Nova York — Neymar já foi menino-prodígio, esperança de um país, camisa 10 absoluto e principal rosto da seleção brasileira em três Copas do Mundo. Neste sábado, diante do Marrocos, no MetLife Stadium, ele terá uma experiência inédita em sua carreira: assistir a uma partida de Mundial do banco de reservas sabendo que dificilmente poderá entrar em campo. A novidade é que ele estará com a seleção mesmo sem condições de atuar. Ficará no banco. Mesmo machucado na panturrilha direita, ele seguirá todos os trâmites normais do jogo. Mas não entrará em campo.

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O atacante foi convocado por Carlo Ancelotti mesmo lesionado. A recuperação da contusão na panturrilha ainda exige cuidados e o departamento médico trabalha sem pressa para colocá-lo à disposição. O plano é simples: não correr riscos. Um novo problema muscular poderia encerrar definitivamente o sonho de Neymar nesta Copa.

Neymar vai ficar no banco de reservas da seleção na partida contra Marrocos neste sábado / CBF

Ainda assim, ele estará lá. Uniformizado, integrado ao grupo e seguindo todos os protocolos da Fifa, Neymar ocupará um lugar que jamais imaginou ter em um Mundial ou não teve nos três torneio da Fifa que jogou. Pela primeira vez, não será o protagonista do Brasil nem carregará na estreia as expectativas do torcedor. A bem da verdade é que ele nem deveria ficar no banco por falta de condições. Ele é o único jogador machucado do Brasil.

Neymar não é mais ‘o cara’ do Brasil

Mas, curiosamente, isso pode representar um alívio para os companheiros. Durante mais de uma década, Neymar foi o rosto das vitórias e também das derrotas da seleção. Carregou elogios, críticas e cobranças em proporções que nenhum outro jogador brasileiro experimentou neste século. Mesmo quando não estava em campo, seu nome aparecia ligado aos fracassos do Brasil, como na derrota em 2014 para a Alemanha por 7 a 1.

Agora, a realidade é diferente. A seleção de Ancelotti tem outros protagonistas. Vini Jr. é o principal deles. Raphinha chega valorizado após a temporada pelo Barcelona. Endrick desponta como o xodó da nova geração. Neymar continua sendo Neymar, mas pela primeira vez vê o Brasil iniciar uma Copa sem depender de seus pés. Ele não queria que fosse assim. Mas é.

Carlo Ancelotti admitiu que o time está 100% definido para a Copa do Mundo: estreia contra Marrocos/ CBF

Isso não significa que Neymar perdeu importância para a equipe. Muito pelo contrário. Sua presença no banco representa uma espécie de liderança silenciosa. Os mais jovens o observam. Os companheiros o escutam. E o torcedor continua reagindo ao seu nome de forma diferente de qualquer outro jogador do elenco. Neymar é carismático. E boa parte dos torcedores ainda tem carinho por ele. Certamente o seu nome será gritado no MetLife Stadium.

Neymar convive com a espera

A questão é saber por quanto tempo ele ficará fora. A comissão técnica acredita que o atacante possa ficar disponível nas próximas fases da competição. Há esperança de que esteja apto para enfrentar a Escócia ou, no cenário mais conservador, para o mata-mata antes das oitavas. Tudo dependerá da evolução clínica nos próximos dias. Até lá, Neymar terá de conviver com algo raro em sua trajetória: a espera.

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O jogador redesenhou a carreira para disputar mais uma Copa do Mundo. Ele voltou ao Brasil com essa intenção. Mas começa o torneio olhando o campo de fora. Sem bola, sem dribles e sem protagonismo. Mas ainda dentro da história. Porque, aos 34 anos, Neymar sabe que uma Copa pode mudar em apenas um jogo. E talvez nenhum jogador da seleção brasileira tenha tanto a ganhar com um retorno quanto ele, que fracassou nas três últimas edições.

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