O Corinthians venceu. A Fiel cantou. A Neo Química Arena empurrou o time durante mais de 100 minutos. O placar de 2 a 1, porém, serviu apenas para maquiar uma eliminação construída muito antes do apito final desta quinta-feira. O Internacional fez a festa em Itaquera porque soube administrar, com inteligência e enorme disciplina, a vantagem de 2 a 0 conquistada no Beira-Rio. O Timão ganhou o jogo, mas perdeu a classificação. No rastro disso, perdeu também a chance de manter vivo o sonho do bicampeonato.
Foi uma noite de luto em dobro. Horas antes de a bola rolar, o clube recebeu a triste notícia da morte de Geraldão, um dos grandes símbolos da quebra do jejum de 23 anos sem títulos, artilheiro da histórica conquista do Campeonato Paulista de 1977 e bicampeão paulista em 1979 ao lado de Sócrates. Foram 280 jogos e 91 gols vestindo a camisa alvinegra. Um atacante que ajudou a escrever alguns dos capítulos mais importantes da história corintiana e que mereceu todas as homenagens prestadas pela torcida.

Corinthians no limite
À noite, o segundo golpe. A despedida da Copa do Brasil. Não faltaram coragem, entrega ou disposição. Faltou futebol suficiente para apagar os próprios erros cometidos no Beira-Rio e, principalmente, qualidade para superar as limitações de um elenco que hoje sente enorme dependência de seus principais jogadores. Por ironia do destino, os dois atacantes que melhor representaram o poder ofensivo do Corinthians nas últimas temporadas assistiram à partida dos camarotes. Yuri Alberto, lesionado. Memphis Depay, ainda impedido de atuar enquanto sua renovação contratual não é oficializada.
Sem seu principal finalizador, Fernando Diniz foi obrigado a reinventar o ataque. Alterou a maneira de jogar de sua equipe. Durante praticamente toda a partida, o Corinthians abriu mão de parte das construções pelo chão para apostar insistentemente nas bolas levantadas à área, explorando Pedro Raul como referência. Curiosamente, seria injusto dizer que a estratégia fracassou. Foi justamente pelo alto que nasceram os dois gols corintianos. O problema não foi a ideia. Foi a necessidade de depender exclusivamente dela, diante de um time cuja força estava justamente no sistema defensivo.
Assim como havia acontecido no primeiro confronto, o Internacional entregou deliberadamente a posse de bola ao Corinthians. Pezzolano reconheceu que sua equipe não tinha forças para propor um jogo franco contra o Corinthians ao lado do bando de loucos. Para o Colorado, o plano não tinha alternativa: era preciso apenas proteger a vantagem construída em Porto Alegre. E fez isso quase com perfeição.
Pressão sem sucesso
O Corinthians ocupou o campo ofensivo durante praticamente toda a partida. Teve muito mais posse de bola, empurrou o adversário para perto de sua área e finalizou dez vezes nos primeiros 51 minutos, enquanto o Internacional sequer conseguiu concluir uma única vez ao gol de Hugo Souza. A insistência corintiana finalmente foi premiada ainda no primeiro tempo, aos 42 minutos, quando o nível de tensão já estava no limite. Em mais uma bola aérea em jogada de bola parada, Gustavo Henrique apareceu dentro da área, cabeceou após cobrança de falta de Garro, viu Matheus Cunha fazer grande defesa e aproveitou o rebote para empurrar para as redes, incendiando a Neo Química Arena.

Mas o roteiro da classificação ainda exigia mais dois gols. Ou ao menos mais um para levar a decisão para os pênaltis. Na volta do intervalo, o Corinthians partiu para o tudo ou nada. Só que bastou um erro para todo o castelo construído desmoronar. Aos 14 minutos, Mercado estourou a bola para o ataque. O Internacional encontrou um raro contra-ataque em igualdade numérica: dois contra dois. Alan Patrick dominou com enorme categoria entre Gabriel Paulista e Matheuzinho, acelerou a jogada e serviu Bernabei. O lateral acertou um chute espetacular, sem qualquer chance para Hugo Souza.
A chamada ducha de água fria. Com apenas um chute certo durante toda a partida, o Internacional encontrava exatamente o gol de que precisava para praticamente encerrar qualquer esperança corintiana. Empurrado pelas arquibancadas, o Corinthians voltou a atacar. Aos 24 minutos, Garro iniciou a jogada pelo meio, Matheus Bidu cruzou com precisão e Pedro Raul — justamente ele, que não marcava havia mais de um ano — apareceu na segunda trave para testar firme e recolocar o Timão em vantagem.
Fiel enloquece
O estádio explodiu novamente, acreditando que o espírito de Geraldão iria iluminar mais uma noite épica, mais uma jornada milagrosa. Vieram os minutos mais dramáticos da noite. O Corinthians atacava de todas as maneiras. Cruzava, pressionava, brigava por cada rebote e tentava transformar o impossível em realidade. O Internacional resistia como podia, multiplicando-se na defesa e administrando cada segundo do relógio. Aos 40 minutos, quase aconteceu o milagre. Após escanteio cobrado por Garro, a bola sobrou para Matheuzinho, que acertou um violentíssimo chute de primeira. A finalização explodiu na trave esquerda de Matheus Cunha. Por centímetros, a esperança não ganhou uma sobrevida.

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No fim, prevaleceu o prêmio para um time que precisou de apenas um chute certo para marcar seu gol, mas cuja classificação esteve longe de ser obra do acaso. O Internacional teve a humildade de reconhecer que não precisava ser protagonista. Defendeu-se com organização, disciplina e inteligência. Soube sofrer quando necessário, fechou os espaços e administrou a vantagem construída no Beira-Rio como faz a maioria das equipes em competições de mata-mata.





