A eliminação da Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026, em Atlanta, deixou um gosto amargo e uma certeza: o comando técnico de Thomas Tuchel será lembrado como um dos responsáveis pela queda britânica. Com a vaga na final próxima de ser concretizada, o treinador optou por um caminho arriscado: estacionou o ônibus inglês na defesa, abdicou de jogar para segurar o resultado e foi punido pelo anti-jogo. 

Tudo sobre a Copa 2026

A postura da seleção inglesa com linhas baixas convidaram a Argentina, de Lionel Messi, para transformar a partida em mais um glorioso degrau rumo à decisão para enfrentar os espanhóis no domingo, dia 19, jogo 104 do Mundial. Aos ingleses, sobra um melancólico jogo de disputa pelo terceiro lugar diante da França, um dia antes, numa partida que promete um astral bem borocochô.

Tuchel será lembrado como um dos principais culpados pela atuação desastrosa da Inglaterra contra a Argentina / Inglaterra

A insistência em uma tática defensiva contra os argentinos no fim das contas apenas consolidou a imagem de “vilão”. Ao retirar jogadores de frente, como Anthony Gordon, e apostar em zagueiros para tentar fechar a casinha, Tuchel praticamente entregou a posse de bola ao rival. Um erro grosseiro em se tratando da Argentina e de Messi. As substituições, que incluíram a entrada de Ezri Konsa, Nico O’Reilly e Dan Burn, foram vistas como uma tentativa de retranca que falhou miseravelmente, permitindo que a Argentina colocasse fogo no jogo e chegasse ao empate e à virada nos minutos finais, com gols Enzo Fernández e Lautaro Martínez.

Desarranjo com os nomes

O cenário de frustração não começou nesta quarta-feira, mas foi potencializado pela forma como Tuchel geriu o elenco. Antes mesmo do Mundial, o técnico já vivia sob pressão devido a uma lista de convocações que excluiu nomes de peso como Alexander-Arnold, Cole Palmer, Harry Maguire, Luke Shaw e Phil Foden. A ausência desses jogadores, somada à polêmica escolha de levar Trevoh Chalobah para a vaga do lesionado Tino Livramento colocaram um alvo na cabeça do treinador alemão.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

Outra passagem que merece menção foi o “desentendimento” com Jude Bellingham depois da classificação suada diante da Noruega. Na ocasião, ele declarou que sua equipe havia “tido sorte porque jogou de forma desleixada”, mas que não estava nada feliz com o desempenho. O clima interno azedou e uma das estrelas da companhia, o camisa 10 não deixou barato e mandou na lata: “Talvez ele não saiba como é jogar nessas condições, contra Haaland, Odegaard, Nusa, Sorloth. Não é um time fácil de enfrentar.”

O peso das decisões

Após a eliminação, Tuchel fez uma avaliação ponderada, defendeu suas escolhas, mas, desta vez, assumiu a responsabilidade. “Decidimos jogar com cinco defensores porque os espaços estavam muito grandes e eles estavam cruzando muito, então queríamos ser fortes no jogo aéreo. Logo após o gol do Gordon, sem substituições, sofremos muitos cruzamentos. Tentamos ajudar os jogadores, mas a responsabilidade é do treinador”. Ele tem consciência.

Milhões de treinadores amadores saberão das coisas melhor do que eu.
Thomas Tuchel
 

As justificativas, evidentemente, não foram suficientes para apaziguar a imprensa internacional e a torcida inglesa. “Torcedores ingleses furiosos com Tuchel – a culpa é dele”, estampou o tabloide The Sun logo após a derrota, para muitos, ocasionada pela “covardia” do treinador. “É de partir o coração”, completou o Mirror. Já o Telegraph foi ainda mais incisivo ao prever o tamanho do prejuízo: “As críticas vão durar anos”. 

O futuro de Tuchel no comando da Inglaterra é uma incógnita. Embora tenha alcançado a semifinal, igualando a campanha de 2018 e superando a de 2022, o sentimento predominante é de uma oportunidade perdida. Até por causa da forma como a derrota aconteceu, e ainda para um rival histórico como a Argentina, seu trabalho definitivamente está na berlinda.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui