Nova York — Anunciada como um sucesso de público pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, a Copa do Mundo de 2026 testemunhou a sua primeira flopada. E foi logo na segunda partida do torneio. O público do jogo entre Coreia do Sul e República Checa, no Estádio Akron, na mexicana Guadalajara, ficou aquém do esperado, com muitos espaços vazios no estádio, principalmente nos assentos vermelhos, nas áreas VIP, e nas arquibancadas laterais.
Isso colocou em xeque a informação divulgada em um comunicado da Fifa anunciando que havia um público de 44.985 espectadores naquela partida. Pela quantidade de espaços vazios no estádio, o público, seguramente, foi menor. Apesar do discurso otimista de Gianni Infantino de que este Mundial seria um sucesso retumbante.

Tão logo pressentiram que a procura de ingressos para a primeira partida do Mundial de 2026 não seira lá aquelas coisas, os dirigentes da Fifa trataram de tomar algumas providências. Para começar, decidiram fazer redução nos preços das entradas de algumas partidas. Mas, o sinal de alerta está ligado.
Preços bem salgados
Calcula-se que cerca de 180 mil ingressos ainda estavam disponíveis nas plataformas oficiais de revenda da Fifa. Mesmo jogos com potencial para terem a lotação esgotada, com a estreia dos Estados Unidos e do Paraguai, no So-Fi Stadium, em Los Angeles, ainda tinham cerca de 4.400 lugares à procura de interessados.
Não se duvide de que os preços – demasiadamente elevados – sejam uma boa explicação para tantos ingressos ainda estarem encalhados. Mesmo após uma redução de 20% em maio, o preço médio de revenda estava acima de R$ 4 mil. O problema é que quando esta redução ocorreu, o estrago no sistema de vendas já tinha acontecido.
Em vez de cobrar valores fixos pelos ingressos em função da importância das partidas, como acontece há muito tempo, os cartolas decidiram implementar um sistema de preços variáveis de acordo com a procura que atraem. Nos últimos meses, este sistema de vendas acabou inflacionando o valor das entradas. Entre outubro de 2025 e abril de 2026, os preços de 90 das 104 partidas aumentaram, em média, 34%.
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Para se ter uma ideia dos efeitos desta disparada, o ingresso mais barato para a final, na categoria padrão, chegou a custar em torno de R$ 29 mil. Ou seja, muito mais caro do que foi imaginado pelos organizadores quando os Estados Unidos, Canadá e México apresentaram sua candidatura para sediar a Copa do Mundo. Naquela altura, a promessa era de que o preço máximo para um ingresso na final não ultrapassaria o valor de US$ 1.550 – equivalente a R$ 7.600. Mas, nada disso se confirmou.
No mercado de revenda, os ingressos para a final chegaram a ser anunciados por exorbitantes US$ 33.000, quase R$ 165 mil para um lugar em um estádio, para assistir ao vivo uma partida de futebol. Isso sem contar a inflação nos preços de hospedagem e deslocamento em uma Copa do Mundo com jogos em locais tão distantes entre si como Vancouver, no Canadá, Cidade do México e Kansas City.
Coleção de polêmicas
Os espaços vazios no estádio Akron e os preços exorbitantes das entradas são a mais recente polêmica de uma Copa do Mundo, que já coleciona percalços e situações inusitadas. No início de junho, houve espanto com a decisão de os Estados Unidos barrarem a entrada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, interrogado, detido e expulso do território norte-americano quando desembarcou no aeroporto de Los Angeles.
Também causou espanto a decisão de que jogadores e comissão técnica da seleção do Irã tenham que entrar e sair do país no mesmo dia dos seus jogos nos Estados Unidos. Na primeira fase, os iranianos jogarão em Los Angeles e Seattle. Como efeito colateral destas restrições, a base de treinamento foi transferida da cidade de Tucson, no Arizona, para Tijuana, do lado mexicano da fronteira. Para quem esperava que o futebol dominasse as discussões, o Mundial de 2026 começa sob o signo da discórdia e com muitos assuntos aleatórios.





