Quando o campeonato terminar, raríssimas pessoas lembrarão com detalhes de um jogo da 10ª rodada do Brasileirão. Mas da vitória, do golaço de Arias e da “sorte” no fim do jogo do Palmeiras contra o Bahia, provavelmente sim. Na Arena Fonte Nova, o time de Abel deu uma aula de como suportar uma tempestade para colher os frutos na hora certa, dentro dos 90 minutos. Os 2 a 1 sobre o rival não foram apenas mais um resultado positivo: foi uma afirmação de autoridade.
Com o triunfo, o Palmeiras chegou aos 25 pontos, tomando conta do topo da tabela e deixando São Paulo e Fluminense, seus perseguidores mais próximos, a uma distância de cinco pontos (ambos têm 20).

Se alguém disser que o Palmeiras fez um jogo de encher os olhos, não estará sendo exatamente fiel ao que aconteceu no gramado da Fonte Nova. Pelo contrário, foram os baianos que deram as cartas durante quase todo o confronto. Carlos Miguel apareceu muito mais na TV do que Léo Vieira. Abel roeu muito mais as unhas do que Rogério Ceni à beira do gramado. Mas, num golpe de talento e num outro de muita sorte, os três pontos ficaram do lado palmeirense, para frustração geral do tricolor.
Um gol de pura poesia
O primeiro tempo em Salvador desenhou um cenário de sofrimento para os visitantes. O Bahia, empurrado por sua torcida, dominava as ações, ocupava espaços e sufocava a saída de bola alviverde. O Palmeiras tentava, sem sucesso, encaixar um contra-ataque que desse respiro à defesa. A maioria das tentativas foi na base da ligação direta, que poderia ser chamada de chutão, tamanha a falta de precisão.
Mas como uma das belezas desse esporte mora no imprevisto, quando as coisas pareciam que não dariam certo para o Palmeiras neste domingo de Páscoa, os fatos inverteram a lógica e a bola entrou no gol baiano. Aos 41 minutos, o sufoco deu lugar à poesia em forma de jogada. Flaco López, em um lindo toque de calcanhar, desmontou a retaguarda baiana e serviu Jhon Arias dentro da área. O colombiano, com uma precisão impecável, deu um chute seco, certeiro, transformando a euforia da torcida adversária em silêncio. Foi uma pintura assinada pelo jogador colombiano.
A ‘sorte’ de quem não se entrega
Na etapa final, o Bahia voltou disposto a fazer valer o seu mando de campo e transformar a superioridade estatística em bola na rede. O time de Rogério Ceni foi só ataque. A pressão surtiu efeito quando Everton Ribeiro, com a classe habitual, cruzou para a área e David Duarte, de 1,92m de altura, voou para testar firme para o fundo das redes. A bola passou por Carlos Miguel, inflamou a Fonte Nova e colocou o Palmeiras contra a parede. O empate era mais justo pelo que as equipes apresentavam, sem dúvida. Mas quem pode falar de Justiça com mais objetividade do que o placar final?
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Não é por acaso que o Palmeiras, especialmente nos últimos anos sob o comando de Abel, se acostumou a disputar títulos. É uma equipe que se recusa a perder e mais ainda a se entregar. Na verdade, o jogo não dava indícios de que haveria mudanças no marcador. Mas o Palmeiras contou com uma “ajuda do universo” para chegar lá. Nos últimos minutos, após uma cobrança de escanteio de Andreas, a bola encontrou a perna de Ramos Mingo e entrou: 2 a 1. Foi o golpe duro para quem se apresentou melhor, o Bahia. E um golpe de sorte para quem mostra competência constante e não desiste.





