O São Paulo tinha a vitória nas mãos. Vencia o clássico por 2 a 0 até a metade do segundo tempo, depois de um primeiro tempo impecável, e acabou assistindo o Palmeiras virar o jogo no Morumbis: 3 a 2, placar que recoloca o time de Abel Ferreira na liderança do Campeonato Brasileiro, com 55 pontos. A virada do rival, mais uma vez, expôs a força técnica, física, tática e mental do elenco palmeirense — e a profundidade de um trabalho que, com cinco alterações certeiras na etapa final, transformou um time abatido em um rolo compressor. Mas o olhar aqui é sobre o São Paulo — e sobre tudo o que o Tricolor fez (ou deixou de fazer) para perder um jogo que estava sob total controle.

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O primeiro tempo foi praticamente perfeito. Depois de um início de posse palmeirense, o São Paulo encaixou sua marcação e impôs intensidade alta pelos lados, com os alas Cédric e Enzo muito participativos e o meio-campista Marcos Antônio dando uma aula de movimentação e entendimento do jogo. Foi dele o passe preciso para Luciano abrir o placar, driblando Weverton com categoria. A equipe seguiu dominante, e ampliou com Tapia, completando cruzamento de Enzo Díaz na segunda trave. O Palmeiras só conseguiu assustar uma vez, em finalização de Vitor Roque que Rafael defendeu com os pés.

Tapia e Luciano festejam gol do São Paulo no primeiro tempo contra o Palmeiras: time abriu 2 a 0 e permitiu a virada / SFPC

Mas o roteiro começou a mudar cedo na segunda etapa — e não só por mérito alviverde. Aos seis minutos, Tapia foi claramente derrubado dentro da área por Allan, em um carrinho sem bola que passou em branco para o árbitro Ramon Abatti Abel e, de forma inacreditável, também para a equipe da cabine do VAR, que se fingiu de morta. Um pênalti como poucos tão evidentes. Se o lance fosse corretamente marcado, o São Paulo teria a chance de fazer 3 a 0 e provavelmente matar o jogo.

Erraram o árbitro e o VAR

A arbitragem errou de maneira decisiva — e a indignação são-paulina é compreensível. “O juiz do VAR não veio trabalhar hoje. Vou perguntar à CBF por que ele faltou”, ironizou o diretor de futebol Carlos Belmonte, também reclamando da falta de cartão vermelho para Andreas Pereira numa dividida com Marcos Antônio.

Não podem ser somente os erros do VAR

Só que os erros de arbitragem, embora cruciais, não podem ser a única explicação para a derrota. O São Paulo também precisa olhar para si. O time achou que o jogo estava ganho após abrir vantagem, reduziu a intensidade dos duelos físicos e deixou de explorar os corredores onde tinha sido dominante. E quando Crespo substituiu Marcos Antônio, aos 19 minutos do segundo tempo, o meio-campo perdeu sua referência de controle. Rodriguinho, seu substituto, ainda teve o infortúnio de errar o passe que deu origem ao segundo gol palmeirense. A partir dali, a confiança mudou de lado.

O Palmeiras, empurrado por Abel e suas trocas, foi crescendo em campo até virar o jogo com autoridade. O São Paulo tentou reagir no fim — e por pouco não empatou aos 50 minutos, quando Luciano obrigou Weverton a uma grande defesa. Mas já era tarde.

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A lição que fica é dura. Um time que quer disputar grandes coisas não pode oscilar tanto em 90 minutos. O São Paulo teve desempenho, proposta e coragem para dominar o rival, mas sucumbiu à própria acomodação e a uma arbitragem incapaz. Do outro lado, o Palmeiras mostrou, mais uma vez, o que o separa dos demais: força, mentalidade e um técnico que enxerga soluções onde os outros ainda enxergam problemas.

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