A virada do Palmeiras sobre o São Paulo por 3 a 2 no Brasileirão do ano passado ainda ecoa no futebol e respinga na arbitragem. Depois da vitória da última quinta-feira por 3 a 1 sobre o Internacional, no Beira-Rio, pela 3ª rodada do Nacional, o técnico Abel Ferreira invocou a partida do dia 5 de outubro de 2025, no Morumbis, para fazer uma cobrança e mostrar um fato. O português ficou irritado com a não marcação do que considerou um pênalti em cima de Vitor Roque em Porto Alegre.
Na opinião de Abel, as infrações estão sendo “relevadas” em favor do Palmeiras pela arbitragem ainda como reflexo daquele Choque-Rei de 2025. “Desde o jogo contra o São Paulo, parece que tem um decreto que não se pode marcar pênalti para o Palmeiras. Depois da gritaria toda que teve, o único pênalti marcado foi contra a LDU, em casa (pela Libertadores). No Paulista, tivemos situações de pênalti claro e nós temos de ser mais exigentes uns com os outros. A arbitragem é muito exigente comigo e está certa. Mas eu exijo também (que ela seja exigente consigo própria).”

Narrativa com o coração
No ano passado, teve muita reclamação do rival tricolor por um pênalti não marcado de Allan em cima de Tapia – naquele escorregão que rodou as telas milhares de vezes nos dias que seguiram –, quando o time da casa ainda vencia por 2 a 0. O árbitro Ramon Abatti Abel e o VAR Ilbert Estevam até foram punidos. O lance repercutiu e foi construída uma narrativa de favorecimento ao Palmeiras, o que naturalmente se comprovou apenas uma demonstração de parcialidade daqueles que opinaram sobre a jogada.
não é uma crítica, é uma constatação. Desde a gritaria com o São Paulo, o Palmeiras não teve mais nenhum pênalti.
ABEL FERREIRA
É claro que resgatar aquele lance e trazer a “falta de pênalti” para a conversa também é uma estratégia de Abel para pressionar a arbitragem. O recado está dado. Trata-se de uma pressão das mais antigas e clássicas do futebol. Mas há um fato objetivo nessa história. De fato, desde aquele jogo com o São Paulo, o Palmeiras fez 24 partidas por competições nacionais e não teve mais nenhum pênalti a seu favor, ao passo que viu serem marcados cinco contra. De modo que a única vez que cobrou um pênalti no período foi diante da LDU, do Equador, pela semifinal da Libertadores – o que também significa que a arbitragem era da Conmebol e não da CBF.
O que dizem os números
Para uma rápida comparação, em 2025, antes do jogo do Morumbis, o Palmeiras havia feito 59 partidas, com 14 penalidades anotadas pela arbitragem a seu favor e também cinco tiros livres dados contra.
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Acontece que houve pelo menos cinco reclamações importantes da equipe palmeirense neste período de secura, já contando o lance diante do Inter, que provocou a reclamação de Abel e sua volta ao assunto. Além dessa jogada com Vitor Roque, o treinador também questiona lances contra Botafogo-SP e Novorizontino, ambos pelo Paulistão, para citar os mais recentes. Na temporada passada, porém, a reclamação foi mais intensa. A entrada de Souza em Maurício contra o Santos, uma possível mão na área contra o Vitória e o empurrão de Jorginho em Gustavo Gómez contra o Flamengo também estão na lista do treinador.
Todos aconteceram na reta final do Brasileiro, vencido pelo Flamengo, que começava a abrir vantagem por causa de tropeços palmeirenses. Abel, na época, já dizia que “muita coisa havia mudado” desde aquele clássico com o São Paulo. Agora, ele reforça as suas palavras e convicções com mais exemplos. Vale ressaltar que ele retoma o assunto depois de ganhar do Inter por 3 a 1 dentro do Beira-Rio. Portanto, não se trata de choro de perdedor.






