Com dois jogos realizados neste primeiro dia da Copa do Mundo, a primeira fotografia do Grupo A, clara e evidente, tem dois sorrisos, duas urgências e uma tabela que mudou de tom antes mesmo de o torneio ganhar velocidade. México e Coreia do Sul fizeram o que toda seleção sonha em uma estreia: venceram, somaram três pontos e passaram a controlar o próprio caminho. África do Sul e República Tcheca, por outro lado, já acordam com a sensação de que o segundo jogo deixou de ser parte do planejamento e virou questão de sobrevivência.
O México largou na frente com o peso e o privilégio de jogar em casa, com a torcida empurrando do começo até o apito final, do árbitro brasileiro Wilton Pereira da Sampaio. A vitória por 2 a 0 sobre a África do Sul, no Azteca, teve festa, tensão, três cartões vermelhos e a sensação de que o anfitrião fez o serviço mínimo obrigatório. Não foi uma atuação perfeita nem precisava ser. Em Copa, estreia não costuma premiar estética. Premia controle emocional, aproveitamento das chances e capacidade de sobreviver ao ambiente.

Matemática da vaga
Mais do que os três pontos, a seleção de Javier Aguirre saiu com saldo positivo de dois gols. Em um grupo que promete equilíbrio, esse detalhe pode ter valor de ouro. No novo Mundial, com 48 seleções, os dois primeiros de cada chave avançam diretamente, e os oito melhores terceiros colocados também seguem vivos. Isso não elimina a possibilidade de recuperação para quem perdeu na estreia, mas muda o cálculo: cada gol feito, cada gol sofrido e até cada cartão passam a ter peso maior.
A Coreia do Sul, por sua vez, venceu de outro jeito, por 2 a 1. Saiu atrás contra a Tchéquia, encarou um adversário físico, perigoso na bola aérea e moldado para transformar cada lateral e cada falta em ameaça. Ainda assim, virou. E virou com um personagem que não era o nome mais óbvio do cartaz. Hwang In-beom fez o gol de empate, deu a assistência para Oh Hyeon-gyu e entregou uma vitória que coloca os coreanos em posição de força antes do encontro direto com o México.
Esse é o primeiro grande efeito da rodada: México x Coreia do Sul deixou de ser apenas um duelo interessante e virou jogo pela liderança do grupo. Quem vencer chega a seis pontos, pontuação que praticamente abre as portas da próxima fase, ainda mais em uma Copa com vaga para melhores terceiros. Um empate também pode ser bom negócio para os dois, dependendo do comportamento da outra partida. Mas Copa raramente respeita planilha. A liderança pode significar caminho mais favorável no mata-mata, confiança, descanso emocional e o direito de jogar a terceira rodada com menos desespero.
Estreia para esquecer
Do outro lado, Tchéquia x África do Sul ganhou contorno dramático. As seleções perderam, mas perderam de maneiras diferentes. Os tchecos saíram frustrados porque estiveram à frente no placar e viram escapar uma estreia que parecia controlável. A África do Sul, além da derrota, carrega o peso disciplinar de uma noite desastrosa, com dois expulsos e problemas imediatos para reconstruir o time. A Tchéquia ainda tem argumentos para acreditar. Mostrou força física, capacidade de incomodar pelo jogo direto e bola parada forte. Mas a derrota cobrou uma conta alta: qualquer tropeço contra a África do Sul pode transformar a última rodada, diante do México, em missão extrema. Para uma seleção europeia que voltou ao Mundial após longa ausência, a margem de erro já diminuiu brutalmente.
A África do Sul vive situação ainda mais delicada. Não basta corrigir o futebol. Será preciso corrigir o emocional. A equipe saiu da estreia com a imagem de quem perdeu não apenas para o México, mas também para a própria instabilidade. Contra a Tchéquia, terá de jogar sem se entregar ao desespero, porque uma segunda derrota pode deixar a classificação dependente de uma combinação improvável de resultados e saldo.

Próxima rodada
O Grupo A, portanto, já se dividiu em dois blocos claros. México e Coreia olham para cima, calculam liderança e projetam mata-mata. Tchéquia e África do Sul olham para os lados, procuram ar e tentam evitar que a Copa fique curta demais. A primeira rodada não decidiu o grupo. Mas desenhou o seu roteiro. De um lado, dois vencedores que ainda precisam provar se são candidatos reais a avançar com autoridade. De outro, dois derrotados que já não podem tratar a próxima partida como simples recuperação. Na Copa, às vezes, a estreia serve para aquecer. No Grupo A, ela já serviu para apertar o relógio.
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Na segunda rodada, ambos os jogos acontecem na próxima quinta-feira. Os perdedores abrem a rodada. Além da pressão de buscar o resultado sob o calor de Atlanta, nos Estados Unidos, República Tcheca do Sul x África do Sul se enfrentam, às 13h (horário de Brasília). Bem mais tarde, os vencedores México x Coreia do Sul atuam em Guadalajara, às 22h (horário de Brasília).





