Morreu nesta quinta-feira, dia 11, no Rio de Janeiro, Hércules Brito Ruas, o Brito, zagueiro titular da seleção brasileira campeã mundial em 1970 no México. Ele tinha 86 anos. A notícia foi divulgada por meio das redes sociais oficiais do jogador. Até a publicação desta reportagem, não havia informações detalhadas sobre velório e sepultamento. Brito estava internado desde 14 de maio com um quadro de pneumonia causado por uma bactéria, que evoluiu e acabou piorando seu estado de saúde. Ele deixa os filhos Leonídio e Patrícia, e cinco netos.

Tudo sobre a Copa do Mundo

Brito pertenceu a uma geração que entrou para a história pelo brilho ofensivo. Mas o seu papel era outro. Enquanto Pelé, Jairzinho, Gérson, Tostão e Rivellino desenhavam uma das equipes mais encantadoras já vistas em uma Copa do Mundo, ele sustentava a parte menos romântica — e igualmente indispensável — daquele time. Era o zagueiro do choque, da imposição física, da bola afastada sem cerimônia quando o jogo pedia pragmatismo.

Brito muda de posição

Na Copa do México, Brito foi titular nos seis jogos da campanha do tricampeonato. Atuou ao lado de Piazza, volante deslocado para a defesa por Zagallo, em uma solução que ajudou a equilibrar uma seleção de vocação ofensiva. O Brasil encantou o mundo pelo talento, mas também precisou de ordem, resistência e presença defensiva para atravessar o torneio sem perder uma partida.

A trajetória de Brito com a camisa do Brasil começou muito antes daquele Mundial. Ele já havia sido convocado para a Copa de 1966, na Inglaterra, quando a seleção viveu uma campanha frustrante e caiu ainda na primeira fase. Entre 1964 e 1972, ele disputou 61 jogos, com 45 vitórias, 11 empates e cinco derrotas. Além do tricampeonato mundial, ganhou a Copa Roca (1971) e a Taça Independência (1972).

Brito em sua passagem com a camisa da seleção brasileira
Brito atuou como titular nas seis partidas da campanha do tricampeonato da seleção brasileira no México / Acervo CBF

Cria do Vasco

Nascido no Rio de Janeiro em 9 de agosto de 1939, Brito foi formado no Vasco. Chegou ao clube ainda jovem, passou pelas categorias de base e ganhou espaço no profissional em um período de transição na defesa vascaína, depois da saída de Bellini, capitão do Brasil campeão mundial em 1958. No Vasco, construiu a fase mais marcante de sua carreira em clubes. Ao longo de duas passagens, em 1957 e depois entre 1959 e 1969, Brito disputou 405 jogos e marcou 11 gols.

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Depois, vestiu camisas de clubes importantes do futebol brasileiro, como Flamengo, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians e Athletico-PR, além de passagens por Democrata-MG e River-PI. Em todos eles, carregou a imagem de defensor firme, competitivo, de personalidade forte e pouco interessado em enfeitar o jogo.

O adeus dos tricampeões

Entre os jogadores da seleção brasileira campeã do mundo em 1970, Brito é o sétimo integrante do elenco a morrer. Antes dele, o Brasil já havia perdido o lateral-esquerdo Everaldo, em 1974; o zagueiro Fontana, em 1980; o goleiro Félix, em 2012; o zagueiro Joel Camargo, em 2014; o capitão Carlos Alberto Torres, em 2016; e Pelé, em 2022.

Brito em suas relíquias das passagens pelos gramados ao longo da sua carreira
Brito ao lado de algumas de suas recordações das passagens pelos gramados ao longo da sua carreira / Brito1970oficial

No time que virou sinônimo de futebol-arte, Brito foi o homem da contenção. Não precisava ser protagonista para ser essencial. Foi campeão do mundo fazendo exatamente o que aquele Brasil precisava que ele fizesse: proteger a retaguarda para que os gênios pudessem escrever a história mais bonita.

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