Leonardo de Sá
A expectativa da torcida cresce, mas o cenário financeiro ainda desenha incertezas no CT Rei Pelé. O Santos trabalha para manter Neymar, viabilizar o retorno de Gabigol e avançar por Rony, mas nenhum dos acordos está concluído — e a soma dos vencimentos projetados coloca pressão imediata sobre o orçamento alvinegro para 2026. Entre renovações, empréstimos e possíveis contratações, o clube precisa costurar um equilíbrio raro: sustentar nomes de impacto sem comprometer a austeridade anunciada pela direção de Alexandre Mattos e do presidente Marcelo Teixeira.
O Santos busca reconstruir competitividade ao redor de Neymar, mas admite que não basta ter o craque — é preciso cercá-lo de jogadores decisivos. A leitura interna é clara: se quiser brigar por títulos, o time terá de assumir riscos esportivos e financeiros e saber até onde poderá ir dentro de suas limitações financeiras para a próxima temporada, especialmente diante do desejo de ser mais competitivo.

A prioridade é manter Neymar. Baseado em seu contrato anterior, poderá receber cerca de R$ 4,5 milhões por mês, o equivalente a R$ 27 milhões em seis meses de acordo. O custo, isoladamente, representa uma fatia expressiva da folha atual de R$ 11,3 milhões/mês, conforme o último balancete divulgado.
Internamente, conselheiros admitem que o salário do camisa 10 pesa como cinco jogadores “comuns”, e sua permanência exige readequações contratuais e comerciais, inclusive envolvendo empresas ligadas ao atleta.
Neymar é o primeiro da lista
Ainda assim, a renovação é tratada como fundamental. Neymar quer seguir no clube para se manter competitivo rumo à Copa do Mundo de 2026, e o Santos vê retorno esportivo e simbólico, apesar do debate financeiro. O acordo está encaminhado, mas não assinado, e fontes do clube reforçam que o ajuste final passa por reequilibrar contrapartidas e premissas comerciais.

Enquanto Neymar tende à permanência, Gabigol é o caso mais delicado. O atacante fatura R$ 3,45 milhões mensais no Cruzeiro, sendo R$ 2,5 milhões de salário fixo — os valores o colocam entre os jogadores mais caros do país. A ideia santista é obter o atacante por empréstimo, com divisão salarial. O Cruzeiro arcaria com parte dos vencimentos para aliviar sua própria folha e permitir o retorno do ídolo à Vila.
Mesmo com a disposição do clube em investir, o custo mensal continua sendo o grande obstáculo. Embora o Santos projete responsabilidade fiscal, admite que a chance de ter Neymar e Gabigol juntos muda o sarrafo competitivo. Até agora, porém, não há acordo definitivo, e o Cruzeiro — respaldado pelo bilionário Pedro Lourenço — mantém a esperança remota de uma venda, o que trava o avanço.

O terceiro nome da equação é Rony, visto como reforço estratégico para elevar intensidade e profundidade ao time. A conversa avança, mas sem proposta oficial. A operação de venda do atacante, que atualmente é do Atlético Mineiro, deve girar entre R$ 19 milhões e R$ 26 milhões.
Já o salário do atleta ultrapassa R$ 1 milhão mensais, um dos maiores vencimentos do clube, e exige nova calibragem na política de gastos. Nos bastidores, o técnico santista Juan Pablo Vojvoda é um entusiasta do atacante, enquanto o Atlético não coloca obstáculos para sua saída — a prioridade é definir o futuro rapidamente.
Trio NGR?
Se os três acordos forem concluídos nos moldes discutidos, o Santos poderia ultrapassar facilmente a marca de R$ 8 milhões mensais apenas com Neymar, Gabigol e Rony, sem considerar bônus individuais, comissões ou luvas. O cenário diverge do discurso público de austeridade, mas também representa a maior aposta esportiva desde a volta de Neymar, com impacto direto na imagem do clube e nos projetos futuros da equipe.
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Para a diretoria, o desafio é alinhar expectativas e prazos: Neymar deve ter decisão anunciada em breve, Gabigol requer mais tempo e Rony depende de ajustes financeiros e tratativas formais. Com isso, a reconstrução santista pode passar pela maior folha salarial da história do clube — ou pela necessidade de recalcular rumos caso as negociações esfriem. No momento, tudo está em discussão — nada está sacramentado.





