O Brasil entrou para as disputas dos confrontos das quartas de final da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana em busca de um recorde. Dessa maneira dos oito clubes brasileiros que começaram a semana na disputa, cinco sobreviveram. Não foi o suficiente para estabelecer uma nova marca de semifinalistas, mas abriu a possibilidade de repetir um feito que só aconteceu uma vez na história. Em 2021, o futebol brasileiro tomou conta das duas finais continentais.
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Naquele ano, Flamengo e Palmeiras decidiram a Libertadores. Athletico-PR e Red Bull Bragantino fizeram a final da Sul-Americana. Pela primeira vez, clubes de um mesmo país ocuparam as quatro vagas disponíveis nas decisões das duas principais competições organizadas pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). Cinco anos depois, o mapa voltou a ficar parecido.

Domínio brasileiro
Nas disputas de 2021 eram três brasileiros entre os quatro semifinalistas da Libertadores e outros dois na Sul-Americana. Palmeiras e Atlético-MG ficaram frente a frente, e assim garantiram um clube do país na decisão. O Flamengo precisava eliminar o Barcelona de Guayaquil. Na Sul-Americana, o Athletico-PR enfrentava o Peñarol, enquanto o Bragantino media forças com o Libertad. Os três brasileiros que encararam adversários estrangeiros avançaram. Foi assim que uma presença já dominante nas semifinais se transformou numa ocupação completa das decisões.
É esse último passo que os clubes brasileiros tentam repetir agora. Na Libertadores, Palmeiras e Fluminense fazem o mata-mata caseiro. O primeiro jogo será no Maracanã, com mando tricolor, e a classificação será decidida no Nubank Parque. Não importa quem avance: um brasileiro já está garantido na final. Não importa quem avance: um brasileiro já está garantido na decisão.
Do outro lado, o Flamengo encontrará o Estudiantes, a equipe que impediu o Corinthians de aumentar ainda mais a presença nacional nas semifinais e estabelecer o recorde de, pela primeira vez, contar com quatro clubes do mesmo país entre os quatro mais bem colocados na competição. Se o Flamengo passar, a Libertadores terá outra final brasileira. O primeiro duelo será na Argentina e a volta no Rio de Janeiro, com mando rubro-negro.
As partidas de ida das semifinais estão previstas pela Conmebol para 13 e 14 de outubro, com as voltas nos dias 20 e 21. Os dias e horários de cada confronto ainda serão detalhados pela entidade.
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Na Sul-Americana, a missão é dupla. O Vasco encara o Boca Juniors, algoz do São Paulo nas quartas de final, enquanto o Atlético-MG enfrenta o Montevideo City Torque. Os uruguaios chegaram à semifinal depois de reagirem à derrota por 2 a 0 para o Cienciano, no Peru, e vencerem a volta por 3 a 0. A conta, portanto, ficou simples. Estudiantes, Boca e Torque são os três obstáculos para que o cenário de 2021 se repita.
O clube cruzmaltino começa a disputa contra o Boca Juniors na Bombonera e terá o mando da partida decisiva no Rio de Janeiro. Já o Galo fará o caminho inverso: recebe o Montevideo City Torque na Arena MRV e definirá a classificação no Uruguai. Assim como na Libertadores, a Conmebol reservou os dias 13 e 14 de outubro para as partidas de ida e 20 e 21 para os jogos de volta.
Caminho das pedras
Chegar até aqui, porém, esteve longe de ser simples. O Fluminense construiu boa vantagem ao vencer o Platense por 2 a 0 no Maracanã, mas teve de suportar a pressão na Argentina e perdeu a volta por 2 a 1. Avançou, mas recebeu o aviso de que o mata-mata continental não permite conforto. O Palmeiras precisou de ainda mais sofrimento. Depois de vencer a LDU por 1 a 0 em São Paulo, foi derrotado por 3 a 2 na altitude de Quito. A classificação só veio nos pênaltis, com Carlos Miguel decisivo.
O Flamengo tinha tudo para ter um caminho mais seguro, porém encarou uma pressão que não estava nos planos para o confronto diante de sua torcida. Os 2 a 0 sobre o Independiente del Valle em Quito deram margem para administrar a volta no Maracanã. O empate por 1 a 1 confirmou o Rubro-Negro entre os quatro melhores e completou o trio brasileiro na semifinal da Libertadores.
Na Sul-Americana, também houve de tudo. O Vasco segurou o 0 a 0 diante do Santa Fe na Colômbia e resolveu a classificação em São Januário, com vitória por 2 a 0. O São Paulo não conseguiu reverter a vantagem construída pelo Boca Juniors, que venceu por 1 a 0, na Argentino, e ficou pelo caminho, ao empatar em 1 a 1, no Morumbis.
Santos e Atlético-MG, por sua vez, protagonizaram um confronto em que o Brasil já sabia que perderia um representante. E foi dali que saiu uma das classificações mais dramáticas das quartas de final. Depois de perder por 2 a 0 na Vila Belmiro, o Atlético devolveu a diferença ao vencer por 4 a 2 na Arena MRV. Nos pênaltis, Gabriel Delfim defendeu três cobranças e colocou o Galo na semifinal.

O Brasil termina, assim, com cinco clubes entre os oito que ainda disputam os dois principais títulos continentais. O número impressiona, mas não é novidade. O país já havia colocado cinco semifinalistas em 2021, 2022 e 2023. A Argentina também alcançou a marca em 2020. É por isso que a história daqui para frente deixa de ser sobre quantidade.
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Em 2021, o que tornou a campanha brasileira excepcional não foi chegar às semifinais com cinco clubes. Foi não deixar ninguém pelo caminho quando enfrentou os estrangeiros. Agora, o desafio é semelhante. Palmeiras ou Fluminense já estará na final da Libertadores. Flamengo, Vasco e Atlético-MG carregam a responsabilidade pelos outros três lugares. Se os três passarem, o Brasil não estabelecerá um feito inédito. Fará algo simbólico: mostrará que aquilo que parecia uma exceção histórica em 2021 pode acontecer novamente apenas cinco anos depois.





