New Jersey – Messi foi menos do que se esperava dele nesta final de Copa. A Espanha venceu a Argentina por 1 a 0, na prorrogação, e ficou com o título no MetLife Stadium diante do “melhor jogador” do Mundial de 2026. Não o escolhido pela Fifa — a entidade elegeu o espanhol Rodri. Mas o camisa 10 tentou, correu dentro do que ainda podia correr aos 39 anos, procurou espaços, pediu a bola, mas não conseguiu mudar a história da final. Desta vez, a genialidade não encontrou uma última fresta. E Messi se despede em lágrimas e com o vice-campeonato. Mas não menos importante do que o seu legado. Messi é uma lenda. E os argentinos aprenderam a amá-lo sem que ele fosse Maradona.
Nos dois últimos dias, Messi perdeu tudo o que ainda poderia conquistar neste Mundial. Viu Mbappé lhe tomar a artilharia da competição e também o topo histórico dos goleadores das Copas. Poderia ter sido eleito o melhor jogador do torneio, mas a honraria ficou com Rodri, o espanhol que simbolizou a superioridade da campeã mundial. Messi talvez nem ligue mais para prêmios individuais. O que ele queria, de verdade, era outra taça. Mas ela não veio. A partida final do atacante deve ser esquecida. Nem Messi nem a Argentina foram vistas em campo.

Ele queria ser mais uma vez campeão do mundo. Queria levar a Argentina a um lugar onde ela nunca esteve: o tetracampeonato. Queria entregar a camisa 10, de preferência, com outra Copa no peito e também para um sucessor que ainda não existe no país. A Argentina tem bons jogadores, tem talento, mas não tem futuro a partir de agora. O trabalho terá de recomeçar do zero. E sem ele. Sem Messi. A verdade é que não há outro Messi sendo preparado.
Messi tem 21 gols em Copas
Mas o atacante deixou a Copa de 2026 maior do que chegou. Encantou nos Estados Unidos, Canadá e México, arrastou multidões, virou o centro emocional do torneio e levou a Argentina a mais uma final, o que parecia impossível. Messi fez chover. Terminou a competição com oito gols e 21 no total de sua história em Mundiais (seis edições). Ficou atrás apenas de Mbappé, agora dono do topo com 22 gols, mas segue em um lugar que poucos poderão tocar.
Jogando no limite
Ele fez o que pôde nesta Copa. E talvez tenha feito até um pouco mais. Aos 39 anos, em sua sexta participação, atuando em uma liga menos “pesada”, ele continuou sendo o começo, o meio e muitas vezes o fim da Argentina. Já não tinha a explosão dos tempos de Barcelona, mas ainda enxergava o jogo antes dos outros. O problema é que, contra a Espanha, isso não bastou. Messi quase não tocou na bola.

Messi já deixa saudades
A derrota e o fracasso na decisão diante da Espanha não apaga a sua última Copa. Apenas dá ao seu adeus um gosto amargo. Messi sai dos Mundiais para a tristeza de quem o acompanha desde 2006, quando era um garoto de cabelos longos na Alemanha e ainda quase desconhecido. Duas décadas depois, ele deixa o torneio como campeão, vice, recordista, protagonista e lenda. Nem bem foi embora e já deixa saudades também.
É difícil olhar para a Argentina e não ver Messi. Mas o futebol já viveu isso muitas vezes. A própria Argentina chorou Maradona e agora faz o mesmo com o seu outro menino de ouro. Maradona foi mito, revolução, caos e eternidade. Messi foi constância, silêncio, genialidade e redenção. Foi também resiliência, líder, companheiro. Os dois são a própria Argentina dentro de campo. De formas diferentes, Messi e Maradona explicam a paixão de um país pelo futebol.
O difícil recomeço
A seleção agora terá de recomeçar do zero. Haverá baixas no elenco e talvez também na comissão técnica. Lionel Scaloni ainda não tem permanência garantida, e sem ele o novo ciclo é uma página em branco. Este time que atravessou os últimos anos, ganhou a Copa de 2022 e chegou à final de 2026 terminou neste domingo junto com Messi. Foram 20 anos do craque na seleção e nas Copas. Ele foi promessa, cobrança, frustração, campeão antes de se tornar uma lenda. Em breve, haverá filmes e séries sobre Messi. Lá atrás, ele foi chamado de frio, de distante, de menos argentino do que deveria. Depois, virou o dono emocional de um país inteiro. A Argentina aprendeu a amá-lo sem pedir que ele fosse Maradona. E Messi aprendeu a carregar a Argentina do seu jeito.
SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin
Não há outro como ele. Nem pronto nem escondido nas categorias de base. Há bons meias, bons atacantes, bons líderes possíveis. Mas ninguém perto do que Messi representou dentro de campo e no comando silencioso do vestiário. A camisa 10 ficará pesada por muito tempo. Messi se despede triste, mas em paz com a própria história. Fez mais do que quase todos. Fez o melhor que pôde pelo seu país. Perdeu a última final, mas não perdeu o lugar que conquistou no futebol. Lionel Messi foi o que de melhor aconteceu ao jogo nas últimas décadas. E será lembrado assim: chorando no fim, mas gigante para sempre.





