalho, Zubeldía sai com números decentes: foram 85 jogos desde abril de 2024, com 38 vitórias, 27 empates e 20 derrotas. Levou o time às quartas de final da Libertadores e da Copa do Brasil do ano passado, e à semifinal do Paulista neste ano. Mas, como sempre, é o presente que define o destino de um técnico. E no Brasileirão de 2025, o São Paulo patina e flerta com a zona do rebaixamento. São apenas 12 pontos em 12 jogos, 14ª colocação e a incômoda proximidade com a porta do inferno.

Luis Zubeldía tentou levar intensidade para o São Paulo, mas é muito questionado pela torcida e parte da diretoria / SPFC

Mais do que os números, porém, pesou a percepção de um trabalho que parou de evoluir. A pressão externa aumentava a cada rodada. E, internamente, cresciam as vozes críticas à condução do elenco, ao estilo de jogo, à comunicação, à gestão. Nos últimos dias, Zubeldía já não tinha mais clima. Seguir com ele seria prolongar uma agonia, adiar o inevitável e desperdiçar uma oportunidade preciosa. O treinador estava sendo fritado no óleo dos descontentes.

Insistir no erro seria pior

A intertemporada de 30 dias sem jogos oficiais — para os clubes que não estão no Mundial — oferece ao São Paulo o tempo ideal para reorganizar a casa. Esse é o momento para recomeçar. Com calma, com planejamento e com critério. O novo treinador terá um mês de treinos antes de estrear. Um luxo raro no calendário do futebol brasileiro, que não pode ser desperdiçado.

Agora, o desafio é acertar a escolha. E ela não será simples. O mercado não está cheio de boas opções, e o clube também não vive o melhor momento financeiro. Hernán Crespo, campeão da Sul-Americana em 2022 e sem clube no momento, desponta como favorito. O nome agrada internamente e, neste cenário, pode representar um reencontro com um trabalho que deixou saudades.

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Mas há também quem sonhe mais alto — e veja em Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, a chance de trazer uma ideia de jogo mais contemporânea e ambiciosa. Ele, porém, também sai de um fim de ciclo melancólico. O fato é que o São Paulo, mais uma vez, precisará reconstruir no meio do caminho. A diferença é que, desta vez, ao menos, a decisão veio no tempo certo. Quando ainda há tempo de mudar. Porque insistir no erro seria pior.

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