O Brasil entrou para as disputas dos confrontos das quartas de final da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana em busca de um recorde. Dessa maneira dos oito clubes brasileiros que começaram a semana na disputa, cinco sobreviveram. Não foi o suficiente para estabelecer uma nova marca de semifinalistas, mas abriu a possibilidade de repetir um feito que só aconteceu uma vez na história. Em 2021, o futebol brasileiro tomou conta das duas finais continentais.

Mais sobre a Copa Libertadores

Naquele ano, Flamengo e Palmeiras decidiram a Libertadores. Athletico-PR e Red Bull Bragantino fizeram a final da Sul-Americana. Pela primeira vez, clubes de um mesmo país ocuparam as quatro vagas disponíveis nas decisões das duas principais competições organizadas pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). Cinco anos depois, o mapa voltou a ficar parecido.

Brasil Carlos Miguel é abraçado por Barboza
Decisivo para a vaga do Palmeiras, o goleiro Carlos Miguel é abraçado por Barboza após a vitória por pênaltis / Palmeiras

Domínio brasileiro

Nas disputas de 2021 eram três brasileiros entre os quatro semifinalistas da Libertadores e outros dois na Sul-Americana. Palmeiras e Atlético-MG ficaram frente a frente, e assim garantiram um clube do país na decisão. O Flamengo precisava eliminar o Barcelona de Guayaquil. Na Sul-Americana, o Athletico-PR enfrentava o Peñarol, enquanto o Bragantino media forças com o Libertad. Os três brasileiros que encararam adversários estrangeiros avançaram. Foi assim que uma presença já dominante nas semifinais se transformou numa ocupação completa das decisões.

É esse último passo que os clubes brasileiros tentam repetir agora. Na Libertadores, Palmeiras e Fluminense fazem o mata-mata caseiro. O primeiro jogo será no Maracanã, com mando tricolor, e a classificação será decidida no Nubank Parque. Não importa quem avance: um brasileiro já está garantido na final. Não importa quem avance: um brasileiro já está garantido na decisão.

Do outro lado, o Flamengo encontrará o Estudiantes, a equipe que impediu o Corinthians de aumentar ainda mais a presença nacional nas semifinais e estabelecer o recorde de, pela primeira vez, contar com quatro clubes do mesmo país entre os quatro mais bem colocados na competição. Se o Flamengo passar, a Libertadores terá outra final brasileira. O primeiro duelo será na Argentina e a volta no Rio de Janeiro, com mando rubro-negro.

As partidas de ida das semifinais estão previstas pela Conmebol para 13 e 14 de outubro, com as voltas nos dias 20 e 21. Os dias e horários de cada confronto ainda serão detalhados pela entidade.

Mais sobre a Copa Sul-Americana 2026

Na Sul-Americana, a missão é dupla. O Vasco encara o Boca Juniors, algoz do São Paulo nas quartas de final, enquanto o Atlético-MG enfrenta o Montevideo City Torque. Os uruguaios chegaram à semifinal depois de reagirem à derrota por 2 a 0 para o Cienciano, no Peru, e vencerem a volta por 3 a 0. A conta, portanto, ficou simples. Estudiantes, Boca e Torque são os três obstáculos para que o cenário de 2021 se repita.

O clube cruzmaltino começa a disputa contra o Boca Juniors na Bombonera e terá o mando da partida decisiva no Rio de Janeiro. Já o Galo fará o caminho inverso: recebe o Montevideo City Torque na Arena MRV e definirá a classificação no Uruguai. Assim como na Libertadores, a Conmebol reservou os dias 13 e 14 de outubro para as partidas de ida e 20 e 21 para os jogos de volta.

Caminho das pedras

Chegar até aqui, porém, esteve longe de ser simples. O Fluminense construiu boa vantagem ao vencer o Platense por 2 a 0 no Maracanã, mas teve de suportar a pressão na Argentina e perdeu a volta por 2 a 1. Avançou, mas recebeu o aviso de que o mata-mata continental não permite conforto. O Palmeiras precisou de ainda mais sofrimento. Depois de vencer a LDU por 1 a 0 em São Paulo, foi derrotado por 3 a 2 na altitude de Quito. A classificação só veio nos pênaltis, com Carlos Miguel decisivo.

O Flamengo tinha tudo para ter um caminho mais seguro, porém encarou uma pressão que não estava nos planos para o confronto diante de sua torcida. Os 2 a 0 sobre o Independiente del Valle em Quito deram margem para administrar a volta no Maracanã. O empate por 1 a 1 confirmou o Rubro-Negro entre os quatro melhores e completou o trio brasileiro na semifinal da Libertadores.

Na Sul-Americana, também houve de tudo. O Vasco segurou o 0 a 0 diante do Santa Fe na Colômbia e resolveu a classificação em São Januário, com vitória por 2 a 0. O São Paulo não conseguiu reverter a vantagem construída pelo Boca Juniors, que venceu por 1 a 0, na Argentino, e ficou pelo caminho, ao empatar em 1 a 1, no Morumbis.

Santos e Atlético-MG, por sua vez, protagonizaram um confronto em que o Brasil já sabia que perderia um representante. E foi dali que saiu uma das classificações mais dramáticas das quartas de final. Depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, o Atlético devolveu a diferença ao vencer por 4 a 2 na Arena MRV. Nos pênaltis, Gabriel Delfim defendeu três cobranças e colocou o Galo na semifinal.

Brasil David abre o caminho para a conquista da classificação do Vasco à semifinal da Copa Sul-Americana
David abre o caminho para a conquista da classificação do Vasco da Gama à semifinal da Copa Sul-Americana / Vasco

O Brasil termina, assim, com cinco clubes entre os oito que ainda disputam os dois principais títulos continentais. O número impressiona, mas não é novidade. O país já havia colocado cinco semifinalistas em 2021, 2022 e 2023. A Argentina também alcançou a marca em 2020. É por isso que a história daqui para frente deixa de ser sobre quantidade.

SIGA THE FOOTBALL
Facebook
Instagram
Linkedin

Em 2021, o que tornou a campanha brasileira excepcional não foi chegar às semifinais com cinco clubes. Foi não deixar ninguém pelo caminho quando enfrentou os estrangeiros. Agora, o desafio é semelhante. Palmeiras ou Fluminense já estará na final da Libertadores. Flamengo, Vasco e Atlético-MG carregam a responsabilidade pelos outros três lugares. Se os três passarem, o Brasil não estabelecerá um feito inédito. Fará algo simbólico: mostrará que aquilo que parecia uma exceção histórica em 2021 pode acontecer novamente apenas cinco anos depois.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui